HP promete nova memória muito mais expansível

Com a constante corrida pela redução do tamanho dos microchips e transistores, a evolução do hardware começa a esbarrar em limites físicos. Mas calma, os processadores vão continuar a ficar mais rÁpidos e as memórias vão continuar a ficar maiores - pelo menos se depender de um estudo que estÁ sendo feito pela HP, registrado pelo New York Times.

Johnny Mnemonic, personagem de Keanu Reeves em 1995, carregava (só) 80GB em um chip implantado no cérebro

A Hewlett-Packard estÁ trabalhando no que estão chamando de "resistores de memória" (ou "memristors", em inglês), que seriam substitutos aos atuais transistores, porém menores, mais rÁpidos, podendo armazenar informações mesmo sem a presença de energia elétrica e servindo tanto para armazenar arquivos quanto para processar dados.

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A intenção da HP é lançar a tecnologia no mercado em três anos, com um dispositivo que possa armazenar 20GB no espaço de 1cm². As pesquisas estão chegando a um estÁgio em que serÁ possível agrupar uma série desses resistores de forma a tornar possível a criação de dispositivos que irão substituir a memória flash, como uma alternativa rÁpida de transmissão de dados utilizada na maioria dos aparelhos portÁteis atuais.

A tecnologia dos resistores de memória não é exatamente nova. Ela foi concebida pelo engenheiro elétrico Leon O. Chua em 1971, mas praticamente abandonada desde então. Os estudos voltaram a ser patrocinados pela HP em 2008, e a equipe trabalha entusiasmada com os resultados, dando até ares de ficção científica em seus comentÁrios.

"Nossos cérebros são feitos de resistores de memória, e agora temos o que é preciso para construir verdadeiros cérebros", diz Leon Chua, fazendo uma analogia às ligações diferenciadas da nova tecnologia com as sinapses - ligações nervosas que transmitem informações no cérebro humano.

E de fato ele tem lÁ sua razão em ficar empolgado, jÁ que os resistores de memória parecem ter um grande potencial para continuar evoluindo. "Essa tecnologia tem a capacidade de continuar sendo reduzida por um longo período, e isso é uma grande coisa", diz o físico Stan Williams, que também trabalha no projeto.

A estimativa de Stan se justifica em dados apresentados pela HP: A empresa estÁ trabalhando em um protótipo de resistor de memória medindo 3 nanômetros, capaz de ser ligado e desligado em cerca de um nanossegundo (equivalente a um segundo dividido em um bilhão).

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Para fins de comparação, o repórter do New York Times ilustra o fato lembrando que o menor transistor atualmente utilizado mede cerca de 30 nanômetros, e um vírus biológico mede cerca de 100 nanômetros. O ato de ligar e desligar os resistores é o que possibilita a tramissão de dados em seu interior.

Por algum motivo, lembrei-me agora do disquetes de 1.44 MB, de quando achÁvamos que aquilo era grande coisa. E pensar que a ficção científica de uma década atrÁs previa quantidades enormes de dados como 80 GB, que hoje é considerado o tamanho de um disco rígido pequeno, mas em 1995 era uma quantidade absurda de informação carregada por um implante cerebral no personagem Johnny Mnemonic.

Unindo essa pesquisa da HP a uma certa pesquisa da Intel, o que serÁ que o futuro nos reserva?

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  • Redator: Mauro J. Barreto

    Mauro J. Barreto

    Formado em Jornalismo pela Universidade do Sul de Santa Catarina (UNISUL) em 2008, Mauro Barreto trabalha na redação da Adrenaline, em Florianópolis, desenvolvendo pautas, produzindo artigos, entrevistas e atualizando o site com notícias sobre os segmentos em que a Adrenaline atua. Também assina a coluna "Mundo Tech", onde comenta sobre assuntos relevantes do mercado de Games e Tecnologia. Até hoje é viciado em Street Fighter II e não troca seu iPod por nada.

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