Créditos: Foto: Diego Kerber (Adrenaline)

Impressões com o Turtle Beach Recon 200 - um bom fone até ficar sem carga

Ser multiplataforma é um ponto positivo, mas preço coloca ele em uma concorrência pesada
Por Diego Kerber 04/07/2021 18:00 | atualizado 04/07/2021 18:27 Comentários Reportar erro

A Turtle Beach reestreou no Brasil, e o Recon 200 é um dos produtos estreantes do retorno da empresa. Ele tem como principal trunfo atuar em todas as plataformas, sendo compatível com o Playstation 4 e 5, Xbox One e Series S/X, PC e também Switch, conta com um sistema de amplificação dos baixos - uma excentricidade que vamos comentar adiante -  e um custo na casa dos R$ 700. Será que vale a pena?

Site oficial do Turtle Beach Recon 200

Especificações principais

- Alto-falantes: 40 mm com ímãs de neodímio
- Resposta em frequência: 20 Hz–20 kHz
- Design do fone: Circumaural (fechado)
- Almofada da haste: Couro sintético com acolchoamento de espuma
- Material das almofadas de orelha: Couro sintético com acolchoamento de espuma de memória
- Controles integrados: Roda de volume, monitoramento variável de microfone com função mudo, botão seletor de plataforma Xbox/PlayStation
- Microfone omnidirecional fixo

Design e conforto

Começando pelo design, o Recon 200 é confortável no uso, mesmo por longas sessões de jogatina. Ele usa um material sintético que simula couro e espuma acolchoada nos auriculares e no topo da haste, e tirando uma leve pressão nas laterais na parte inferior, os ajustes de ângulos se ajustaram bem ao meu uso. Apesar do encaixe meio apertado, não foi desconfortável de usar com óculos.

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A construção em sua maioria é feita em plástico com um acabamento texturizado que vai agradar quem quer um fone e não algo excessivamente chamativo. Além dos detalhes que lembram o trançado do kevlar, os únicos elementos que se destacam é o símbolo da Turtle Beach nas laterais, o discreto microfone e algumas linhas na haste.

O fone conta com um conector P2, no combo que une os dois canais de áudio e o microfone, um conector microUSB para recarga e dois controles de volume: um para o retorno do microfone e um para o áudio. Ele também tem um botão liga/desliga que já atua como seletor para as plataformas do Playstation e do Xbox.

Em geral não tenho reclamações para os comandos, que são de fácil acesso, só me atrapalhei um pouco entre o volume do áudio e do microfone, já que são dois ajustes idênticos e praticamente no mesmo lugar, então vai algumas tentativas e erros até parar de confundir os dois. E como é um fone P2, não tem muito erro: é espetar e ligar, e está pronto pra uso, sem configurações. Não tem uma conexão sem fios, apesar da bateria interna e da necessidade de ser carregado.

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Qualidade de áudio

O Recon 200 tem uma qualidade de áudio bem satisfatória. Ele conta com um bom nível de definição em tons dos agudos e intermediários, e enfim chegamos ao motivo para um fone com fio ter que ser carregado e contar com bateria interna: os graves. O motivo é uma tecnologia amplificadora que dá um "boost" no baixo.

E isso é perceptível? A resposta é sim. O baixo é bastante presente, e felizmente não está superdimensionado como muitos fones gamers erram "a mão" e saturam os headsets gamers com baixo do mesmo jeito que os outros periféricos gamers estão cheios de LEDs. Mesmo com você "socando no máximo" o volume, chama a atenção como o Recon 200 segura bem, sem gerar distorções mesmo com o baixo tão proeminente.

Para gameplays ele cumpre bem o papel de dar sensação de espacialidade em seus dois canais, então vai atuar bem naquele momento que você precisa achar de onde está vindo seu inimigo em um Battle Royale ou aproveitar seu "cagaço" de forma adequada em algum jogo de terror. 

O microfone se sai bem, captando com um bom nível de qualidade o áudio e sendo direcional, não "pega" em excesso o som ambiente. Esse aparelho tem a função de "mutar" automaticamente o microfone quando você gira ele pra cima, uma função sempre útil, e conta com o diferencial de oferecer um retorno de áudio, possibilitando você "se ouvir" quando está usando e ajudando a saber se o ajuste está correto ou se sua voz está captando corretamente. Se não gostar do retorno, é só ajustar o volume dele ou mesmo desligá-lo. 

Uma coisa que me desagradou foi o uso no PC. O combo de dois canais de aúdio + fone faz todo sentido para um headset para consoles, que vai usar um único P2 com todas essas funcionalidades quando você ligar em um controle do Xbox, do Playstation ou diretamente no Switch. Mas no PC normalmente não há esse combo, e sim um P2 para microfone e outro para fone, e outros headsets trazem na caixa um cabo que atua tanto como extensor - normalmente o PC precisa de um cabo um pouco mais longo -  que ao mesmo tempo separa esses dois elementos e torna viável usá-lo no PC. Esse fone não é dos mais baratos, então definitivamente esse acessório devia vir na caixa.

Bateria?

Sim. Esse é um fone com fio e com bateria. Normalmente as baterias em fones de ouvido estão presentes apenas em modelos sem fio, que precisam dela para ter energia. O Recon 200 usa uma conexão P2, que traz áudio e também energia para fones, mas usa também uma bateria interna.

A razão para esse estranho arranjo é o recuso "Bass Boost", que intensifica os graves. Como comentamos na parte de qualidade de áudio, eles sim se sobressaem, não só na potência, como também na boa definição. 

O problema é que os prós param por aí, e o resto são pontos negativos para essa abordagem. O Recon não usa apenas a bateria: ele depende dela. Quando acaba a carga, não há mais áudio, nem um sem o Bass Boost. Para piorar, ele não dá indicativos que está ficando sem bateria, como fones sem fio costumam fazer. Ele simplesmente "morre" até ser carregado novamente. Não há um modo de economia de energia, então se você esquecer ele ligado, mesmo sem nada tocando, ele vai ficar ligado até simplesmente se descarregar.

 Ele tem uma bateria estimada de 12 horas, o que nos deixa sem critério de comparação já que fones com fio normalmente não tem autonomia. Eles só param de fazer som quando você desconecta eles.

Um ponto positivo é que apesar da bateria interna, seu peso não foi prejudicado. Ele ainda é leve o bastante para ser usado por longos períodos sem algum tipo de desconforto.

Vale a pena?

O Recon 200 cumpre bem os requisitos de um bom fone, e tem um balanço interessante nas partes em que economiza e onde "gasta". Sua construção em plástico e ajustes mostram que não se trata de um fone high-end, mas quando comparamos a qualidade de áudio versus outras opções mais econômicas, como o HyperX Stinger (R$ 300) há uma diferença perceptível na qualidade do áudio, especialmente no ganho do baixo. Outro concorrente nessa área é o Razer Kraken e o Havit H2002d, também no campo dos R$ 300. 

A minha dúvida é a diferença de custo. Estamos falando de mais de um incremento de duas vezes sobre o preço do modelo HyperX, que acho mais confortável apesar de ficar atrás na qualidade de áudio, e não tem essa esquisitice de ter que carregar um fone com fio. Também entram no meu radar, nessa faixa de preço, opções com o HyperX Cloud II ou Logitech G635, com design superiores e um ganho na qualidade de áudio comparado a aquele segmento de entrada.

Mas o que realmente me faz não recomendar o Recon 200 é justamente essa sua excentricidade de ter uma bateria. Ele não tem o ganho do áudio no baixo como um bônus, apenas. O fone não funciona sem ele. Se você esquecer de carregar, esse fone P2 é tão útil quanto qualquer fone wireless sem bateria: não dá pra ouvir nada nele. É como ter um fone sem fio com o ônus de precisar ser carregado, mas sem o bônus de ser... bem, sem fio. Em um segmento de preço com tanto concorrente interessante, não tem espaço para seu principal diferencial vir acompanhado de um vacilo desses.

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  • Redator: Diego Kerber

    Diego Kerber

    Formado em Jornalismo pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), Diego Kerber é aficionado por tecnologia desde os oito anos, quando ganhou seu primeiro computador, um 486 DX2. Fã de jogos, especialmente os de estratégia, Diego atua no Adrenaline desde 2010 desenvolvendo artigos e vídeo para o site e canal do YouTube

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