Futurecom 2011: TIM expõe medidas para massificar a internet móvel

Rene Silva é um estudante carioca que mora no Morro do Adeus, uma das comunidades que formam o Complexo do Alemão, na Zona Norte do Rio de Janeiro. Aos 11 anos, o garoto criou um jornal para levar informações aos moradores da região, impulsionado por um dos serviços web mais utilizados hoje: o Twitter.

A história do jovem serviu de pano de fundo para a keynote de Luca Luciani, presidente da TIM Brasil, na Futurecom 2011. Na ocasião, o executivo falou sobre os desafios de infraestrutura para universalizar e massificar a Internet no país.



Luciani apontou quatro barreiras que devem ser ultrapassadas para cumprir esse objetivo Uma delas é justamente a que mais pesa para o consumidor: os altos preços praticados devido a alta carga tributÁria do segmento. Em comparação com outros países, o Brasil tem uma das maiores cargas, com 43% de impostos sobre o valor do serviço. Enquanto isso, a Argentina, "que também tem uma carga altíssima frente a outros países", segundo Luciani, ainda fica bem abaixo do nosso país, com cerca de 25%.

Em outros países, a carga tributÁria é inferior a 20%. É o caso do Chile, com 19% e a Inglaterra, com 18%. "O Rene, no Brasil, não pode ser penalizado dessa forma. Quanto mais imposto ele paga, menos ele pode usar a Internet móvel e usufruir de todos os benefícios que a inclusão digital traz", afirma Luciani.

Desafios de infraestrutura
Outro obstÁculo é a duração das tecnologias móveis existentes (GSM, GPRS, Edge, WCDMA e HSPA). "A sobreposição de tecnologias é cara e complexa, o que acaba interferindo na velocidade da massificação", aponta o executivo. Ele defende o uso de tecnologias alternativas e mais baratas, como o Wi-Fi, e o amadurecimento das redes que têm, em média, 15 anos de vida.

Graças à crescente demanda de usuÁrios, especialmente devido à queda dos preços dos smartphones, surge um terceiro obstÁculo: A TIM estima que, jÁ em 2012, haverÁ uma lacuna entre a necessidade e a disponibilidade do espectro. Luciani destacou que, independentemente da tecnologia, é essencial disponibilizar mais espectro com uso eficiente para que o usuÁrio consiga usufruir de uma conexão com qualidade. .

Outro entrave é o compartilhamento da rede, que, segundo Luciani, é um gargalo antigo do setor. Aliado à disponibilidade do espectro, "proporcionaria redes de alta velocidade em regiões de difícil acesso. Ou seja, a Internet móvel, com velocidade e qualidade de conexão, alcançaria diversos ‘Renes' do Brasil", acredita o executivo. Mas para isso se tornar realidade, é preciso ajustar a regulamentação do mercado de atacado e ter um modelo de investimento compartilhado.


Rene Silva começou carreira fazendo cobertura em tempo real no Twitter sobre a ocupação policial no Complexo do Alemão em 2011 (Foto: Paula Giolito/Folhapress)


Luciani conclui que, para levar a Internet a outras pessoas como Rene, é preciso superar todas essas barreiras, ao invés de a indústria "continuar obsessiva pela sobreposição tecnológica em ritmo canibalizante, mas restrita a regiões privilegiadas". Hoje, o garoto tem mais de 50 mil seguidores que acompanham seus posts no Twitter. E o jornal impresso Voz da Comunidade, com uma tiragem inicial de 300 exemplares, passou a ter uma circulação superior a mil cópias por mês.

Assuntos
Tags
  • Redator: Risa Lemos Stoider

    Risa Lemos Stoider

    Formada em Jornalismo pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) e gamemaníaca desde os 4 anos de idade. Já experimentou consoles de várias gerações e atualmente mantém uma ainda modesta coleção. Aliando a prática jornalística com a paixão pela tecnologia e os games, colabora com a Adrenaline publicando notícias e artigos.

Os jogos mais aguardados do segundo semestre de 2021

O que você achou deste conteúdo? Deixe seu comentário abaixo e interaja com nossa equipe. Caso queira sugerir alguma pauta, entre em contato através deste formulário.