AMD aposta no processamento por GPU e na morte dos cabos

Utilizar o poder das placas de vídeo para auxiliar o processamento das atividades no computador é uma tendência muito defendida pela AMD, especialmente após o lançamento da arquitetura Fusion. Durante a palestra "As APUs e o futuro com a computação heterogênea" na Campus Party 2012, o gerente do time de engenheiros da companhia, Roberto Brandão, explicou os benefícios da tecnologia e arriscou umas previsões para o futuro.

Na ocasião, o executivo explicou o conceito de APU (unidade de processamento acelerada), que tem como objetivo usar a placa grÁfica para auxiliar todo o processamento da mÁquina. E ainda afirmou que a empresa domina o segmento de placas de vídeo, responsÁvel por 87% das vendas das GPUs DirectX 11.


As APUs unem processador e placa de vídeo em um único chip, com base na ideia de processamento paralelo. Para ilustrar isso, Brandão recorreu a uma analogia inusitada: pedreiros e mulheres grÁvidas. "Vamos supor que um pedreiro demore um ano para construir uma casa. Podemos então imaginar que 12 deles terminam o serviço em um mês. Isso é uma tarefa paralelizada", afirmou. E as mulheres? "Uma, em nove meses, consegue gerar um bebê. Mas nove delas não conseguem gerar um bebê em um mês. Existem tarefas que simplesmente não podem ser paralelizadas." Voltando para a computação, é o caso de uma longa planilha do Excel, na qual uma linha sempre dependa da anterior.

Quem ajuda nas tarefas paralelizadas é justamente a placa de vídeo. A ideia da AMD é, portanto, unir a placa de vídeo ao processador, utilizando-a não apenas para games, mas para toda a sorte de aplicativos.  Para isso, é preciso otimizar os softwares. A AMD, então, desenvolveu a linguagem OpenCL para auxiliar desenvolvedores a adaptarem seus aplicativos.

Hoje, softwares como Adobe Flash, Photoshop, Premiere, Sony Vegas e Microsoft Power Point jÁ podem se beneficiar do processamento em conjunto das APUs. "No caso do Photoshop, basta baixar um patch que 'acorda' a GPU, deixando o programa de quatro a seis vezes mais rÁpido", conta Brandão.

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Recursos "plus"
O trabalho em conjunto da GPU com a CPU e algumas tecnologias da AMD ainda permitem alguns diferenciais nas APUs. Para demonstrar seu poder, Brandão demonstrou seis vídeos rodando simultaneamente em um notebook intermediÁrio, dos quais quatro estavam em resolução FullHD.

Além disso, o driver da companhia permite, automaticamente, ajustar um vídeo para acabar com a "tremedeira" de algumas filmagens amadoras, mesmo que o conteúdo jÁ tenha sido publicado no Youtube, por exemplo. Outros benefícios incluem aceleração no Flash Player e em transicões de slides do Power Point.

Uma visão do futuro
A  AMD acredita que, mesmo com a popularização dos tablets, o formato dos PCs e notebooks como conhecemos vai perdurar ainda por um bom tempo. "Os tablets devem se estabilizar em torno de 1/3 do mercado de computadores", estimou Brandão. O executivo, porém, arriscou uma tendência para as próximas décadas: os "wearables", ou seja, dispositivos que podem ser "vestidos". Hoje, jÁ existem relógios baseados em Android, por exemplo. "No futuro, vai existir uma jaqueta que, talvez, leia o seu e-mail", previu. Outra aposta é nas telas flexíveis e dobrÁveis, que jÁ são objeto de estudo de vÁrias empresas e instituições.

Por fim, a AMD busca acabar de uma vez por todas com os fios. Uma das iniciativas é o Lightning Bolt, protocolo que permitirÁ ao usuÁrio compartilhar conteúdo entre qualquer tipo de dispositivo. A última barreira serÁ eliminar a conexão de vídeos com fios. Para isso, a empresa também trabalha no desenvolvimento de uma conexão de vídeo wireless.

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Um pouco de polêmica
No final da palestra, os participantes da Campus Party puderam fazer perguntas. E a primeira foi justamente sobre o desempenho inferior dos processadores Bulldozer em relação aos da Intel nos benchmarks. Sobre isso, Brandão garantiu que a companhia tem condições de desenvolver uma CPU capaz de bater todos os resultados, mas que seu foco agora é conciliar uma boa experiência de uso com um preco acessível. "Não queremos que o cara tenha que vender o carro para comprar um computador", disse. "Você pode pagar menos e term uma experiência de CPU tão boa quanto a da concorrência e ainda melhor se falarmos de GPU."

O executivo também foi questionado sobre a possibilidade de a AMD equipar o Playstation 4. Diante da pergunta, Brandão disse apenas que a empresa tem interesse em negociar com a Sony. "Mas podemos falar sobre isso só depois?", brincou, finalizando sua palestra.

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  • Redator: Risa Lemos Stoider

    Risa Lemos Stoider

    Formada em Jornalismo pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) e gamemaníaca desde os 4 anos de idade. Já experimentou consoles de várias gerações e atualmente mantém uma ainda modesta coleção. Aliando a prática jornalística com a paixão pela tecnologia e os games, colabora com a Adrenaline publicando notícias e artigos.

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