GamesCom 2015: Dark Souls III capricha nos labirintos e no desafio, mas peca nos gráficos

 

A GamesCom é a maior feira europeia de jogos eletrônicos. Nesta edição 2015 do evento, tive a oportunidade de jogar "Dark Souls III", a sequência de uma das mais cultuadas séries de RPG dos últimos tempos. Em cerca de 20 minutos de experiência, a certeza era uma só: quem já gostava da fórmula vencedora da produtora From Software, terá diversão garantida por meses com labirintos complexos e dificuldade bem acima da média.  

O jogo começa numa ruína aberta. Destruição para tudo quanto é lado, estruturas derrubadas e alguns caminhos aleatórios para escolher. O jogo mostra alguns vários comandos de jogabilidade, mas tem um problema: tudo está em alemão. Só me resta lembrar dos comandos dos outros dois jogos da série, além de tentar não confundir os controles com o recente "Bloodborne", o irmão espiritual da franquia. Mas sem crise: quem jogou "Dark Souls"anteriormente, em nada vai se confundir com a jogabilidade de "Dark Souls III".

"Dark Souls III" foi jogado na versão de PC e com o controle do Xbox 360. Os principais comandos estão nos gatilhos superiores do controle, que ativam ataques físicos do tipo fraco (RB), um outro forte (RT) e um terceiro ataque carregado (LT) que só funciona se for combinado com algum dos outros dois tipos de golpes já citados. A defesa com escudo também se localiza na porção superior (LB). O rolamento lateral, que também serve de esquiva, está no botão B do controle. O botão X usava o item de cura. Ou seja, nada de muito diferente do que já foi visto antes. 

Alta dificuldade = estratégia constante 

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Durante os combates, vale a mesma estratégia de sempre: se for afobado, não vai chegar a lugar algum. Além de saber dosar os movimentos e os ataques do personagens, pois consomem uma barra de stamina, é sempre melhor esperar a oportunidade perfeita de atacar os oponentes, estudar seus padrões de movimentação e tentar localizar seus pontos mais fracos, quando existirem. É nessa hora que o dominío sobre os controles faz toda a diferença, uma vez que os labirintos insistem em surpreender o jogador com inimigos milimetricamente posicionados em locais pouco prováveis, seja em partes mais escuras, atrás de caixotes quebráveis ou alguns degraus abaixo da sua posição. Em outras palavras, você é um intruso naquele mundo e logo se torna presa fácil.


Dragões = armadilhas vivas

E sabe que logo também vai morrer. Uma. Duas. Centenas de vezes. No meu caso, foram três vezes no tempo já descrito. Todo confiante por ter passado por alguns oponentes mais simples e acessado algumas áreas mais internas do cenário, cheguei a uma área superior mais aberta através de algumas escadas e, de repente, todo o cenário ao meu redor começa a pegar fogo, sem mais nem menos. Eu nem tinha percebido, mas um dragão gigantesco estava à minha espera às minhas costas, posicionado apelas numa plataforma um pouco mais alta. E eu só fui sacar mesmo o que tinha acontecido quando, pouco antes de ser torrado pelo bichano, girei rapidamente a câmera e visualizei a fera e seu posicionamento. A primeira lição havia sido aprendida. Pelo menos eu pensava que sim.

Voltando ao checkpoint, refiz um caminho alternativo e, depois de abater mais alguns inimigos comuns e passar por uma área mais fechada, sai de volta na mesma área do temido dragão, mas agora num nível inferior a ele. Certo de que nada aconteceria, segui por uma pequeno corredor mais estreito e parcialmente protegido por paredes e adivinha? O maldito dragão apenas mudou sua observação para o lado e soltou todo o seu fogo poderoso no meu pobre Knight, que foi completamente consumido pelas chamas. Na segunda ressurreição, repeti o processo e cheguei ao mesmo corredor estreito, que antes já estava populado com alguns inimigos. Mas em vez de agora ir direto ao combate, apenas ameacei e logo o fogo do temido dragão dizimou a trupe, enquanto eu esperava numa área ao redor protegido por uma coluna.

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Assim que chama dissipou, passei em alta velocidade e, enfim, cheguei a uma área aberta superior, para além do alcance do dragão, que tinha uma vista deslumbrante para o horizonte, mostrando estruturas bem encaixadas ao longe e diversos cenários potencialmente exploráveis (talvez só na versão final do jogo mesmo). Neste breve momento de calmaria e na admiração do visual, algo fulminante ataca meu guerreiro e descubro ser um guardião armado com uma longa lança e protegido com uma armadura bastante sólida, além de um escudo de metal que resiste a qualquer tipo de ataque, inclusive ao carregado combinado com o golpe forte. Foram três esquivas e um acerto para mim, contra três dele e a minha terceira morte estava contabilizada. Bem a tempo do fiscal do estande da bandai Namco me interromper e dizer algo em alemão simbolizando que meu tempo havia também acabado ali. 


Gráficos apenas comuns 

Agora outro detalhe que não pude deixar de perceber. Se tem algo em "Dark Souls III" que não vai agradar aos jogadores mais exigentes com questões técnicas são os gráficos. Da mesma forma como acontece nos outros jogos da franquia, o visual não está nos moldes dos jogos mais modernos. É claro que ainda faltam pelo menos uns 8 meses antes do lançamento, mas o aspecto geral dos gráficos não alcança um padrão que se diga que estamos numa nova era dos jogos eletrônicos. 

Mas todo esse problema aparente passa a ser quase que insignificante quando, em 5 meros minutos de gameplay, a ambientação transmite uma sensação opressora que mistura insegurança constante com a incerteza do próximo passo, drenando toda a sua confiança durante a experiência. Exatamente o mesmo tipo de sentimento vivenciado nos outros games da From Software e o que se espera de um legítimo "Dark Souls". E é exatamente isso o que os fãs querem dos títulos da franquia. Resumidamente: um prato cheio para quem gosta de dificuldade alta, mas que recompensa pela organização precisa da jogabilidade ao testar o jogador com labirintos desafiadores, armadilhas bem posicionadas e combates estratégicos que prezam pela paciência, não pelo pressa.  

"Dark Souls III" será lançado no começo de 2016 para PC, Playstation 4 e Xbox One

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  • Redator: Andrei Longen

    Andrei Longen

    Jornalista pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), Andrei Longen é entusiasta por videogames desde os 7 anos, quando ganhou um Odyssey 2, seu primeiro console. Hoje tem PS4, PS3 e PS Vita e adora caçar troféus em todos os jogos. Colabora no Adrenaline com notícias, análises, artigos, colunas e vídeos.

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