Call of the Sea é um belo indie de Xbox e PC que foi ofuscado por Cyberpunk 2077

Disponível no Game Pass, o jogo traz uma vibe que lembra Firewatch, capricha na história e possui gameplay cheio de desafios

Cyberpunk 2077 chegou arrasando quarteirão e está dominando as manchetes com suas polêmicas. O barulho do RPG futurista já era previsto e games como The Medium e Mechwarrior 5 sofreram com adiamentos para escapar do blockbuster da CD Projekt Red. O indie Call of the Sea, primeiro grande projeto do estúdio Out of the Blue, seguiu outro caminho.

O jogo publicado pela Raw Fury chegou ao mercado pouco tempo antes de Cyberpunk 2077, o que deixou o game fora do radar de muitos jogadores. Como tenho costume de desbravar o catálogo do Xbox Game Pass com certa frequência, acabei baixando o indie com outros títulos lançados no serviço, e felizmente tive o prazer de conhecer esse projeto único e que merece mais atenção.

Após cerca de seis horas de gameplay, o que já foi suficiente para zerar o game, confira nossas impressões com Call of the Sea para Xbox Series X no texto de estreia da coluna "Tem no Game Pass", em que traremos indicações de jogos presentes na assinatura para Xbox e PC.

História cativante e puzzles desafiadores

Call of the Sea é ambientado nos anos 1930 e acompanha a história de Norah, uma professora de artes que sofre com uma doença misteriosa. Seu marido Henry monta uma expedição e sai em busca de uma cura para a enfermidade em uma ilha isolada no Pacífico, mas acaba desaparecendo de maneira misteriosa.


(Imagem: Out of the Blue/Reprodução)

Somos apresentados à protagonista quando ela está em um barco, quase chegando à ilha em que Henry se perdeu. Com visão em primeira pessoa, o jogador acompanha os pensamentos da personagem, dublados pela talentosa e experiente Cissy Jones, e precisa explorar o local paradisíaco para encontrar pistas sobre a expedição perdida. 

A dublagem e o carisma de Norah já garantem a atenção do jogador durante a jornada solitária, mas o game realmente impressiona com a evolução da narrativa. A protagonista inicia sua aventura na ilha praticamente como uma dona de casa curiosa em conhecer um novo local, mas os mistérios carregam a história para lugares que lembram contos de H. P. Lovecraft e filmes de Guillermo del Toro, trazendo novas camadas para a personagem e seu relacionamento.


(Imagem: Out of the Blue/Reprodução)

A narrativa não se alonga e, se você estiver motivado, dá para matar o game em aproximadamente em uma tarde. Apesar de curta, a história conta com reviravoltas que garantem momentos de surpresa e entrega um dos melhores finais que vivenciei nos games em 2020.

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Gráficos e gameplay

Na parte de gameplay, Call of the Sea capricha ao entregar puzzles desafiadores, inclusive alguns que são complexos até demais. Como o jogo se passa em uma ilha tomada de mistérios envolvendo civilizações antigas, certos quebra-cabeças envolvem símbolos antigos e combinações que, vez ou outra, não ficam tão claras à primeira vista.


(Imagem: Out of the Blue/Reprodução)

Outro ponto que deve ser considerado na parte da jogabilidade é o ritmo do gameplay. Call of the Sea possui fases com cenários limitados e grande foco na exploração dos ambientes. Logo, o jogo é bastante compassado, o que pode desagradar algumas pessoas viciadas em ação contínua.

Os ambientes limitados e o foco na história e resolução de puzzles permitem que Call of the Sea entregue aos jogadores uma experiência gráfica de qualidade. A versão do game para Xbox Series X roda em resolução 4K, traz efeitos de traçado de raios e mira nos 60 quadros por segundo, o que garante um visual ao nível esperado da nova geração, mas que também pode ser alcançado em PCs de ponta. 


(Imagem: Mateus Mognon/Captura de tela)

O jogo conta com um estilo cartunizado, mas a história cheia de mistérios e o ambiente tropical conseguem aproveitar bem o direcionamento artístico. Os ambientes de Call of the Sea vão desde florestas densas até cenários submarinos, o que dá bastante material para o jogador fazer belas capturas de tela.

Call of the Sea serve pra mim?

Ofuscado por Cyberpunk 2077, o indie Call of the Sea é uma das melhores experiências originais que tive até agora no Xbox Series X, que ainda está bastante escorado na retrocompatibilidade e nas otimizações de jogos da geração passada. O jogo também está disponível no PC e Xbox One, e mesmo que os gráficos chamem a atenção, o grande destaque do game é a sua narrativa, que pode ser aproveitada tranquilamente em 30 fps e com visuais menos elaborados.


(Imagem: Mateus Mognon/Captura de tela)

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A história contada em primeira pessoa e que acompanha os pensamentos da protagonista lembra bastante Firewatch, jogo lançado em 2015 que colocou o estúdio Campo Santo no mapa e fez a produtora ser adquirida pela Valve. A diferença é que Call of the Sea é um conto de mistério, com claras referências às obras de H.P. Lovecraft, mas com uma narrativa cheia de paixão e que lembra os longa-metragens de fantasia de Guillermo del Toro.

O pequeno universo de Call of the Sea é muito interessante e a caminhada de Norah tem potencial para cativar jogadores exigentes com sua evolução e um final impactante. Você só precisa ter paciência e estar disposto a enfrentar os puzzles que estão presentes na ilha em que tudo se passa.

Call of the Sea está custando R$ 34,99 na Steam e sai por R$ 74,95 no Xbox One, Xbox Series S e Xbox Series X. O jogo está disponível no Game Pass desde seu lançamento e, como se trata de uma experiência curta, pode ser explorado com facilidade somente com a assinatura.

  • Redator: Mateus Mognon

    Mateus Mognon

    Mateus Mognon é formado em Jornalismo pela Universidade Federal de Santa Catarina. Vencedor do prêmio SET Universitário na Categoria Reportagem Digital, atua nos sites do grupo Adrenaline desde 2014. Atualmente, colabora para os veículos com notícias, análises e artigos envolvendo tecnologia e games.

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