LulzSec Brazil vaza arquivos da polícia federal [+update]

As operações da "divisão" brasileira do LulzSec andavam meio atrapalhadas, mas agora o grupo liberou uma série de arquivos intrigantes. Trata-se de uma coletânea com aproximadamente 8GB de arquivos da polícia federal, produzidos durante a Operação Satiagraha, que ocorreu em 2007, conduzida pelo então delegado Protógenes Queiroz, atual deputado federal pelo estado de São Paulo.

Ao de liberar os arquivos, no último final de semana, os integrantes do grupo anunciaram no Twitter: "LulzSecBrazil e Anonymous mostram o que as Organizações Globo escondem. A caixa de Pandora estÁ aberta."



Entre os arquivos, hÁ uma série de documentos e Áudios de escutas telefônicas que, inclusive, mostram ligações entre jornalistas e o banqueiro Daniel Dantas, que foi preso durante a operação. Dantas seria apenas um dos acusados, praticando atos de corrupção, como envio de verbas para paraísos fiscais e privatizações combinadas, além de pagamentos de propinas a profissionais da mídia.

O problema é que, mais uma vez, o vazamento não é exatamente inédito. Todos os dados vieram de um dos pendrives de Queiroz, apreendidos na época da operação Satiagraha e, inclusive, jÁ foram utilizados pelo Estadão, por exemplo. Os mesmos dados haviam sido postados no site Golpe Abaixo da Cintura que, no momento, encontra-se fora do ar. A revista Consultor Jurídico também teve acesso aos dados e publicou uma extensa reportagem explicando alguns aspectos do caso.

As informações contidas nos dispositivos foram obtidos pelo delegado Queiroz, no entanto, de formas controversas. Na época, ele requisitou o serviço de 80 agentes da Abin (órgão central do Sistema Brasileiro de Inteligência) de forma ilegal e sem o conhecimento da cúpula da Polícia Federal. Conclusões errôneas e transcrições mal feitas também marcaram o trabalho do delegado, que foi afastado da operação acusado de cometer irregularidades no curso das investigações.

Mesmo que a ação do LulzSec não seja, provavelmente, fruto de um ataque ou invasão, ao menos agora o grupo começa a mostrar serviço no que diz respeito à toda ideologia de denunciar a corrupção. Os dados estão públicos, para quem quiser ver e analisar.

UPDATE: O Grupo Opportunity, do banqueiro Daniel Dantas, esclarece que não envia recursos de seus investidores para o exterior. Eles são revestidos em títulos e valores imobiliÁrios negociados exclusivamente na Bovespa. Quanto às privatizações, afirma que participou do leilão de privatização da TelebrÁs, organizado pelo BNDES, no governo de Fernando Henrique Cardoso, e pagou pelas empresas adquiridas. "Não hÁ o que falar sobre 'privatização combinada', a não ser que a acusação tenha coloração político/partidÁria/policial".

A operação Satiagraha, conforme o Grupo, "foi uma fraude armada para atender a interesses privados e políticos. O objetivo era prender, mesmo após as investigações policiais constatarem a inexistência de crime por parte do Opportunity, o que estÁ comprovado em documentos." As investigações, que estão em andamento, devem apontar os interesses por trÁs da operação, comandada pelo delegado Protógenes Queiroz.

O delegado, que foi eleito deputado federal em razão da sobra de votos do palhaço Tiririca, foi condenado por fraude processual. O Ministério Público entendeu também que ele deve responder pelos crimes de prevaricação e corrupção passiva. Queiroz serÁ julgado pelo Supremo Tribunal Federal, jÁ que tem tem foro privilegiado. Em 7 de junho deste ano,  o Superior Tribunal de Justiça anulou a ação penal contra Daniel Dantas.

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  • Redator: Risa Lemos Stoider

    Risa Lemos Stoider

    Formada em Jornalismo pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) e gamemaníaca desde os 4 anos de idade. Já experimentou consoles de várias gerações e atualmente mantém uma ainda modesta coleção. Aliando a prática jornalística com a paixão pela tecnologia e os games, colabora com a Adrenaline publicando notícias e artigos.

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