PS Experience: Project Morpheus é realidade virtual imersiva que pode revolucionar os games

O Project Morpheus, a tecnologia de realidade virtual da Sony para os jogos do Playstation 4, também foi um dos destaques da empresa no Playstation Experience. Muito procurado por todos os visitantes, o acessório tinha 8 jogos diferentes disponíveis para teste. Desses, tive acesso a dois deles: "War Thunder" e "Deep Sea". Abaixo, você confere as impressões da tecnologia e dos games.  


ConfortÁvel e elegante

A primeira coisa que chama a atenção no Project Morpheus é o design do acessório: futurista e bonito, sem nada que seja grosseiramente bizarro ou propositalmente feito para impressionar ou aparentar mais do que ele realmente é ou consegue fazer. O encaixe na cabeça e dos visores nos olhos é bastante confortÁvel e o conjunto inteiro pesa adequadamente à proposta. Tudo nele é ajustÁvel e parece funcionar perfeitamente com qualquer tamanho de cabeça, testa e profundidade dos glóbulos dos olhos do usuÁrio. Conforto é a palavra-chave aqui. 


War Thunder

Esse foi o primeiro jogo que testei. Foi cerca de 5 minutos de teste, algo bem rÁpido mesmo. "War Thunder" é um jogo de combate entre aviões jÁ lançado para PS4 e recentemente adaptado ao Project Morpheus. Depois de vestir o acessório, ainda fui guiado a manejar um pedal, que servia como o acelerador do avião, e a segurar um joystick que controlava a direção de rotação dele. Meu objetivo era apenas seguir alguns pontos de fumaça espalhados pelo cenÁrio. Se algum outro avião surgisse no meu cainho, podia atirar neles apertando um gatilho posicionado no controlador.

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Levou um tempo para me ajustar à sensibilidade dos comandos. Mas uma vez familiarizado, não pude deixar de sentir a ótima sensação de liberdade de estar inserido dentro uma proposta que comumente só vemos em primeira pessoa de uma forma bem restrita, apenas olhando para frente. A realidade virtual permite o giro completo de 360º em todas as direções e você realmente se sente o piloto da aeronave, precisando olhar especificamente na direção do objetivo, dependendo da sua posição e inclinação da cabeça, para saber onde ir e o que fazer.

A ideia é bem interessante e demonstra potencial, mas claramente precisa de ajustes. Por exemplo, a jogabilidade é muito passiva e você mal interage com elementos do cenÁrio, precisando apenas seguir com o avião os pontos marcados no mapa; isto é, se você conseguir alcançÁ-los e não bater com o a aeronave nas montanhas ou falhar por não mantê-la com o bico ajustado em linha reta ou para cima. Além disso, nenhum dos outros aviões, aparentemente meus inimigos, me atacaram, provando que o teste eram apenas uma demonstração mais amigÁvel do que de fato desafiadora.    


The Deep 

JÁ "The Deep", o segundo jogo que testei e que jÁ foi amplamente divulgado como um dos games precursores do Project Morpheus, é um excelente exemplo do que a tecnologia de realidade virtual pode vir a significar de mais importante e inovador no mundo dos games dentro dos próximos anos. Tudo porque a imersão causada pela demonstração, que em cerca de 10 minutos de duração me fez sentir muito mais inserido no rÁpido gameplay do que muito jogo candidato a GOTY por aí, realmente me deixou impressionado pelo grande potencial que demonstra ter e, quem sabe, representar o sucesso e a revolução que muitos querem ver na indústria dos jogos eletrônicos.

Na demo, assumimos o controle de um mergulhador em alto mar que estÁ cercado por uma jaula de proteção para evitar contato direto com animais selvagens marinhos, como um tubarão. Com os movimentos da cabeça, temos acesso a um ângulo de 360º livre, em todas as direções dos cenÁrios, permitindo ver muitos detalhes da vegetação e parte da vida marinhas. O mergulhador ainda carrega uma espécie de arma subaquÁtica que é acionada com R2, que serve mais para afastar os perigos da jaula. É na hora que aparece um tubarão branco que a coisa fica tensa. Seu objetivo aqui é tentar afastar o bicho esfomeado para longe e sobreviver pelo mÁximo de tempo até ser içado de volta ao seu barco.

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Só que nem tudo dÁ certo: o tubarão vai e volta pelas profundezas e aparece em locais bem improvÁveis, surpreendendo a todo momento e causando uma combinação de sensações de insegurança, medo e de impotência. Sustos nessas horas são inevitÁveis. E quanto mais você falha em acertar os tiros, mais o tubarão insiste em atacar a jaula e vai destruindo sua estrutura, deixando você cada vez mais suscetível a se tornar uma presa fÁcil, prestes a ser devorada. A ação é bem realista e os movimentos da jaula, que expõe cada vez mais a isca do animal (você), gera um desconforto tremendo, pois a sua frente fica exposta para o abismo e, automaticamente, você começa a dar passos para trÁs para tentar fugir da queda mortal.

Desesperado, procurei algum recurso nas laterais, mexendo os braços para me segurar na jaula virtual e não me desequilibrar pelo balanço tonteante dela - sem sucesso. Mas, por sorte, acertei dois tiros finais para espantar meu caçador e emergi de volta ao meu destino. A agonia que senti, fomentada pela vulnerabilidade e pela sensação de perigo constante, foi intensa, algo verdadeiramente inédito entre tudo o que jÁ testei com games. Estou bastante curioso e empolgado com o que pode vir no futuro, especialmente se a tecnologia do Project Morpheus for incorporada de forma inteligente e agradÁvel às melhores experiências em mundo aberto que temos hoje, como as séries "Grand Theft Auto" e "Far Cry".


Questões da tecnologia 

Tirando toda essa parte legal, empolgante e revolucionÁria, dois únicos receios me vieram à cabeça assim que terminei os dois testes. Primeiro: quanto serÁ que o Project Morpheus vai custar? O acessório é apenas um protótipo e tem uma tecnologia bastante afrente do seu tempo, que pode realmente ser um divisor de Águas nos games. Por isso não deve ser muito barato e possivelmente acessível para apenas uma pequena parcela dos jogadores. Ainda, "War Thunder" tinha um pedal e um joystick de simulador, o que abre dúvidas sobre mais acessórios vendidos separadamente ou vendidos em conjunto com kits específicos do Project Morpheus, gerando ainda mais gastos aos consumidores. 

Segundo: serÁ que não é muito tempo e dinheiro investido para algo que ainda estÁ fora da realidade dos jogadores tradicionais? Sem desmerecer o projeto e eu sei que a evolução da tecnologia é natural e pode causar estranhezas pelo impossível se tornar realidade, mas serÁ que é isso que nós, que gostamos de apenas sentar no sofÁ, apertar botões e simplesmente jogar, realmente queremos? Digo isso porque sempre lembro da tecnologia 3D, a grande sacada dos games lÁ em 2010. A própria Sony era a expoente entre os consoles nessa vertente e, dois anos mais tarde, contudo, jÁ nem se falava mais nela e, na real, pouca gente realmente liga para isso hoje dia e sequer vê a necessidade disso na experiência de jogar - eu sou um destes. Seria esta mais uma tendência que não vai se tornar essencial e logo serÁ deixada de lado?

O que vocês acham, galera? 

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  • Redator: Andrei Longen

    Andrei Longen

    Jornalista pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), Andrei Longen é entusiasta por videogames desde os 7 anos, quando ganhou um Odyssey 2, seu primeiro console. Hoje tem PS4, PS3 e PS Vita e adora caçar troféus em todos os jogos. Colabora no Adrenaline com notícias, análises, artigos, colunas e vídeos.

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