Viceroy nega relações com o CTS Labs; teoria de manobra especulativa ganha força

Na semana passada o CTS Labs divulgou um conjunto de 13 vulnerabilidades identificadas pela empresa na plataforma de processadores da AMD baseados na microarquitetura Zen, o que inclui CPUs para servidores Epyc, modelos para consumidores domésticos Ryzen e também chips para notebooks. Enquanto a AMD segue investigando o caso e ainda não trouxe um relatório definitivo sobre as supostas falhas, muita especulação está se formando acerca do próprio CTS Labs, o relatório e também outra figura que se destacou no caso, o Viceroy Research.

O Viceroy Research se identifica como uma empresa financeira independente, e publicou um relatório em tom apocalíptico sobre a AMD e as vulnerabilidades existentes na plataforma Zen. Além do tom panfletário do documento, com direito a pérolas como "acreditamos que a AMD vale US$ 0.00 e não terá alternativa senão fazer um pedido de falência" ou "apenas um chip Ryzen pode comprometer toda uma rede de uma empresa", dúvidas acerca do relacionamento do CTS Labs e da Viceroy Research começam a ser levantadas.

O primeiro fato suspeito é o tempo de publicação: entre o relatório do CTS Labs e o do Viceroy Research há um intervalo inferior a 30 minutos. Mesmo possuindo apenas 25 páginas e todo o embasamento do documento do Viceroy Research é a pesquisa do CTS Labs, parece improvável que uma empresa do meio financeiro consiga avaliar uma questão técnica como a apresentada pela empresa de segurança com essa agilidade e gerar um relatório completo, independente do grau de aprofundamento e qualidade. Em entrevista para a Vice, Yaron Luk, co-fundador do CTS Labs, alegou que a Viceroy Research não é um dos clientes da empresa. "Nós somos uma empresa com fins lucrativos que tem suas pesquisas pagas por uma variedade de clientes", afirmou à publicação.

A principal teoria é de que o Viceroy Research tentou uma manobra especulativa chamada "venda a descoberto", ou em inglês, "short selling", que consiste em vender um ativo que não se possui e comprá-lo de volta logo após. Apesar de parecer insana, essa medida funciona caso haja uma queda no valor do ativo em curto prazo, já que o investidor compra de volta por um valor menor do que vendeu e através disso obtém lucro. Normalmente o ativo é emprestado ou alugado de um terceiro, que recebe uma pequena taxa pelo uso.

Com a ciência do escândalo do AMD Flaws, o Viceroy Research iria se aproveitar da instabilidade nos papéis da AMD para lucrar. E não houve mistério nesse aspecto: na mesma matéria da Vice, Fraser Perring, fundador da Viceroy, afirmou que vão vender todas as ações da AMD que possuem. "Onde uma companhia com esses sérios problemas irá? Não tem como investirmos nela", afirmou. Se esse era o plano, não parece ter dado certo, já que as ações da AMD sofreram pequenas variações no curto prazo, desde o anúncio do relatório.

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Enquanto não há uma posição definitiva por parte da AMD, especialistas se dividem entre rechaçar qualquer relevância nas descobertas do CTS Labs ou afirmar que há aspectos importantes apresentados. Ficaremos de olho nas repercussões e publicaremos novos conteúdos com a chegada de novos desdobramentos dessa história.

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  • Redator: Diego Kerber

    Diego Kerber

    Formado em Jornalismo pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), Diego Kerber é aficionado por tecnologia desde os oito anos, quando ganhou seu primeiro computador, um 486 DX2. Fã de jogos, especialmente os de estratégia, Diego atua no Adrenaline desde 2010 desenvolvendo artigos e vídeo para o site e canal do YouTube

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