Apps móveis espionam usuários e conhecem seus hábitos

Se você tem um smartphone, são grandes as chances de você ser espionado. Os aplicativos baixados e instalados não só trazem entretenimento e facilidades como também têm o poder de coletar dados pessoais e enviÁ-los a empresas de publicidade, mesmo sem o seu consentimento.

O Wall Street Journal investigou 101 aplicativos populares para iPhone e Android e descobriu que a informação mais transmitida é o identificador único do aparelho, um número estabelecido pela fabricante que não pode ser apagado nem alterado. "É como um supercookie", explica Vishal Gurbuxani, co-fundador da Mobclix. "É assim que monitoramos tudo", completa Meghan O'Holleran, da Traffic Marketplace.

O'Holleran diz que a Traffic Marketplace monitora os usuÁrios de smartphones sempre que pode. "Nós observamos quais aplicativos você baixa, qual sua frequência de uso e quanto tempo você gasta nele". Conforme a investigação do jornal, 56 dos 101 aplicativos compartilharam o número único de identificação. Outros 47 transmitiram a localização do aparelho e cinco enviaram dados pessoais como idade e sexo. Pelo menos na amostragem utilizada na investigação, os aplicativos de iPhone vazaram mais informações do que os de Android.

Mesmo com rígidas políticas de aprovação na App Store e com medidas de segurança, como a solicitação da permissão do usuÁrio para que o aplicativo acesse certos recursos, o Wall Street Journal percebeu que essas regras podem ser transpassadas. Tanto as versões para iPhone e Android do app musical Pandora, por exemplo, enviaram a idade, sexo, localização e números de identificação do celular para vÁrias companhias de publicidade.

O mesmo aconteceu com o game Paper Toss, que enviou a identificação única para, pelo menos, cinco empresas. Até mesmo o popular jogo Angry Birds, tanto na versão grÁtis como na paga, envia o número de identificação e a localização do aparelho para a distribuidora do jogo, a Chillingo. A companhia, porém, diz que não usa as informações para exibir anúncios e nem compartilha com terceiros.


Angry Birds, que jÁ completou um ano de idade, foi baixado 50 milhões de vezes


"No mundo móvel, não hÁ anonimato", afirmou Michael Becker, da Mobile Marketing Association. "Um celular estÁ sempre conosco, sempre conectado." De acordo com o Wall Street Journal, esse tipo de monitoramento também ocorre nos PCs, mas com uma diferença: os "rastros" podem ser deletados, o que não ocorre nos smartphones.

De todas as aplicações testadas, 45 não tinha sequer uma política de privacidade disponível para consulta dos usuÁrios, nem nos seus sites nem dentro do próprio aplicativo.

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  • Redator: Risa Lemos Stoider

    Risa Lemos Stoider

    Formada em Jornalismo pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) e gamemaníaca desde os 4 anos de idade. Já experimentou consoles de várias gerações e atualmente mantém uma ainda modesta coleção. Aliando a prática jornalística com a paixão pela tecnologia e os games, colabora com a Adrenaline publicando notícias e artigos.

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