Intel pode seguir mesmo modelo da AMD para acesso das memórias nos CPUs Ice Lake

No meio da documentação sobre os gráficos integrados da Intel, o Gen11 GT2, o pessoal do TechPowerUp encontrou um detalhe bem importante relacionado aos processadores da linha como um todo. A Intel parece preparar uma mudança estrutural importante na forma como o processador acessa os dados das memórias RAM, nessa próxima geração Intel Core baseados em 10 nanômetros.

A mudança está descrita no whitepaper dos Ice Lake, afirmando que os processadores irão operar em 4x 32-bit. Essa interface de comunicação com as memórias é diferente dos atuais 2x 64-bit presentes em processadores baseados em Coffee Lake, por exemplo. O palpite do TechPowerUp é que essa é uma forte evidência que as memórias irão operar em unganged dual-channel (algo que em tradução livre fica como "dois canais desvinculados"), diferente da abordagem monolítica que une o controlador de memória usado hoje.


Modos ganged e unganged lado a lado

Com essa tecnologia, o processador passa a ter dois controladores independentes de memória operando cada um com uma largura de 64-bit, algo que traz uma versatilidade maior para o processador no momento que se comunica com as memórias RAM. Com essa estrutura, além de fazer pedidos independente de acesso a dados, é possível realizar ações de escrita e leitura ao mesmo tempo, algo que traz benefícios em situações de processamentos multithread. Como não existe soluções perfeitas na computação, a troca por essa tecnologia impacta negativamente em aplicações single-thread, já que a estruturação atual é mais eficiente nesses cenários.

A comunicação das memórias com o processador é crucial para alta performance em que há alta demanda no CPU. O acesso das memórias RAM é bastante lento comparado ao cache do processador, com as etapas de preparação para acesso aos dados tomando muito tempo (para os padrões computacionais, onde nanossegundos contam) e fazendo com que a latência aumente consideravelmente. O modo unganged dá versatilidade ao permitir mais comandos de leitura e escrita acontecendo simultaneamente.

Há também outro fator bem relevante nessa mudança, já que além de possíveis ganhos de performance em aplicações multithread, ela tem potencial de aumentar a performance gráfica na iGPU do Ice Lake, a Gen11 GT2. Em um sistema com gráficos integrados no processador, GPU e CPU precisam compartilhar recursos da RAM, inclusive a velocidade de acesso e largura de banda. Com essa maior flexibilidade da tecnologia no modo unganged, teoricamente há possíveis benefícios para o chip gráfico integrado ao melhorar seu acesso à memória RAM, que será mais versátil em iniciar processos de leitura e de escrita para processos simultâneos.

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Enquanto o unganged pode ser uma novidade a caminho da linha Intel Core, nos processadores AMD ele está presente faz uma década. Nos modelos Phenon, inclusive, era possível até alternar entre o modo ganged (usado hoje nos processadores da Intel) e o ungagedcom direito a até artigos de benchmark tentando mostrar qual dos dois entrega mais desempenho. Por sinal, o artigo concluía que o modo ungaged era o mais interessante.

Via: TechPowerUp Fonte: Ilsistemista
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  • Redator: Diego Kerber

    Diego Kerber

    Formado em Jornalismo pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), Diego Kerber é aficionado por tecnologia desde os oito anos, quando ganhou seu primeiro computador, um 486 DX2. Fã de jogos, especialmente os de estratégia, Diego atua no Adrenaline desde 2010 desenvolvendo artigos e vídeo para o site e canal do YouTube

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