Governo da Turquia bloqueia acesso ao Twitter no país, mas turcos não se calam

O Twitter foi bloqueado na Turquia pela direção de telecomunicações depois de o primeiro-ministro turco, Recep Erdogan, dizer em um comício eleitoral que pretendia "erradicar" o microblog do país. Na noite da última quinta-feira, por volta das 19h aqui no Brasil, alguns usuÁrios avisaram na própria rede social que ela havia sido banida através da hashtag #TwitterisblockedinTurkey.


Se a intenção era calar os turcos, os planos não funcionaram muito bem. Depois do bloqueio, a companhia Sysomos detectou o envio de mais de 1,2 milhão de tweets vindos de contas do país. As postagens foram feitas via SMS (o próprio Twitter informou os números que eles poderiam usar para enviar as mensagens), DNS, VPN e pelo navegador anônimo Tor. Apenas o twitter.com foi bloqueado. Nos últimos sete dias, os tweets mencionando "Turquia" e "Twitter" na mesma mensagem cresceram de 200 para até 80.000 por dia.

Embora as acusações caiam sobre Erdogan, o site oficial da direção de telecomunicações diz que o Twitter foi bloqueado por ordem do Ministério Público de Istambul, capital turca. À BBC, o governo do país informou que a rede social teria desobedecido ordens judiciais para a exclusão de alguns links e por isso pediu que ela fosse banida.

HÁ três semanas, foi divulgada no twitter uma suposta conversa entre Erdogan e membros do seu círculo. Nela, eles combinavam a transferência de grandes quantias de dinheiro, o trÁfico de influência e a interferência em decisões judiciais. Desde então, o primeiro-ministro vem sendo alvo de denúncias por suspeita de corrupção. Na tarde de ontem, ele disse que seu governo "arrancaria" o microblog "e as outras redes sociais pela raiz. Não importa o que a comunidade internacional possa dizer".

O presidente da Turquia, Abdullah Gul, protestou contra o bloqueio feito pelo governo do primeiro-ministro. "Não podemos aprovar um bloqueio total de uma plataforma de redes sociais (...) Espero que esta situação não dure por muito tempo." Com informações do Mashable, Engadget, G1 e Veja.

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  • Redator: José Hüntemann

    José Hüntemann

    Jornalista formado pela Universidade Federal de Santa Catarina, é fascinado por inovações tecnológicas. Gosta de internet, redes sociais, mobiles e futuro dos vestíveis. Mas o que mais lhe impressiona é a tecnologia que busca melhorar a vida das pessoas e não serve apenas como mero acessório. Nos games, é um zero à esquerda, mas está no pódio no campeonato de Just Dance da redação.

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