Criador do Popcorn Time: "o dia que acabarem com as travas por região, acabam com o Popcorn Time"

O site norueguês dn.no publicou uma entrevista com Gederico Abad, criador do popular de serviço de streaming de filmes Popcorn Time. O argentino, hoje com 29 anos, contou sobre a origem do aplicativo, resultado da frustração com a disponibilidade de filmes em seu país, e também de seu processo de criação, usando a própria mãe como referência na simplicidade da interface.

Eu queria ver um filme, mas não conseguia. O que eu ia fazer? Eu só queria resolver um problema.

- Gederico Abad


Abad contou que a disponibilidade de filmes nos cinemas era péssima, com títulos chegando até um ano após seu lançamento internacional. Por conta das conexões com internet muito lentas, assistir um filme era algo que envolvia planejamento. "Se você sai com uma garota, você não pode dizer 'vamos ver um filme?'. Você precisa ir atrás um dia antes, combinando qual vocês vão ver e baixando antecipadamente."

O Popcorn Time funciona como um centralizador de filmes e shows, utilizando redes peer-to-peer para realizar o streaming dos conteúdos. Seu ponto alto é uma organização mais eficiente dos vídeos disponíveis, uma evolução importante sobre os sites caóticos de torrent tradicionais. A seleção e organização dos conteúdos é feita através de um grupo de voluntários e moderadores, trazendo os programas e shows em uma interface que rivaliza com serviços pagos. Para criar essa interface, Abad se inspirou em casa, utilizando sua própria mãe como parâmetro. "Ela é meu estudo de caso. Se ela não conseguir usar, ninguém vai. Toda a ideia é que você seja capaz de assistir algo com apenas dois cliques", explica o argentino.

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A polêmica
Diferente de outros serviços como Hulu e Netflix, o streaming feito através do Popcorn Time não paga licença de copyright, operando em um modelo ilegal semelhante ao uso de torrents. Através desse software, ficou muito mais fácil o acesso a conteúdos sem direitos autorais na internet, tornando possível até mesmo para alguém sem experiência buscar e encontrar séries. Naturalmente, isso fez com que o Popcorn Time se tornasse um dos maiores problemas para a indústria do entretenimento. O próprio Netflix já aponta o serviço ilegal como um de seus maiores rivais.

Após indícios que sofreria com problemas legais em decorrência de seu programa, Abad não faz mais parte da equipe de desenvolvimento do Popcorn Time, sendo que o projeto é opensource e já possui duas variantes: a popcorntime.io e popcorn-time.se.

O que separa o Popcorn Time do Netflix é o limite de região. Os produtores deveriam remover as restrições por país. [..] Assim que fizerem, eles conseguirão matar o Popcorn Time, de uma ver por todas

 

Para Abad, o surgimento de sua alternativa ilegal para os conteúdos tem muito mais a ver com a indisponibilidade de conteúdos do que necessariamente a gratuidade. A impossibilidade de consumir um filme, as restrições por países ou até mesmo limitações em quais os dispositivos onde podem ser vistos os shows são o grande motivo que tornam sua alternativa ilegal tão atrativa.

As travas por região existem por decorrência do modelo de negócio que é hegemônico na indústria do entretenimento. Cada show, filme ou série tem seus direitos de distribuição negociados localmente, o que causa a diferença da disponibilidade. Não havendo ninguém interessado em pagar os direitos para distribuir o conteúdo em um determinado país, ele acaba nunca sendo lançado oficialmente ou, em muitos casos, com um grande atraso comparado ao lançamento inicial. Essa forma é utilizada por ser mais rentável que um único acordo de distribuição global.

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A entrevista completa está disponível nesse link. Está em norueguês, então um domínio da língua ou uma ajudinha do Google Translate é altamente recomendado.

{via}The Verge|http://www.theverge.com/2015/9/10/9300083/popcorn-time-creator-sebastian-frederico-abad{/via}

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  • Redator: Diego Kerber

    Diego Kerber

    Formado em Jornalismo pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), Diego Kerber é aficionado por tecnologia desde os oito anos, quando ganhou seu primeiro computador, um 486 DX2. Fã de jogos, especialmente os de estratégia, Diego atua no Adrenaline desde 2010 desenvolvendo artigos e vídeo para o site e canal do YouTube

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