Relatório "Defesa do Espaço Cibernético" aponta preocupação de Governos e especialistas

A McAfee e a Security and Defence Agenda (SDA) anunciam os resultados inéditos do estudo que revela a percepção de governos e de especialistas em segurança sobre os ataques virtuais, os impactos e as medidas de proteção em relação às ameaças e a esses ataques. Intitulado "Defesa do Espaço Cibernético - a questão controversa das regras globais", o relatório encomendado pela McAfee e realizado pela SDA contou com a participação de 80 decisores mundiais, entre eles, políticos e especialistas em segurança cibernética.

Com o objetivo de identificar as tendências em ameaças e as medidas de proteção, a anÁlise contida neste relatório deverÁ auxiliar governos, organizações e empresas contra os ciberataques. Para isso, o estudo classificou o grau em que os governos e as empresas estão preparados para resistir a ataques cibernéticos. O estado de prontidão cibernética dos Estados Unidos, da AustrÁlia, do Reino Unido, da China e da Alemanha estÁ atrÁs de países como Israel, Suécia e Finlândia (23 países foram classificados no relatório, incluindo o Brasil).

De acordo com o relatório global, 57% dos especialistas entrevistados acreditam que uma corrida armamentista estÁ acontecendo no ciberespaço. Para 45% dos participantes deste estudo, a cibersegurança é tão importante quanto a proteção das fronteiras. Outros 43% identificaram danos ou perturbações em infraestruturas essenciais como a maior ameaça representada pelos ciberataques, com grandes consequências econômicas. Trinta e seis por cento dos participantes acreditam que a cibersegurança é mais importante que a defesa antimísseis.


A SDA realizou entrevistas aprofundadas com aproximadamente 80 decisores e formuladores de políticas e especialistas em cibersegurança em todo o mundo nos setores público e privado, e em universidades de 27 países; foram entrevistados anonimamente 250 líderes e especialistas mundiais em 35 países. Como único grupo catalisador de ideias (think-tank) especializado em segurança e defesa, sediado em Bruxelas, a SDA passou a ser um dos principais fóruns do mundo para o debate de políticas internacionais de defesa e segurança. O método utilizado para avaliar o estado de prontidão cibernética de diferentes países foi a metodologia desenvolvida por Robert Lentz, presidente da Cyber Security Strategies e ex-vice-secretÁrio adjunto de Defesa para proteção cibernética, de identidades e da informação dos Estados Unidos.

As seis principais ações mencionadas no relatório foram:

- O compartilhamento mundial de informações em tempo real é necessÁrio.
- Incentivos financeiros para melhorias essenciais na segurança dos setores público e privado.
- Conceder mais poder às políticas para combater a criminalidade tecnológica transfronteiriça.
- Desenvolver uma norma internacional de segurança impulsionada por prÁticas recomendadas.
- Necessidade de contemplar as dificuldades diplomÁticas enfrentadas pelos tratados de tecnologia e cibersegurança.
- Campanhas de conscientização pública que vão além dos programas atuais para ajudar os cidadãos.

O compartilhamento em tempo real de informações foi uma recomendação essencial do relatório, mencionando o estabelecimento de confiança entre os intervenientes do setor por meio da criação de órgãos para compartilhar informações e prÁticas recomendadas, como o Common Assurance Maturity Model (CAMM) e a Cloud Security Alliance (CSA).

"O principal problema é que o cibercriminoso é mais Ágil, recebe grandes fluxos de financiamento e não enfrenta limites legais para o compartilhamento de informações, por isso, pode ‘coreografar' ataques bem organizados a sistemas", diz Phyllis Schneck, vice-presidente e diretora de Tecnologia do departamento global de Setor Público da McAfee. "Até conseguirmos reunir nossos dados e equipar nosso pessoal e nossas mÁquinas com informações, estaremos jogando xadrez com apenas metade das peças."

Os especialistas entrevistados também concordaram que avanços como os smartphones e a computação em nuvem significam que estamos diante de um novo conjunto de problemas relacionados à interconectividade e à soberania que exige novas leis e ideias. No ano passado, a McAfee divulgou um relatório de ameaças no 3º trimestre, afirmando que a quantidade total de malwares direcionados a dispositivos Android aumentou 76% entre o 2º trimestre de 2010 e o 2º trimestre de 2011, fazendo com que o Android se tornasse o sistema operacional móvel mais atacado.

Outras conclusões importantes do relatório da SDA são as seguintes:

- Necessidade de solucionar a escassez prevista de mão de obra de tecnologia e cibernética: mais da metade (56%) dos entrevistados destacam uma futura escassez de mão de obra qualificada.

- Baixo nível de preparação para ataques cibernéticos ou ciberataques: China, Rússia, ItÁlia e Polônia estão atrÁs de Finlândia, Israel, Suécia, Dinamarca, Estônia, França, Alemanha, Holanda, Reino Unido, Espanha e Estados Unidos.

- O setor privado não estÁ participando adequadamente dos exercícios: embora quase todos acreditem que os exercícios de cibersegurança sejam importantes, apenas 20% dos entrevistados do setor privado têm participado desses exercícios.

- Avaliação de riscos: dividir a proteção das informações em prioridades, sabendo que não existe um "tamanho único". Os três objetivos principais que precisam ser atingidos são a confidencialidade, a integração e a disponibilidade, em doses diferentes, de acordo com a situação.

- Segurança sem comprometer os direitos humanos: melhorar a capacidade de atribuição, reduzindo seletivamente o anonimato sem sacrificar os direitos humanos.

Embora muitos entrevistados acreditem que os tratados mundiais foram um fator essencial no desenvolvimento de uma política sólida, alguns também sugeriram o estabelecimento de medidas de criação de confiança tecnológica e cibernética como alternativa aos tratados mundiais ou como medida paliativa, uma vez que os tratados são vistos como infensos à verificação, inexigíveis e impraticÁveis. Stewart Barker, ex-subsecretÁrio de Segurança Interna no governo do presidente George W. Bush, declarou que os tratados "induzem os países ocidentais a pensar que contam com alguma proteção contra tÁticas que foram unilateralmente abandonadas por outros signatÁrios".

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  • Redator: Filipe Braga

    Filipe Braga

    Filipe Braga é um cearense extremamente simpático formado em Ciências da Computação e apaixonado por computadores e tecnologia em geral. Também participa de reviews de hardware, especialmente placas de vídeo, processadores e placas mãe.

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