EUA força Twitter a liberar dados sobre pessoas ligadas ao Wikileaks

O governo dos EUA intimou o Twitter a liberar dados pessoais sobre pessoas ligadas ao Wikileaks.

A Corte Distrital do estado da Virginia, local onde foi feita a intimação, aponta que as informações requeridas incluem nomes de usuÁrio, endereços, registros de conexão, números de telefone e detalhes de pagamento.

Dentre os nomes estão o fundador do Wikileaks, Julian Assange e uma parlamentar Islandesa.

O governo dos EUA estÁ examinando possíveis acusações contra Assange, após o vazamento de 250 mil documentos diplomÁticos. Fontes indicam que o Departamento de Justiça dos EUA deve tentar indiciÁ-lo por crime de conspiração por "roubar" documentos junto com o analista de inteligência do exército dos EUA, Bradley Manning.

Manning estÁ enfrentando corte marcial e ficarÁ até 52 anos na prisão por mandar ao Wikileaks os documentos diplomÁticos, registros de incidentes no Afeganistão e no Iraque e um vídeo militar confidencial.

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De acordo com a intimação, o governo dos EUA conseguiu evidências de que as informações solicitadas são relevantes para o andamento das investigações.

Foram dados três dias para o Twitter responder a intimação. O site também foi orientado para não revelar nenhuma informação sobre a sua intimação ou sobre a existência da investigação.

A mesma corte, porém, removeu as restrições na última quarta-feira e  autorizou o Twitter a informar os seus usuÁrios sobre a intimação.

Além de Assange e da parlamentar islandesa Birgitta Jonsdottir, o hacker holandês Rop Gonggrijp e o programador norte americano Jacop Appelbaum também tiveram seus dados revelados. Todos eles teriam trabalhado com o Wikileaks.

Julian Assange condenou a intimação no último sÁbado, dizendo que "se o governo iraniano tentasse coercitivamente obter esta informação sobre jornalistas e ativistas de nações estrangeiras, grupos de direitos humanos ao redor do mundo iriam se manifestar.

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O advogado de Assange, Mark Stephens, disse que o governo dos EUA estÁ tentando intimidar as pessoas. "É uma pena que o departamento de justiça tenha parado de jogar com a justiça e tenha passado a jogar com a política", ele disse à BBC News.

Os representantes do Twitter se recusaram a comentar as declarações de Assange e seu advogado. "Para ajudar nossos usuÁrios a proteger seus direitos, nossa política é notificar os usuÁrios sobre medidas legais e governamentais que requeiram suas informações, exceto quando somos impedidos por lei de fazê-lo", alegaram.

A parlamentar islandesa Birgitta Jonsdottir é autora da lei conhecida como Icelandic Modern Media Initiativa, que fez do país um paraíso para o jornalismo investigativo e liberdade de expressão.
Ela é acusada de ter participado na elaboração do vídeo Collateral Murders, que mostra um helicóptero Apache dos EUA atirando em civis no Iraque em 2007.


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  • Redator: Alexandre Lunelli

    Alexandre Lunelli

    Estudante de Jornalismo na Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), Alexandre é um entusiasta da fotografia, música, e demais áreas que não cansem muito. Fã da comunidade opensource, e sonha com um mundo mais bonito, igualitário e sem o trabalho, mal que corrompe a humanidade.

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