Novas regras do governo chinês dificultam acesso a redes Wi-Fi públicas

Uma nova regulamentação do governo chinês exige que estabelecimentos que oferecem Internet gratuita via Wi-Fi instalem soluções de monitoramento dos usuÁrios. O preço do software, porém, é elevado: são cerca de US$3.100. Com isso, muitos bares, restaurantes, hotéis e livrarias estão simplesmente cortando o acesso público.

O programa envia aos oficiais de segurança pública informações como a identidade das pessoas que entram na rede, e passa a monitorar suas atividades. Locais que ignorarem a norma, devem pagar uma multa de US$2.300 e correm o risco de ter a licença para exercer o negócio revogada.


 "Do ponto de vista das pessoas comuns, essa política é injusta", declarou Wang Bo, dono de uma cafeteria, ao New York Times. "É apenas um esforço para controlar o fluxo de informação", critica. A proprietÁria de uma livraria não quis ser identificada para evitar represÁlias das autoridades, mas afirmou que jÁ desconectou o Wi-Fi público de sua loja. "Eu me recuso de fazer parte de um sistema de vigilância orwelliano que força meus clientes a divulgar suas identidades para um governo que quer monitorar como eles usam a Internet", protestou.

Devido ao alto custo de implementação do software, a medida do governo vai afetar principalmente os pequenos estabelecimentos. Uma enquete informal do New York Times descobriu que mais de uma dúzia dos proprietÁrios se consideram despreparados para adquirir o programa, que tem a capacidade de controlar 100 pessoas ao mesmo tempo. "Isso poderia fazer sentido para lugares como o Starbucks ou o McDonald's, mas nós temos apenas alguns poucos usuÁrios", avalia Ray Heng, dono de um restaurante especializado em comida mexicana.

As regras jÁ entraram em vigor na região central de Pequim, mas ainda não se sabe se valerão também para as Áreas periféricas. A empresa desenvolvedora do software de monitoramento, a Shangai Rain-Soft Software, se recusou a detalhar como o produto funciona, mas um de seus funcionÁrios afirmou que a solução jÁ foi entregue a oficiais de segurança da cidade. A empresa recebeu por volta de US$310.000 para criar o aplicativo.

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  • Redator: Risa Lemos Stoider

    Risa Lemos Stoider

    Formada em Jornalismo pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) e gamemaníaca desde os 4 anos de idade. Já experimentou consoles de várias gerações e atualmente mantém uma ainda modesta coleção. Aliando a prática jornalística com a paixão pela tecnologia e os games, colabora com a Adrenaline publicando notícias e artigos.

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