PC Barato que recomendam é tão ruim? Montamos pra ver!

Testamos o que dá para fazer com o tal PC Gamer de entrada
Por Diego Kerber 19/09/2021 14:23 | atualizado 19/09/2021 15:08 Comentários Reportar erro

Nas últimas semanas não falhou: todo dia alguém nos marcou nas rede sociais para avisar desse artigo de recomendação de PC para jogar barato do TechTudo. As recomendações em geral são sim, ruins, mas as coisas são diferentes do que acontecem em outro artigo, esse aqui pegando no pé de um post do Buzzfeed.

Na origem são essencialmente a mesma coisa: um artigo de recomendação de compras, ambos restritos da loja da Amazon. O problema no artigo do Buzzfeed era escolhas infelizes, muitas vezes baseadas em critérios totalmente defasados como "quantidade de VRAM". 

No do TechTudo os computadores são sim ruins, mas no fundo o problema é que o autor teve uma tarefa ingrata: montar uma máquina gamer barata, muitas vezes com orçamentos abaixo dos R$ 2 mil. Mas mesmo em um cenário tão negativo, dava para fazer um trabalho melhor, mas é realmente difícil trazer recomendações quando os componentes envolvidos tem pouco material na internet. Mas felizmente o Adrena tem uma longa bagagem de testar coisas, e de sofrer com peças próximo ao impraticável.

Nós já pegamos no pé dessas máquinas, como podem conferir nesse vídeo aqui, e nesse aspecto o autor do artigo do TechTudo não errou tanto assim: não tem praticamente nada melhor para oferecer nesse segmento de preço. E esse é o ponto: o problema é achar que existe um segmento gamer abaixo dos R$ 2 mil.

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A máquina mais barata sugerida segue a mesma estratégia que a nossa mais barata, o PC da Crise: ele resolve processador e placa de vídeo em um único chip. Mas com o orçamento tão apertado, ele não paga nem o Ryzen 3 3200G, que sozinho tem custado quase R$ 1,2 mil. O jeito é uma outra APU da AMD, o A6. E só A6. Como é mais regra do que exceção nesse mercado de máquinas baratas, o vendedor não informa direito o que temos ali.

Procurando com mais atenção, largado em uma descrição extremamente difícil de ler, dá para enfim achar de quem se trata: o processador é um A6-7480, um hexa-core naquele jeito estranho de contar núcleos "aceleradores" das velhas APUs AMD, somando os dois núcleos de processamento com os quatro de gráficos pra dar 6 núcleos.

E o que dá pra jogar com isso? Não vamos ficar só especulando, vamos montar e descobrir! Como não temos especificamente o 7480, vamos com o mais próximo que temos por aqui, um A8-7600, e vamos desabilitar dois núcleos de processamento para ficarem mais semelhantes. Nos gráficos temos 6 unidades de computação GCN em ambos, com leves diferenças de clocks.

Vocês podem conferir no gameplay dá pra jogar algumas coisas, mas a janela é bastante curta. Games indies mais leves, normalmente que não envolvem renderização em 3D, como Bastion, Towerfall e BroForce devem ir sem problemas. Quando o render em 3D é necessário, ainda há quem se salve, como um DoTA 2 ou um Civilization V, mas mesmo um CSzinho roda suando. Você não pode escolher os jogos que vai jogar, é o PC quem vai escolher, baseado no que ele vai conseguir abrir. Considerando que o sistema operacional é Linux, também temos uma maior estreitada nas opções.

Mas não vou só ficar criticando, e pretendo trazer algo construtivo, e nas mesmas condições, o que eu recomendaria? Com um orçamento tão sofrido, minha recomendação é um Athlon 3000G. Há máquinas completas com esse processador que também é um dual-core, mas é na arquitetura Zen, e também tem poucos núcleos gráficos, mas são baseados em Vega. Isso torna ele muito mais eficiente para encarar games, além de estar em uma plataforma que possibilita algum upgrade, já que está em uma placa-mãe AM4 e tem uma fonte de 500W. E o sistema operacional é Windows. Não que seja impossível jogar no Linux, o canal e site do Diolinux e nossa própria versão em vídeo desse conteúdo mostram que dá, mas o ecossistema de games no PC segue centralizado em Windows, e é onde você tem a melhor experiência nesse quesito.

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O que dá pra jogar em um Athlon 3000G? Até que alguma coisinha, como podem ver na live abaixo:

No restante das sugestões temos outros conhecidos de artigos anteriores. Computadores com Core i5 não claramente identificados, mas muitas vezes de quase 10 anos atrás, placas de vídeo como GeForce 210 ou GT 730 que ainda estão mal e mal chegando no nível de performance dos gráficos integrados do Athlon 3000G e, claro, onipresença de LEDs, o real atributo de um PC para jogos que pode entregar customizações no sistema de iluminação mas não entrega jogos.

Subindo mais o orçamento há duas possibilidades, na nossa opinião. Ou comprar o Xbox Series S, se quer jogar e não faz questão especificamente de usar a plataforma PC, ou partir para uma máquina com um gráfico integrado mais potente, como PCs com o Ryzen 3 3200G ou, indo para quase R$ 3,8 mil, um Ryzen 5 5600G. Aí você já entra no campo de um PC muito mais robusto, que seguraria boa parte dos games do mercado em um nível básico de qualidade, combinado com um processador que vai segurar uma futura placa de vídeo:

{image}A realidade atual é péssima, com a desvalorização do Real frente ao Dólar fazendo com que esses componentes importados saiam incrivelmente caros, ao mesmo tempo que o desabastecimento de chips empurra os preços pra cima e a pandemia de SARS-COV-2 joga a renda das pessoas lá pra baixo. E é justamente por isso que agora não é a hora de por dinheiro fora. Pedir para que as pessoas gastem um pouco mais é uma recomendação ingrata e que pode soar até insensível de nossa parte, mas considerando o quanto testamos esses componentes, sabemos o quanto não fazer esse gasto adicional coloca todo o investimento como perdido. Especialmente quando você ver uma plataforma descontinuada e sem caminhos para upgrades em suas mãos, apanhando para quase todo jogo que você gostaria de jogar.

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  • Redator: Diego Kerber

    Diego Kerber

    Formado em Jornalismo pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), Diego Kerber é aficionado por tecnologia desde os oito anos, quando ganhou seu primeiro computador, um 486 DX2. Fã de jogos, especialmente os de estratégia, Diego atua no Adrenaline desde 2010 desenvolvendo artigos e vídeo para o site e canal do YouTube

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