Novo programa de parceria da Nvidia é acusado de práticas que ferem escolha dos consumidores

A Nvidia está preparando um novo programa com suas empresas parceiras que, de uma forma ou de outra, vai mexer com o mercado. O GeForce Partner Program (GPP) é uma nova iniciativa que, segundo a empresa, vai ajudar a alinhar a divulgação de suas GPUs voltadas para gamers com as fabricantes de versões customizadas e OEMs, trazendo uma maior "transparência" para o consumidor. Uma extensa reportagem de Kyle Bennet do HardOCP, no entanto, diz que não é bem assim que vai ser.

A história é um tanto longa, mas é importante uma leitura com atenção para evitar injustiças. Para garantir total transparência, inclusive, Bennet afirma que o primeiro a lhe dar a dica para procurar saber mais a respeito do GPP foi um representante da AMD, por interesses óbvios. Mas, ao começar sua apuração para a reportagem, os primeiros sintomas de possíveis problemas não demoraram a aparecer.

Antes de mais nada, confira abaixo a descrição da própria Nvidia, em seu blog, a respeito do programa:

"O GeForce Partner Program (Programa de Parceiros GeForce) foi criado para assegurar que os jogadores terão uma transparência total na plataforma de softwares e GPUs que lhe estão sendo vendidas, e que podem escolher com confiança os produtos que carregam a promessa da Nvidia GeForce.

"O GeForce Partner Program (Programa de Parceiros GeForce) foi criado para assegurar que os jogadores terão uma transparência total na plataforma de softwares e GPUs que lhe estão sendo vendidas, e que podem escolher com confiança os produtos que carregam a promessa da Nvidia GeForce.

Essa transparência só é possível quando as marcas da Nvidia e as marcas de suas parceiras são consistentes. Então o novo programa significa que estaremos promovendo nossas marcas parceiras do GPP através da internet, redes sociais, em eventos e mais. E as parceiras do GPP vão ter early access em nossas inovações e trabalhar de perto com nosso time de engenheiros para trazer as tecnologias mais novas aos jogadores."

Essa transparência só é possível quando as marcas da Nvidia e as marcas de suas parceiras são consistentes. Então o novo programa significa que estaremos promovendo nossas marcas parceiras do GPP através da internet, redes sociais, em eventos e mais. E as parceiras do GPP vão ter early access em nossas inovações e trabalhar de perto com nosso time de engenheiros para trazer as tecnologias mais novas aos jogadores."

Bennet afirma que o post no blog da Nvidia falando do GPP apareceu depois que eles começaram a questionar a empresa a respeito do programa. Enquanto tudo parece normal, o primeiro sinal de uma prática duvidosa apareceu quando, segundo o repórter, ele começou a contatar empresas para falar do GPP e nenhuma quis falar com ele oficialmente a respeito do programa. Bennet afirma que entrou em contato com 7 empresas para falar do GPP e nenhuma quis ser citada oficialmente falando do assunto.

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Bennet afirma que entrou em contato com 7 empresas para falar do GPP e nenhuma quis ser citada oficialmente falando do assunto

As entrevistas feitas pelo repórter foram então com fontes anônimas que trabalham com AIBs (parceiras que fazem versões das GPUs) e OEMs (fabricantes de produtos completos, como notebooks). E, segundo ele, o consenso é de que o GPP traz práticas monopolistas que vão ferir a capacidade de escolha dos consumidores e trazem termos que podem até mesmo ser ilegais.

O ponto principal de toda a polêmica viria de uma cláusula do contrato que obriga os parceiros do programa a alinharem suas marcas gamer exclusivamente com a GeForce. Isso significa que empresas como Asus e a Gigabyte só poderiam promover suas linhas ROG e Gaming G1 com as GeForce GTX, por exemplo. Essa prática entra em conflito com o trecho do post no blog oficial da Nvidia que diz que:

"O programa não é exclusivo. Parceiras continuarão a ter a habilidade de vender e promover produtos de qualquer um. As parceiras que escolhem participar do programa, e elas podem parar de participar a qualquer momento. Não há compromisso para fazer nenhum pagamento monetário ou desconto de produtos por ser parte do programa."

"O programa não é exclusivo. Parceiras continuarão a ter a habilidade de vender e promover produtos de qualquer um. As parceiras que escolhem participar do programa, e elas podem parar de participar a qualquer momento. Não há compromisso para fazer nenhum pagamento monetário ou desconto de produtos por ser parte do programa."

Mas, numa interpretação mais aberta do texto, pode ser entendido que as parceiras "terem a habilidade de promover produtos de qualquer um" significa promovê-los fora de suas marcas especificamente alinhadas para gamers. Agora é só imaginar o tamanho do marketing que a Asus faz para sua linha ROG e imaginar que as placas Radeon teriam que ficar de fora disso.

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Bennet diz que essa exclusividade não é apenas algo que relataram, ele afirma ter visto essa cláusula escrita com todas as letras num documento. E as empresas que não quiserem se alinhar vão ficar de fora dos seguintes benefícios promovidos pelo GPP:

- Engajamentos de engenharia
- Engajamentos antecipados de tecnologia
- Status de parceiras de lançamento
- Bundle com jogos
- Suporte em redes sociais e RP
- Relatórios de marketing
- Fundos de desenvolvimento de marketing

Além dos recursos promovidos pelos documentos do programa, os parceiros teriam relatado a Bennet também uma preocupação de ficarem para trás na fila para receber GPUs se não aderirem ao GPP. Isso não é mencionado em contrato, mas é o tipo de pressão que as fontes que conversaram com o repórter sentiram vindo das reuniões sobre o assunto.

O HardOCP diz ter 20 anos cobrindo o segmento de tecnologia e hardware e afirma estar preparado para um possível rompimento com a Nvidia depois de sua extensa reportagem. Eles entraram em contato com a empresa a respeito de suas preocupações antes da publicação do artigo, mas não tiveram resposta. Jason Evangelho, da Forbes, noticiou também a reportagem de Bennet e tentou ele mesmo contato com a Nvidia, tendo mais sorte, mas nem tanto. Para a Forbes a empresa respondeu, mas apenas os encaminhou para o post publicado no blog destacando o trecho em que o texto diz que o GPP não é exclusivo.

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Via: Forbes Fonte: HardOCP
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  • Redator: João Gabriel Nogueira

    João Gabriel Nogueira

    João Gabriel Nogueira se formou em jornalismo pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) em 2015 e curte games desde muito antes. Começou com o Master System e o gosto pelos jogos eletrônicos trouxe o gosto pela tecnologia. Escrever notícias e análises de jogos, hardware e dispositivos móveis para o Adrenaline, além de trabalho é uma alegria e um aprendizado.

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