GEARS TACTICS tenta levar a ação consagrada da série para uma nova perspectiva

Game de estratégia retoma também um velho estilo da Microsoft: foco total no PC

Tempos de quarentena pedem por formatos diferentes de divulgação. Durante a semana, a Microsoft realizou uma live fechada para mostrar a alguns jornalistas um pouco mais do que podemos esperar de Gears Tactics, o spin-off de uma das suas franquias mais importantes num formato de estratégia por turnos. O Adrenaline foi convidado para assistir - e agradecemos à Microsoft por isso - então vou comentar nessa coluna minhas impressões sobre o que vi e o que posso falar por enquanto!

1 - O peso da história e personagens

Um dos elementos mais apreciados em Gears pelos seus fãs é a história cinematográfica recheada de personagens icônicos e o foco no drama de suas vidas. Essa é a parte mais "simples" de se traduzir para um outro formato e os jogadores podem ficar tranquilos que ela está toda aqui.

Gears Tactics é uma prequel, se passando 12 anos antes dos eventos do primeiro jogo, e vai acompanhar a jornada de Gabe Diaz, um militar consagrado, mas que passou os últimos anos afastado do combate. O ataque dos Locust coloca ele de volta à ativa e você vai resgatar pessoas e montar seu exército aos poucos conforme avança no game.

2 - Transformando ação em turnos

O outro lado mais apreciado em Gears é a ação de seu gameplay, claro. E essa parte é bem mais complicada de levar para um jogo em turnos, mas foi interessante ver na apresentação que houve realmente um trabalho e um cuidado nesse sentido.

O principal diferencial aqui em relação a outros games do mesmo estilo é que Gears Tactics não tem uma "grade" de movimento. O movimento é livre no turno do personagem, você o controla e para onde quiser, não clicando num "quadrado" que vai ser sua posição. Além disso, a cada turno, cada personagem tem três ações, não apenas uma. Essas ações podem ser divididas como você quiser, inclusive "queimando" duas numa mesma coisa - por exemplo, duas ações de andar para ir mais longe. Isso certamente vai adicionar variedade para as estratégias que o jogador pode criar.

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Na maneira que a dinâmica do jogo se desenrola, por incrível que pareça, a experiência não pareceu tão distante de um Gears tradicional. Claro que assistir é bem diferente de jogar, mas o trabalho das câmeras, as execuções e ações realmente remetem à série principal. Se você pensar bem, Gears é um jogo fortemente focado na cobertura e isso já evoca um gameplay por turnos, atirando e avançando somente quando pode, esse tipo de coisa. Tactics não vai se distanciar tanto quanto podemos pensar num primeiro momento quando se fala em jogo de turnos.

3 - Vários itens e customização

Os fãs de XCOM já sabem bem como isso funciona. Ao longo de Gears Tactics você vai montar seu esquadrão e customizá-lo. O jogo tem classes distintas, e cada classe tem sua arma especial, além de uma arma secundária variável. Essas armas especiais contam com mods para alterar não apenas seus efeitos, mas também suas aparências. Além disso, a aparência dos personagens também pode ser amplamente customizada, mudando as armaduras, as cores, texturas, etc. Até no corte de cabelo dá pra mexer e tudo isso é transportado para o game - inclusive nas cutscenes.

A parte mais interessante aqui é que, em outro momento, Rod Fergusson já deixou claro que não teremos microtransações, então todos esses itens podem ser obtidos cumprindo objetivos das missões ou encontrando caixas no cenário mesmo, durante a jogatina. Você precisa andar até um desses baús com um personagem e perder um turno abrindo, pra acrescentar ao fator risco vs. recompensa.

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4 - O exército de Ukkon

O grande vilão do game é Ukkon, que parece um tipo de sacerdote Locust. As forças dele consistem de tropas inimigas já consagradas pela série Gears, mas que vão funcionar de maneira interessante levadas a um gameplay de estratégia. Conhecer bem como funciona cada unidade pode lhe dar muita vantagem estratégica. Um momento que achei particularmente interessante da live foi quando um inimigo bombardeiro apareceu. Ele é absurdamente forte e causa dano massivo, mas é burro que nem uma porta. Além de causar dano nos próprios colegas, ele pisou numa mina colocada também pelo seu time, e é interessante imaginar como os jogadores poderão usar essa dinâmica ao próprio favor.

Além das unidades normais, temos também os chefes gigantes, que têm sido bastante promovidos nas artes do game e que também receberam destaque na live. A ideia é criar confrontos épicos e bem desafiadores - pareciam mesmo pelo que pude assistir.

5 - Dúvidas que ficaram

Logo no início da live, enquanto a parte técnica ainda se acertava, foi comentado sobre um modo de jogo em que você pode optar por ter perdas permanentes de suas tropas, assim como acontece em XCOM. Infelizmente não pude entender bem o funcionamento pelo áudio não estar estável naquele momento, mas ficou a dúvida de como isso vai funcionar, porque há personagens centrais para a narrativa que não podem morrer. Talvez nesse modo dá game over se um desses personagens cair, podendo perder apenas os "figurantes", como acontece em todo filme de ação.

Outra dúvida no ar é o tamanho do game. Quantas horas e missões podemos esperar? Realmente dá pra notar uma ênfase forte na história, mas pela sua própria estrutura, ela pode ser tão longa quanto os desenvolvedores quiserem, ou tão curta também.

E, por fim, a dúvida mais importante: jogadores de Gears vão curtir esse formato? Dá pra ver que Tactics é uma carta de amor ao PC, um presente que o novo morador traz para a vizinhança onde pretende passar os próximos anos. A série está vindo para a plataforma agora e Tactics pode trazer muito jogador "raiz" para a franquia, talvez até por isso o game seja uma prequel, para despertar interesse na história e, daí, para os outros jogos. Já o caminho contrário é mais difícil dizer, mas pelo que pude ver, posso especular que muitos fãs de tiro vão se surpreender com a proximidade que Tactics tem da série principal.

Gears Tactics será lançado primeiro no PC no dia 28 de abril, pela loja da Microsoft e pela Steam.

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  • Redator: João Gabriel Nogueira

    João Gabriel Nogueira

    João Gabriel Nogueira se formou em jornalismo pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) em 2015 e curte games desde muito antes. Começou com o Master System e o gosto pelos jogos eletrônicos trouxe o gosto pela tecnologia. Escrever notícias e análises de jogos, hardware e dispositivos móveis para o Adrenaline, além de trabalho é uma alegria e um aprendizado.

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