Créditos: Divulgação/ Ubisoft

Executivos da Ubisoft são acusados de cortar participação feminina em jogos

Ex-funcionários falam que a resposta era de que "Mulheres não vendem"

Novos relatórios estão acusando a Ubisoft de comportamento machista. Segundo algumas informações divulgadas pela Bloomberg, os executivos barravam a participação feminina nos jogos. Isso é referente as personagens mulheres presentes no título, assim como o tratamento de funcionárias. Essas informações foram confirmadas por ex-funcionários da desenvolvedora posteriormente. 

Uma nova onda de exposição de ex-funcionárias da Ubisoft começou a ser feita pelo Twitter. Um dos com mais destaque foi feito pela Marie Jasmin, ex-designer de UI / UX da Ubisoft Montréal. Ela informa que todas as vezes que uma personagem feminina era proposta para o game, a resposta era a mesma: "Mulheres não vendem". Muitas foram cortadas e nunca chegaram a aparecer nas versões finais. Outras ainda tiveram sua participação diminuída, a ponto de se tornarem praticamente irrelevantes para o enredo.

É possível perceber no Tweet que Marie responde uma publicação de Eline Muijeres, outra desenvolvedora de games, que trabalha na indústria. Ela fala "Horizon Zero Dawn: novo IP mais vendido para PlayStation 4. The Last of Us Part II: exclusivo PS4 mais vendido de todos os tempos. 'mulheres não vendem'." Os títulos mencionados possuem mulheres como protagonistas e foram - e estão sendo -, sucesso de vendas. 

Segundo a publicação jeita por Jason Schreier, para o site Bloomberg, a família proprietária da Ubisoft está sob acusações de "má conduta sexual generalizada". O relatório informa que "o clima de trabalho era hostil para mulheres" e acusam os executivos de serem "misóginos ou racistas".

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"Mais de uma dúzia de pessoas fizeram alegações públicas de assédio e abuso sexual contra funcionários da Ubisoft nas últimas semanas. A manifestação faz parte do movimento #MeToo mais amplo que está se firmando na indústria de jogos. A empresa com sede em Paris tem sido o alvo mais frequente de alegações. Entrevistas com mais de três dúzias de funcionários atuais ou antigos da Ubisoft indicam que essas alegações, e muitas outras que ainda não foram reveladas, estão acumulando poeira nos registros da empresa há anos. Em alguns casos, a Ubisoft tomou medidas, mas, na maioria das vezes, as reclamações foram ignoradas, mal tratadas ou prejudicadas, dizem os funcionários."
- Jason Schreier, jornalista do site Bloomberg

"Mais de uma dúzia de pessoas fizeram alegações públicas de assédio e abuso sexual contra funcionários da Ubisoft nas últimas semanas. A manifestação faz parte do movimento #MeToo mais amplo que está se firmando na indústria de jogos. A empresa com sede em Paris tem sido o alvo mais frequente de alegações. Entrevistas com mais de três dúzias de funcionários atuais ou antigos da Ubisoft indicam que essas alegações, e muitas outras que ainda não foram reveladas, estão acumulando poeira nos registros da empresa há anos. Em alguns casos, a Ubisoft tomou medidas, mas, na maioria das vezes, as reclamações foram ignoradas, mal tratadas ou prejudicadas, dizem os funcionários."
- Jason Schreier, jornalista do site Bloomberg

A primeira personagem feminina jogável na série principal dos Assassin's Creed foi Evie. Ela apareceu em Assassin's Creed Syndicate, que foi apresentado apenas em 2015. Os funcionários relatam que essa franquia foi amplamente modificada pelos executivos, que frequentemente falavam que "Mulheres protagonistas não vendem". Antes de Syndicate tivemos Aveline, mas Liberation não foi exatamente um lançamento triplo A, sendo mais um daqueles "puxadinhos" que aproveitam o desenvolvimento de um dos títulos principais da franquia.

Segundo os ex-funcionários da Ubisoft, Assassin's Creed Syndicate, de 2015, era desenvolvido originalmente para ter uma divisão mais uniforme entre Jacob e Evie, os irmãos Frye. Ambos os personagens dividiriam o game como protagonistas. Apesar da vontade dos desenvolvedores, os executivos do projeto não permitiram que isso acontecesse. A versão final evidencia muito mais Jacob que Evie.

Marie fala que esse processo ocorreu em diversos outros títulos. Outro exemplo mais recente foi com Assassin's Creed Origins, de 2017. O roteiro inicial contava com Bayek ferido ou morto logo no início, com sua esposa Aya assumindo a sua missão. O que chegou aos jogadores não foi nada parecido com isso. O personagem masculino se manteve como protagonista durante todo o game, com Aya presente em um papel menor. 

Parece que o sucesso de outros games com protagonistas mulheres, desenvolvido por outras companhias, tem convencido os executivos que "Mulheres não vendem" não é uma verdade. Isso porque parece que Assassin's Creed Valhalla, que ainda está em desenvolvimento, vai permitir a troca de personagens homens e mulheres durante o jogo. 

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Como mencionado acima, The Last of Us Part II já tinha batido níveis de venda expressivos, antes mesmo do seu lançamento. O título conta com Ellie, personagem feminina, como protagonista. Ele foi lançado apenas para PlayStation 4 em junho de 2020.

Diferente de Assassin's Creed Odyssey, em Valhalla os jogadores vão poder alterar o gênero de seu personagem quando quiserem. Pelo menos é isso que está sendo mencionado até o momento. O novo capítulo da franquia deve ser lançado em 17 de novembro para PC, PlayStation 4 Xbox One e Google Stadia.

Via: WCCFTech Fonte: Bloomberg
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  • Redator: Ana Luiza Pedroso

    Ana Luiza Pedroso

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