Malcolm Gladwell palestra no BB World

Durante o painel realizado na manhã desta quarta-feira, no BlackBerry World, Malcolm Gladwell, escritor do aclamado best-seller "What the dog saw", traduzido no Brasil como "O que se passa na cabeça dos cachorros", da Editora Sextante, falou sobre sua visão sobre o que é necessÁrio para montar uma empresa vencedora.

Gladwell, que cresceu em OntÁrio, cidade sede da BlackBerry, e faz sua terceira participação no evento, começou sua apresentação propondo uma discussão sobre o conceito de que as pessoas se juntam em garagens no Vale do Silício ou em laboratórios de OntÁrio, e seus talentos "milagrosamente" se uniram para formar histórias de sucessos. Para o escritor, essa não é a verdade de como as coisas acontecem.



Em sua primeira lição, Gladwell traçou um paralelo entre bandas e corporações: Se você pegar as 50 principais composições musicais clÁssicas da história, verÁ que nenhuma delas foi composta de forma rÁpida, em menos de dez anos. Falando em tempos nem tão distantes, basta pegar os Beatles como exemplo. Eles não surgiram do nada e começaram a fazer sucesso.

Os membros da banda ficaram dois anos reclusos em Hamburgo, na Alemanha, ensaiando e tocando em bares por até oito horas diÁrias. Quando estavam prontos, explodiram. Por isso chegaram tão longe. É necessÁrio muita prÁtica, o talento por si só não chega a lugar nenhum, é necessÁrio desenvolver esse talento. Segundo Gladwell, o mesmo se aplica a desenvolvedores e pesquisadores. É preciso muita dedicação aliada ao talento para se chegar em descobertas, em inovação.




Outra lição passada pelo "guru da inovação" foi a da compensação. Você pode ser ruim em algo, mas tem que compensar em outros campos. É importante reconhecer e identificar seus pontos fracos e ter habilidade para compor uma equipe, ou mesmo, buscar de alguma forma transpor essa deficiência. Um exemplo usado para exemplificar é o Futebol Americano. Todos os quarterbacks, para entrar na NFL, têm que fazer um simples, porém formal teste de QI.

Gladwell apresentou nomes das setes respostas mais inteligentes e das sete respostas mais imbecis dos últimos 20 anos. Curiosamente as sete mais inteligentes eram de jogadores sem expressão na liga, enquanto as mais imbecis continham nomes de campeões do Super Bowl e jogadores que entraram para o Hall da Fama do esporte. Qual o paralelo que se traça, propôs o escritor? Compensação, respondeu ele. Eles tinham deficiência em algo, mas se dedicavam demais em outra Área, na qual tinham talento, e precisavam praticar e desenvolver essa Área para se destacar.

O escritor prosseguiu falando de experimentação inovativa, destacando que leva tempo para desenvolver talentos e conceitos inovadores. Anos e anos são necessÁrios para conseguir chegar a uma obra prima, seja um quadro, livro, software, ou o que quer que seja. Como exemplo, o escritor citou Picasso que prôpos uma mudança abrupta na arte, e Cézanne, que foi mudando aos poucos. Ambos os pintores, porém, levaram anos para desenvolver seus talentos e ficaram cada vez melhores, aliando talento e dedicação, resultando vÁrios ensaios evolutivos, ano após ano, chegando enfim a obras definitivas que ficaram marcadas na história. Outro exemplo citado foi o de Alfred Hitchcock, diretor inglês que fez vÁrios filmes no início de sua carreria, com pouco sucesso, até chegar a sua obra prima, o filme "Psicose", de 1960.

Gladwell concluiu dizendo que se você entender a importância dos conceitos da paciência, experimentação e da insistência, você vai conseguir montar uma empresa vencedora.

O jornalista viajou a Orlando a convite da BlackBerry.

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  • Redator: Risa Lemos Stoider

    Risa Lemos Stoider

    Formada em Jornalismo pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) e gamemaníaca desde os 4 anos de idade. Já experimentou consoles de várias gerações e atualmente mantém uma ainda modesta coleção. Aliando a prática jornalística com a paixão pela tecnologia e os games, colabora com a Adrenaline publicando notícias e artigos.

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