Facebook e Google ajudaram em direcionamento de vídeos anti-islâmicos de campanha eleitoral

O Facebook e a Google colaboraram diretamente com a firma de publicidade Harris Media no direcionamento de propagandas anti-islamismo em redes sociais e em alguns sites na internet.

A colaboração das gigantescas empresas não se deu apenas através de algoritmos ou algo do tipo. A Harris Media, que estava trabalhando na campanha eleitoral de 2016 nos EUA, contou com assistência direta de funcionários da Google e do Facebook.

As propagandas apareceram nas redes sociais de eleitores de estados onde os resultados das votações ainda eram incertos, como Nevada e Carolina do Norte.

Um dos comerciais é uma sátira de vídeos de turismo que mostra um suposto "Estado Islâmico da França". Ele mostra a Torre Eiffel com a estrela e a lua crescente — que durante os tempos recentes foi erroneamente associado como símbolo do islamismo — assim como a Mona Lisa de burka e crianças sendo treinadas para se tornarem homens-bomba.

Este conteúdo deixou funcionários da firma Harris Media bastante desconfortáveis. "Ele foi projetado para colocar medo nos corações das pessoas", explica um dos ex-funcionários da empresa de propaganda.

- Continua após a publicidade -

Não se sabe até que ponto os funcionários de Google e Facebook colaboraram com essas campanhas. De acordo com o diretor da parte digital da campanha de Donald Trump, ele possuía empregados do Facebook como "trabalhadores incorporados" durante o processo eleitoral. Ele escolheu apenas Republicanos para a tarefa. Segundo representantes da rede social, foram oferecidos serviços-padrão para a campanha.

Além destes comerciais, a Harris Media foi contratada pelo grupo Secure America Now para criar propagandas com links que fazem ligações falsas entre candidatos democratas e terroristas.

De acordo com 2 pessoas que trabalharam nesta campanha, em alguns casos as propagandas eram altamente direcionadas para grupos específicos de pessoas que seriam mais fáceis de influenciar com a mensagem anti-refugiados. Um exemplo são os hispânicos de Nevada.

No final das contas, as propagandas foram visualizadas milhões de vezes no Facebook e no Google. Os funcionários da rede social até usaram a chance para testar novas tecnologias. Numa campanha da Secure America Now, por exemplo, eles tentaram usar vídeos filmados na vertical, com o objetivo de ver como seria a recepção dos usuários ao formato.

- Continua após a publicidade -

A Google acabou removendo ou bloqueando uma série de propagandas da Secure America Now por violarem as políticas da empresa.

Via: Engadget Fonte: Bloomberg
Tags
  • Redator: Carlos Felipe Estrella

    Carlos Felipe Estrella

    Apaixonado por games desde os 6 anos de idade, quando ganhou um Playstation 1. Em 2005 migrou para o PC, e aí começou a se interessar por tecnologia. Formado jornalismo na Universidade Federal de Santa Catarina.

O que você achou deste conteúdo? Deixe seu comentário abaixo e interaja com nossa equipe. Caso queira sugerir alguma pauta, entre em contato através deste formulário.