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Sony e Microsoft boicotam Facebook por campanha contra discurso de ódio

As duas gigantes removem seus anúncios e outras atividades do Instagram e Facebook, até que a empresa tome medidas mais assertivas contra discurso de ódio e desinformação nessas redes
Por Daniel Trefilio Carvalho 06/07/2020 11:07 | atualizado 06/07/2020 11:59 Comentários Reportar erro

Sony e Microsoft, duas das maiores gigantes do mercado de jogos do momento, se uniram a outras grandes marcas num movimento de boicote ao Facebook por conta da postura de omissão da rede social frente ao uso constante de suas plataformas para disseminação de discursos de ódio e desinformação (fake News).

A plataforma originalmente criada em 2004 para unir e conectar pessoas, como a maioria das empresas que veem suas ações disparar no mercado após o IPO, foi mudando gradativamente o seu foco para se manter em alta. Embora o Facebook ainda venda ao seu usuário essa proposta de conectar e aproximar diferentes pessoas, a visão que o mercado tem da empresa é de um grande outdoor para colocar sua marca de maneira orgânica, de maneira que o usuário final tenha a sensação que aquela publicidade que chega na sua timeline só está ali porque claramente ele se interessa por aquele tipo de conteúdo. Essa colocação orgânica de anúncios em meio ao conteúdo de real interesse dos usuários virou uma sólida fonte de receita para o Facebook, tendo gerado US$ 17,7 milhões apenas no primeiro trimestre de 2020, 17% a mais do que no mesmo período do ano anterior.

Contudo, a empresa que além de dona da rede social homônima é dona de outras plataformas de comunicação em massa muito populares, como WhatsApp e Instagram, se tornou um dos principais palcos para disseminação indiscriminada de discursos de ódio e de desinformação com o intuito de manipular posicionamentos políticos de grupos sociais diversos, tendo já sido alvo de processos por práticas que facilitaram seu uso para esses afins. Isso somado à postura de se isentar de uma curadoria mais ativa dos conteúdos ali expostos, pautada pelo discurso vago da defesa a liberdade de expressão, transformou o Facebook e suas várias de suas empresas subsidiárias, em alguns dos principais palanques da atualidade para discursos que cruzam a barreira entre liberdade de expressão e criminalidade.

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Num movimento que está subindo a hashtag #StopHateForProfit, grandes marcas como LEGO, Coca-Cola, Unilever, Starbucks, Verizon, Hershey, Honda, KIND, Target, e apenas recentemente Sony e Microsoft, se uniram em protesto atacando o Facebook e suas subsidiárias onde dói, no bolso. As empresas em questão estão retirando seus anúncios, principalmente, do Facebook e Instagram, até que a empresa se posicione de maneira assertiva contra o uso indiscriminado de suas redes sociais para a proliferação de fake-news, ataques a grupos socialmente fragilizados ou marginalizados, e outras tantas posturas de disseminação de discursos de ódio ou outras práticas criminosas.

Em apoio a campanha #StopHateForProfit, nós suspendemos em âmbito global nossas atividades no Facebook e Instagram, incluindo tanto anúncios quanto conteúdos não pagos, até o final de julho. Nós defendemos a postura de trabalhar (e jogar) juntos para o bem,” se posicionou a Sony em nota ao site GamesIndustry.biz.

Fontes relataram a Bloomberg que Microsoft também removeu seus anúncios tanto do Facebook quanto do Instagram, e no dia 01 de julho já foi possível observar os primeiros impactos disso nas ações da empresa, com queda de 2% em relação ao dia 23 de junho, saindo de US$ 242 para US$ 237, e fechando a primeira semana de julho em US$ 233,42, indicando que essa queda pode se prorrogar por mais tempo, forçando a Facebook Inc a rever seu posicionamento frente ao apelo não apenas das empresas, mas principalmente da comunidade contra esse uso criminoso de suas redes.

Via: TweakTown
  • Redator: Daniel Trefilio Carvalho

    Daniel Trefilio Carvalho

    Formado em Letras pela Universidade Estadual de Campinas, professor, tradutor e revisor. Nas horas vagas, instalando impressora e formatando PCs desde os tempos que Alone In The Dark era um jogo bom e ocupava 4 disketes.

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