NVIDIA COMPRA a ARM: entenda o que MUDA com essa MEGA AQUISIÇÃO

Entenda o que essa movimentação representa para a indústria
Por Diego Kerber 14/09/2020 15:44 | atualizado 18/09/2020 06:18 Comentários Reportar erro

Depois de muitos rumores, enfim a Nvidia tornou oficial a compra da ARM. Pela cifra de US$ 40 bilhões, essa é de longe a maior aquisição feita pela empresa em sua história, e move o mercado de tecnologia ao unir o poder da Nvidia em supercomputação e gráficos com o amplo ecossistema da ARM, que é um dos pilares centrais de toda a revolução móvel que ditou a indústria na era dos dispositivos.

Se você até conhece esses nomes, mas não tem muita certeza do que essa junção representa, vamos aqui te dar uma ajuda pra entender o que essa notícia bombástica representa.

Para entender a importância da compra, é preciso entender o que essas empresas representam. A ARM Holdings é responsável por uma tecnologia que se confunde com seu próprio nome: a microarquitetura Advanced RISC Machine, ou como se consolidaria a sigla, a arquitetura ARM.

Com baixíssimas chances de errar, você está com um dispositivo baseado em ARM em seu bolso. A alta eficiência dessa tecnologia foi um dos pilares fundamentais da revolução dos smartphones e dos dispositivos conectados de hoje. A ARM e seus núcleos Cortex são a base de chips Exynos da Samsung, Snapdragon da Qualcomm, HiSilicon Kirin da Huawei, o Helio da Mediatek, os processadores da Apple no iPhone, o Tegra da Nvidia usado no Switch. A essa altura já deu pra sentir o tamanho da ARM, e também porque a Nvidia iria querer ter isso em seu portfólio.

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Mas também dá pra sentir qual é o primeiro conflito que essa aquisição causa. A ARM é uma espécie de território neutro para toda a indústria. Todo mundo usa sua microarquitetura, como os processadores Cortex e gráficos Mali, e tem a tranquilidade que não precisa competir com a própria ARM, já que ela não fabrica os chips, atua apenas no desenvolvimento da microarquitetura. É como se a ARM só trabalhasse com plantas baixas e modelos de construção de casas, mas nunca realmente as construísse.

Isso muda com a entrada da Nvidia. Apesar da empresa do lado verde da força já ter garantido que vai continuar mantendo a ARM como a Suíça do mundo da tecnologia, essa compra dá muita musculatura para a Nvidia partir de vez para disputar espaço no mercado de supercomputação com um produto mais completo.

Nós já vimos isso no passado. A AMD, empresa de tecnologia com foco em processadores, comprou a ATI, responsável pelos chips gráficos Radeon, em 2006. Assim a AMD foi capaz de unir o portfólio das duas empresas e gerar chips com alta performance tanto em CPU e GPU, e vem dominando mercados como o de consoles graças a sua solução 2-em-1 eficiente.

Isso é algo que a Nvidia também vai conseguir. A empresa já tem grande relevância no mercado de supercomputação, com produtos como o DGX, um cluster de 8 placas de vídeo com altíssimo nível de performance e paralelismo, mas que conta com  CPUs de terceiros, como uso de AMD Epyc em modelos mais recentes dessa plataforma. Com a IP (propriedades intelectuais) da ARM  em seu portfólio, a Nvidia pode preparar para ganhar musculatura na área. Mas lembra que avisamos de conflitos potenciais? A Qualcomm também vem usando a arquitetura ARM para desenvolver seus chips de olho no mercado de servidores. É uma situação desconfortável ter que usar tecnologia de um agora rival para desenvolver seu próprio produto.

Apesar da internet ter nos tornado apressados, a verdade é que essa aquisição vai levar meses, potencialmente mais de um ano, para ser finalizada. A Nvidia está lidando agora com a regulamentação da compra em vários países, inclusive já fez concessões para o Reino Unido garantindo que não vai tirar a sede da ARM de lá, por exemplo. Vamos ter que esperar ainda um bom tempo para ver os efeitos, se for concretizada a compra. Talvez a mais curiosa vai ser a possibilidade das tecnologias GeForce passarem a ser integradas na microarquitetura Mali. Talvez vamos ter uma versão  móvel da disputa Radeon vs GeForce, com a Adreno, que era da AMD e foi comprada pela Qualcomm em 2009, versus a Mali turbinada com arquitetura GeForce.

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  • Redator: Diego Kerber

    Diego Kerber

    Formado em Jornalismo pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), Diego Kerber é aficionado por tecnologia desde os oito anos, quando ganhou seu primeiro computador, um 486 DX2. Fã de jogos, especialmente os de estratégia, Diego atua no Adrenaline desde 2010 desenvolvendo artigos e vídeo para o site e canal do YouTube

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