EUA teme que Rússia corte internet mundial ao aproximar navios dos cabos submarinos

Navios e submarinos de espionagem russos estão muito próximos dos cabos de fibra óptica que transmitem quase todas as comunicações de internet do mundo e isso tem preocupado as autoridades militares e de inteligência dos Estados Unidos. O receio é que o governo de Vladimir Putin planeje atacar esses cabos caso ocorram conflitos e tensões mais sérias envolvendo o país - principalmente com os Estados Unidos. Eles dizem que perceberam um aumento de 50% na patrulha naval russa durante o último ano.

Por enquanto não há evidências de que algum cabo tenha sido danificado, mas os Estados Unidos monitoram a situação com atenção preocupados com a atividade acelerada das forças armadas russas que já se instalaram em lugares como a Crimeia, Ucrânia e Síria. Sem falar no ressentimento histórico que remete à Guerra Fria, quando a relação entre os Estados Unidos e a, ainda, União Soviética já não era muito amistosa. Um diplomata europeu confirmou que o nível de atividade é comparável ao que vimos na época.

De acordo com o The New York Times, o assunto não é discutido publicamente dentro do Pentágono e das agências de espionagem americanas e eles não revelam o que estão fazendo para monitorar a atividade russa e para descobrir uma forma de recuperar os cabos rapidamente caso eles sejam cortados. Mais de uma dúzia de oficiais teriam confirmado ao NYT que o assunto tem ganhado bastante atenção no Pentágono.

Um diplomata europeu disse que o nível de atividade é comparável ao que vimos na Guerra Fria

Comandantes e oficiais de inteligência do país disseram à publicação que o monitoramento do Mar do Norte até o Nordeste da Ásia e da costa americana aumentou significativamente nos trechos por onde passam os cabos. No mês passado, o navio espião russo Yantar passou lentamente pela costa leste dos Estados Unidos a caminho de Cuba onde está um dos maiores cabos. Ele foi monitorado constantemente por satélites, navios e aviões americanos. Oficiais da Marinha disseram que o navio e os veículos submersíveis que ele carregava tinham a capacidade de cortar quilômetros de cabos.

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A Noruega, um dos países aliados da Organização do Tratado do Atlântico Norte, também mostrou estar preocupada e pediu aos países vizinhos que monitorem a atividade russa.

Michael Sechrist, ex-gerente de um projeto de pesquisa da Harvard-M.I.T financiado em partes pelo Departamento de Defesa dos Estados Unidos, disse que qualquer país poderia causar danos ao sistema, sem precisar de um navio de guerra equipado para isso. Ele ressalta, ainda, que os "cabos são cortados o tempo todo por âncoras ou desastres naturais", mas que a maioria desses danos ocorre em áreas de fácil acesso onde a reparação pode ser feita rapidamente. O que preocupa os Estados Unidos é que a Rússia procure por um local onde os cabos estejam em profundidades muito maiores, difíceis de serem monitorados, encontrados e reparados.

Os dados transmitidos por esses cabos correspondem a mais de US$10 trilhões em operações financeiras diariamente. Qualquer dano significativo interromperia o fluxo de capital. Essa infraestrutura também é responsável por mais de 95% das comunicações diárias. Sem falar na quantidade de informações sigilosas das agências militares e de inteligência americana que eles carregam. Abaixo, uma animação bem legal que mostra a ligação entre os países através dos cabos.


O governo russo não comentou o assunto.

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{via}The New York Times|http://www.nytimes.com/2015/10/26/world/europe/russian-presence-near-undersea-cables-concerns-us.html?_r=0{/via} 

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  • Redator: José Hüntemann

    José Hüntemann

    Jornalista formado pela Universidade Federal de Santa Catarina, é fascinado por inovações tecnológicas. Gosta de internet, redes sociais, mobiles e futuro dos vestíveis. Mas o que mais lhe impressiona é a tecnologia que busca melhorar a vida das pessoas e não serve apenas como mero acessório. Nos games, é um zero à esquerda, mas está no pódio no campeonato de Just Dance da redação.

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