Como a internet pode destruir rapidinho a imagem de alguém

"Tadinha da mongolona, confundiu a timeline dela com o mundo real". Esse é o comentário mais curtido em um vídeo publicado no Facebook que tá dando o que falar. Nele, uma "web celebridade" que até então eu desconhecia é vaiada por brasileiros ao apresentar seu stand up comedy de gosto questionável antes de um show do Skank em Nova Iorque. O motivo da vaia? Entre outras piadas sem graça em relação aos brasileiros que vivem por lá, ela disse que viver no Brasil tá f**a, que o país tá horrível por causa do desemprego. A plateia não gostou e ela teve que abandonar o palco.

 
Marcela Tavares é o nome dela. Auto define-se como "Facebooker". Em sua página na rede social, costuma publicar vídeos que ela acredita serem de humor. Também faz críticas ao governo e às Olimpíadas. Sua atuação rendeu e ela possui mais de 2,4 milhões de curtidas. Mas se foi no Facebook que ela criou sua fama, é lá que ela tem sido massacrada pelo acontecido.

O perfil pessoal da moça, tanto no Facebook quanto no Instagram, tem sido alvo de comentários que endossam as vaias. Muitos apareceram criticando Marcela e promovendo um "vomitaço", floodando a página com um emoji vomitando. Conforme o vídeo ganha notoriedade (já foi visto mais de 2,5 milhões de vezes), mais pessoas aparecem para julgá-la pelo o que chamam de complexo de vira-lata. Em contrapartida, ela é hostil. Além de mandar indiretas, mandando o pessoal se f**er e tomar naquele lugar, de acordo com relatos de usuários, ela vem apagando os comentários e bloqueando seus autores.

Independente de concordarmos com a opinião de Marcela, o que aconteceu com a "comediante" é mais um exemplo de que é preciso cautela quando você está exposto(a) nas redes sociais. 

Assim que fiquei sabendo do caso, lembrei da reportagem que conta como uma mulher teve a vida destruída após publicar um tweet que dizia o seguinte: "Partindo para a África. Espero não pegar AIDS. Brincadeira. Sou branca!". E quando eu digo destruída, me refiro a perder o emprego, ser seguida na rua por meios de comunicação, ter que fugir para outro país por um tempo e ter o nome sempre ligado ao caso de racismo no Google. Embora tenha deletado a conta e sumido das mídias sociais, ela nunca será totalmente esquecida.

Não acredito que vá acontecer o mesmo com Marcela, até porque o comentário dela não foi tão pesado assim. Apesar de ter sido vergonhoso, ela não ofendeu alguém (não que apareça no vídeo, ao menos). E a repercussão tá longe de ser igual à do caso da reportagem acima. Mas o que aconteceu traz à tona o poder que as redes sociais têm, como já falamos neste post. Um deslize mínimo pode nos deixar em maus lençóis e ganhar proporções assustadoras. E se Marcela confundiu o mundo real com a sua timeline, como está na citação que abre esta coluna, os problemas que isso causa também podem sair do virtual. Portanto, antes de sair falando o que pensa por aí, cuidado.

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  • Redator: José Hüntemann

    José Hüntemann

    Jornalista formado pela Universidade Federal de Santa Catarina, é fascinado por inovações tecnológicas. Gosta de internet, redes sociais, mobiles e futuro dos vestíveis. Mas o que mais lhe impressiona é a tecnologia que busca melhorar a vida das pessoas e não serve apenas como mero acessório. Nos games, é um zero à esquerda, mas está no pódio no campeonato de Just Dance da redação.

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