RX 5950 XT: o que dá para esperar de uma AMD Radeon Navi gigante?

Na computação maior é melhor. Mas não muito
Por Diego Kerber 14/01/2020 19:18 | atualizado 14/01/2020 19:20 Comentários Reportar erro

Lisa Su, CEO da AMD, já confirmou: uma Navi das grandes está sim a caminho. A AMD está nos devendo investidas na área dos modelos high-end desde as Polaris, que chegaram para atuar no segmento intermediário, e com as Vega, que não passaram nem perto de raspar nos modelos mais potentes GeForce concorrentes. 

Com as placas da nova microarquitetura RDNA ganhando mais terreno no segmento de alto desempenho, o que dá para esperar? As notícias são boas para quem quer uma Radeon mais potente, mas ao mesmo tempo, a computação é cruel quando escalonamos as coisas para cima, e nem sempre ter o dobro de hardware é conseguir o dobro de desempenho.

Para imaginar um chip Navi gigante, dá para usar de referência o ganho de performance que conseguimos quando aumentamos a estrutura disponível. Usando como base a rival, que tem um exemplo moderno de um chip muito mais parrudo, a GeForce RTX 2080 Ti vem equipada com o TU102, um chip gigantesco de die com área de 754mm² e nada menos que 4352 núcleos CUDA. Isso é praticamente o dobro dos 2304 da RTX 2070 e seu chip TU106 com área de 445mm². Onde eu quero chegar com esse bando de números? Abaixo o que você ganha de desempenho com o "dobro de hardware" disponível.

Arredondando bem, dá para dizer que o dobro de hardware disponível entrega 50% mais desempenho. Pois é, computação nunca traz soluções simples, e ter muito mais hardware não representa conseguir muito mais desempenho. Ou ao menos, não na mesma proporção. 

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E quanto espaço tem a Navi para crescer? A Radeon RX 5700 XT, atualmente o modelo mais potente, tem 2560 processadores stream e uma área de 251mm², mérito do uso da litografia de 7 nanômetros que ajuda a encolher as coisas. Isso é bem menor que outros monstrinhos que a empresa já criou, como a R9 Fury X e seus 4096 processadores stream em um die de 596mm². Ou seja, a fórmula das potenciais RX 5800 XT, RX 5950 e RX 5950 XT parece fácil. Mas tem um detalhe importante: aquecimento e consumo.


TU102 é um chip bem grande

A RTX 2070 de nosso exemplo anterior tem um TDP moderado de 175W e já opera em uma fonte de 450W, ou seja, é um chip de consumo moderado. "Dobrando o hardware" para a RTX 2080 Ti temos um TDP saltando para 250W e recomendando uma fonte de 600W.

É aí que a AMD enfrenta desafios maiores, e talvez por isso que as placas high-end estão vindo só agora. a Radeon RX 5700 XT é um chip que aquece mais e consome mais que a RTX 2070, no caso temos aqui um TDP  de 225W e a fonte recomendada já sobe para uma de 550W. Isso já não é muito longe dos 275W de uma R9 Fury X (que vinha com resfriamento líquido) e os 295W da Radeon VII, que é um ótimo exemplo de um péssimo produto.

Então não tem espaço para uma Navi grande porque ela esquentaria muito e consumiria muito? Agora entramos na área da mais pura especulação nossa. A AMD já está a um tempo fazendo placas baseadas nessa microarquitetura e na litografia de 7nm. Com o amadurecimento da linha de produção, há uma melhoria natural na produção dos chips, levando a GPUs que alcançam frequências mais altas com consumo e aquecimento mais baixo, por exemplo.

É aí que pode estar a chave para essa nova geração de placas Radeon, e o motivo para não termos visto modelos Navi acima da RX 5700 XT. Com o amadurecimento da linha de produção, enfim a empresa pode estar conseguindo criar um chip maior, com mais transistores, que não aquece nem consome em excesso. Considerando proporções,  uma RTX 2070 tem 10 milhões de transistores, valor próximo da RX 5700 XT. Se a AMD for capaz de escalonar a Navi para 18 milhões de transistores, o valor que temos em uma RTX 2080 Ti, e conseguir em um modelo que não aquece nem consome em excesso, pode ser que enfim vamos sair do marasmo que o segmento high-end de placas de vídeo tem sido nos últimos tempos.

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  • Redator: Diego Kerber

    Diego Kerber

    Formado em Jornalismo pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), Diego Kerber é aficionado por tecnologia desde os oito anos, quando ganhou seu primeiro computador, um 486 DX2. Fã de jogos, especialmente os de estratégia, Diego atua no Adrenaline desde 2010 desenvolvendo artigos e vídeo para o site e canal do YouTube

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