Wikileaks: Manning é acusado de mais 22 crimes e pode ter pena de morte

O exército dos EUA acusou Bradley Manning, fonte do Wikileaks, de mais 22 crimes, dentre eles um que pode levÁ-lo a pena de morte.

As acusações, apresentadas na terça, mas só reveladas ontem, são uma acusação de ajudar o inimigo, cinco acusações de furto de gravações públicas, duas acusações de fraudes virtuais, oito acusações de transmitir informações da defesa em violação ao Ato de Espionagem e uma acusação de publicar material de inteligência na internet sabendo que ele seria acessível ao inimigo. A acusação de ajudar o inimigo é uma ofensa capital, que pode levar Manning à pena de morte. As cinco acusações adicionais são por violar códigos de segurança virtual do exército.

"As novas acusações refletem melhor o largo escopo de crimes que o Cabo de Primeira Classe Manning é acusado de cometer," disse o porta-voz do exército dos EUA, John Haberland.

De acordo com o exército, a equipe de acusação não vai buscar a pena de morte pela ofensa capital, mas de acordo com o código de justiça militar dos EUA, o juiz que julgarÁ o caso é quem decide quais acusações referem-se a corte marcial e quais serão punidas com pena de morte.

Manning foi preso em maio de 2010, após contar para um hacker que havia enviado milhares de documentos para o Wikileaks. Ele estÁ, desde então, sob custódia da marinha dos EUA na Virginia esperando pelo julgamento de sua saúde mental, requisitado por sua defesa.

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Apesar do Wikileaks não ser nomeado nas acusações, detalhes sobre o conteúdo que Manning teria acessado e transmitido batem com material publicado pelo WikiLeaks nos últimos 10 meses. Uma das acusações diz que Manning teria divulgado um vídeo entitulado "12 JUL 07 CZ ENGAGEMENT ZONE 30 GZ Anyone-avi" num período anterior a 5 de abril de 2010, data em que o Wikileaks postou um vídeo do exército datado de 12 de julho de 2007 que mostra um helicóptero no Iraque matando civis inocentes, dentre os quais haviam jornalistas.


Cena do vídeo que mostra helicóptero dos EUA matando civis no Iraque

Outra acusação descreve "Combined Information Data Network Exchange Iraq database containing more than 380.000 records." Em 22 de outubro, o Wikileaks divulgou um enorme banco de dados do exército sobre eventos na guerra do Iraque com mais de 392.000 entradas. Um banco de dados similar sobre o Afeganistão, com 90 mil registros, parcialmente publicado pelo Wikileaks em 25 de julho, também é descrito nas acusações.

Dentre as acusações consta ainda o vazamento de "um banco de dados do Comando do Sul dos Estados Unidos contendo mais de 700 arquivos", provavelmente uma referência aos mais de 700 registros sobre a prisão de GuantÁnamo Bay que o Wikileaks recebeu, mas não publicou. Manning também é acusado de roubar mais de 250 mil documentos diplomÁticos, uma clara referência ao material do "Cablegate", divulgado pelo Wikileaks.

Pelo menos um dos vazamentos dos quais Manning é acusado não é reconhecido pelo Wikileaks e não mencionado nos seus chats com Adrian Lamo - o ex-hacker que o entregou ao exército e ao FBI. O documento é descrito como "United States Forces - Iraq Micrsoft Outlook/Sharepoint Exchange Server global address list belonging to the United States government." Isto provavelmente indica que os investigadores recolheram provas examinando o computador de Manning após sua prisão.

A acusação de ajudar um inimigo é uma acusação militar que só pode ser aplicada a membros das forças armadas, mas o risco de uma ofensa capital deve ser aproveitado pelos advogados de Julian Assange, fundador do Wikileaks, em sua defesa, que jÁ alega que se Assange for extraditado para a Suécia, isto pode levÁ-lo de alguma forma a ser deportado para os EUA, onde políticos conservadores estão exigindo que Assange seja condenado à morte.

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Se condenado por todas as acusações, Manning pode ser sentenciado a prisão perpétua, isso se as autoridades excluírem a pena de morte. Antes das últimas acusações, o tempo mÁximo de cadeia que ele poderia enfrentar seria de 52 anos.

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  • Redator: Alexandre Lunelli

    Alexandre Lunelli

    Estudante de Jornalismo na Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), Alexandre é um entusiasta da fotografia, música, e demais áreas que não cansem muito. Fã da comunidade opensource, e sonha com um mundo mais bonito, igualitário e sem o trabalho, mal que corrompe a humanidade.

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