Preocupação com cibercrimes gera demanda por seguros e uma nova legislação

O número crescente de crimes virtuais e, no caso específico do Brasil, a falta de uma legislação adequada que dê conta de punir os criminosos, criou uma demanda para diversos setores. Um exemplo é o das seguradoras, que precisam garantir às empresas, como os grandes bancos, por exemplo, que poderão ressarcir prejuízos e dar assistência a clientes prejudicados.

"O ponto inicial para obter sucesso é conhecer as dependências e os processos de TI e infraestrutura digital para mapear os riscos dos clientes", afirma José Fidalgo, consultor sênior de riscos da divisão Risk Consulting Liability da Allianz Global Corporate & Specialty (AGCS), na Alemanha.

Durante o Fórum Internacional para Jornalistas da Alliance, que ocorreu nesta quinta-feira (20/09) em São Paulo, Fidalgo explicou que só após conhecer os riscos de exposição a esse tipo de ameaça é que se pode classificar a possibilidade de sofrer ataques. 


Conforme o especialista, outro desafio é o de mensurar o valor das informações digitais. Só no Brasil, por exemplo, as pessoas estimam que todos os seus arquivos valem em média R$238 mil, segundo um estudo encomendado pela McAfee. Os dispositivos móveis tornaram o acesso à Internet e o armazenamento de uma série de dados pessoais e credenciais de acesso muito mais prÁticos. Mas, por enquanto, as seguradoras brasileiras ainda não cobrem prejuízos recorrentes de roubo de informações: apenas danos físicos ou perda do aparelho.

Só uma olhadinha
É importante que a legislação brasileira consiga punir criminosos virtuais. Rony Vainzof, advogado especialista em Direito Eletrônico, calcula que 95% dos crimes que ocorrem em ambiente digital no país jÁ encontram amparo na legislação, porque são como delitos comuns, que apenas ocorrem em outro meio. 

Durante o evento, Vainzof lembrou, porém, que existem dois casos específicos que ainda carecem de solução: a disseminação de malware e a invasão de um sistema sem causar danos aos arquivos. "Se alguém entra na sua casa e dÁ só uma olhada, sem mexer em nada, isso é crime. Mas se uma pessoa invade seu computador e dÁ a mesma espiadinha, não é crime", explicou. 

Se pessoas comuns têm arquivos extremamente valiosos armazenados em seus dispositivos, o risco é ainda maior para grandes empresas, especialmente aquelas que oferecem serviços críticos à população, como fornecedoras de energia e Água. Ainda não hÁ dados específicos para o Brasil, mas se tomarmos o exemplo de Israel, onde essas estruturas sofrem cerca de mil ataques por minuto, o cenÁrio torna-se preocupante. 

Para o advogado, ampliar penas e reforçar o aparato de investigação policial envolvendo crimes digitais são formas eficientes e complementares de reduzir futuros danos a empresas e usuÁrios da internet. "Precisamos incluir invasão de privacidade virtual e disseminação de código malicioso na legislação", acrescenta.

Computação em nuvem
A oferta de serviços na nuvem, uma tendência em crescimento no mundo inteiro, também gera preocupações. A principal delas é justamente a legislação. Isso porque o usuÁrio, aqui no Brasil, pode usar serviços de um servidor que estÁ localizado em outro país, com leis totalmente diferentes.

"Se o contrato não especificar em quais termos a lei vai se cumprir, é melhor não assinÁ-lo", recomenda Vainzof. 

Ao menos, no caso dos bancos brasileiros, os clientes têm a garantia de que terão seus prejuízos recuperados, caso sejam vítimas de fraude. A não ser que seja comprovado que a culpa foi exclusiva da vítima. Ou seja, apenas em casos muito extremos, como se ela entregar deliberadamente suas credenciais de acesso para terceiros.
Assuntos
Tags
  • Redator: Risa Lemos Stoider

    Risa Lemos Stoider

    Formada em Jornalismo pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) e gamemaníaca desde os 4 anos de idade. Já experimentou consoles de várias gerações e atualmente mantém uma ainda modesta coleção. Aliando a prática jornalística com a paixão pela tecnologia e os games, colabora com a Adrenaline publicando notícias e artigos.

Deve ter lançamentos como leve melhorias na mesma arquitetura

O que você achou deste conteúdo? Deixe seu comentário abaixo e interaja com nossa equipe. Caso queira sugerir alguma pauta, entre em contato através deste formulário.