G2A quer criar ferramenta que bloqueia keys ilegais, mas dá mais trabalho para desenvolvedores

A loja de jogos G2A protagonizou duas grandes polêmicas recentemente, mas finalmente mostrou que está disposta a ajudar os estúdios de games. Após sofrer duras críticas por permitir a venda de keys ilegais e atrapalhar a vida de quem faz jogos, a empresa disse que pretende fazer uma ferramenta para bloquear chaves de ativação. O problema, porém, é que a novidade deve dar ainda mais trabalho para os desenvolvedores.

Enquanto plataformas de revenda como a brasileira Nuuvem trabalham diretamente com estúdios e publishers para oferecer um serviço ético e de qualidade, a G2A é um marketplace e funciona de maneira similar ao eBay ou Mercado Livre. Isso permite que qualquer pessoa comercialize keys de games, mesmo que as chaves já tenham sido ativadas ou obtidas de forma ilegal, como usando bots durante sorteios.


Imagem: VG247/Reprodução

Segundo uma publicação feita em seu blog, a empresa pretende criar uma ferramenta para bloqueio de keys ilegais caso pelo menos 100 desenvolvedores mostrem interesse no projeto dentro de um mês, pois o desenvolvimento será "caro e consumirá tempo." A ferramenta em questão permitirá que os estúdios impeçam a venda de certas chaves de ativação na plataforma, mas para isso será necessário adicionar manualmente todos os códigos que estão proibidos.

Em tese, o sistema ajuda os criadores de games a impedirem a comercialização de keys cedidas para análises e sorteios, por exemplo. Por outro lado, a novidade daria um baita trabalho para os desenvolvedores, que teriam que colocar todas as chaves no sistema para proteger seus games na plataforma.

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Os estúdios teriam que adicionar todas
as keys proibidas num banco de dados da G2A

Além das keys ilegais vendidas na G2A não darem lucros diretos para os desenvolvedores, os problemas causados pela loja também fazem os estúdios independentes gastarem mais tempo atendendo consumidores descontentes, segundo apontou Rami Ismail, da produtora Vlambeer. Ou seja, apesar das boas intenções do marketplace, a ferramenta sugerida, no final das contas, pode acabar custando ainda mais horas que poderiam ser usadas para criação de conteúdo.

O Polygon também aponta o fato de que a G2A ficaria com todas as keys registradas em seu banco de dados, o que tornaria a companhia um alvo constante de hackers.

Desenvolvedores descontentes

Como era de se esperar, alguns desenvolvedores já mostraram que estão descontentes com a ideia. Mike Bithell, que está trabalhando em John Wick Hex, fez uma publicação no Twitter criticando a atitude da G2A. "Eu não trabalho para vocês. É seu dever proteger os consumidores que estão comprando chaves não verificadas, não meu", disse o criador do estúdio Bithell Games.

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Mike Rose, que prefere ver seus jogos pirateados do que vendidos no marketplace, disse que a sugestão da empresa é um gesto positivo, mas que evita os reais problemas da plataforma. "Quando a G2A realmente lidar com essa 'questão' - o problema de você ver pessoas vendendo chaves ilegalmente no site - aí sim tudo será lindo".

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  • Redator: Mateus Mognon

    Mateus Mognon

    Mateus Mognon é formado em Jornalismo pela Universidade Federal de Santa Catarina. Vencedor do prêmio SET Universitário na Categoria Reportagem Digital, atua nos sites do grupo Adrenaline desde 2014. Atualmente, colabora para os veículos com notícias, análises e artigos envolvendo tecnologia e games.

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