Os smartphones estagnaram: a falta de evolução do mobile nos últimos três anos

Com a chegada do LG G5 SE para análise no Adrenaline, fiquei em uma situação curiosa. Desliguei meu LG G2, tirei o cartão SIM e coloquei no novo smartphone da LG. Estamos falando do que havia de melhor em termos de tecnologia que a empresa sul-coreana tinha para oferecer em 2013 (e um dos melhores smartphones daquele ano) versus toda a evolução que três anos de desenvolvimento podem trazer. E fiquei com uma sensação que nada aconteceu.

Análise: LG G2
Análise: 
LG G5 SE
 

Troquei do G2 para um G5 e nada de interessante aconteceu

No começo dos smartphones não era bem assim. Lembro que cada novo topo de linha gerava muita expectativa sobre qual seria o novo recurso, como sair dos 512MB para 1GB de RAM era uma revolução e como o aumento na densidade de pixels tornavam novas telas em algo impressionante. Olhar para um Samsung Galaxy SII fazia você ter pena da primeira geração, e o Galaxy S3 novamente trouxe avanços consideráveis. Mas, em algum momento, isso parece ter parado de acontecer. Quando foi?

Na minha impressão, a geração que isso começou foi justamente a do LG G2. Tenho cruzado com donos de Galaxy S4, LG G2, Galaxy Note 3, Xperia Z1, Moto X e outros modelos topo de linha de 2013 e, em geral, há um desinteresse pela troca de um novo aparelho em muitos deles. Tem até donos do Moto G de primeira geração ainda cogitando a troca. Na minha opinião, há um motivo bastante claro: os Androids chegaram as especificações suficientes para um bom smartphone. Porque eles tem:

- Processadores e chips gráficos que sobram pra rodar o Android
- Ao menos 2 GB de RAM
- Ao menos 16GB de armazenamento
- Telas de boa qualidade e resolução HD/FullHD

Depois de atingir um certo patamar de specs, as fabricantes não conseguiram trazer novidades importantes para os aparelhos

E isso já atinge um nível excelente de experiência. Dali pra frente, a indústria continuou evoluindo, mas para o consumidor o ganho de performance, os nits a mais de brilho. os pixels a mais espremidos ou a RAM infinita não significam nada ou apenas muito pouco na qualidade do uso do aparelho. É por isso que, mesmo que viesse com Snapdragon 820, o G5 SE não seria necessariamente muito melhor do que já é. O meu incômodo com o aparelho, na análise, foi outro: se economizaram no componente, deveríamos ter alguma contrapartida no preço, o que não aconteceu.

Não tem nada a ver com ser "capado". Mesmo que fosse um Snapdragon 820, na prática pouco mudaria para o G5

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Não que as empresas não tentaram inovar. No meio do caminho já ficaram:

- Telas 3D - LG Optimus 3D, HTC EVO 3D, Amazon Fire
- Docks que transformam o smarpthone em notebook ou PC - Motorola Atrix e Lumia 950
- Câmeras 3D - LG Optimus 3D, HTC EVO 3D
- Smartphones com comandos para games - Sony Xperia Play
- Câmeraphones - Lumia 808 Pureview, Lumia 1020, Galaxy K Zoom, Zenfone Zoom
- Sensor de batimentos cardíacos - firme e forte nos Galaxys desde o Galaxy S5
- Infravermelho para operar como controle remoto - principalmente linha Galaxy S, Note e LG G.

Fiz um serviço de arqueologia e desenterrei vídeos com dois desses figurões:

Essas ideias não colaram e acabaram abandonadas, com exceções como o Zenfone Zoom e Lumia 950 que seguem na aposta de ser um celular-câmera e um smarpthone-computador, respectivamente. Outros recursos seguem presentes, mas não parecem ser um diferencial forte o suficiente para definir compras: a LG e a Samsung ainda incluem o sensor de infravermelho para operar televisores e outros eletrodomésticos, enquanto a segunda ainda inclui sensores de batimentos cardíacos em seus topo de linha. Com raras exceções, só o essencial se segurou até agora; boa tela, boa configuração e boas câmeras.

Agora, nós temos os seguintes concorrentes no páreo das inovações:

- 3D Touch - iPhone 6s
- Modularidade - LG G5, Moto Z, Project Ara
- Biometria - um monte de aparelhos com detector de íris ou digital
- Câmera grande-angular - LG G5 e G5 capado edition
- Pagamento - iPhones e Galaxys
- Rastreameno de ambiente - Lenovo Phab 2 Pro (Google Tango)

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Ao voltar para meu G2, o único recurso que fez falta foi a lente grande-angular, pois deva para fazer fotos e vídeos interessantes (como dá pra ver logo abaixo). Mas tirando isso, os pixels a mais na tela, a modularidade, o SoC  mais potente e a RAM a mais... não deixaram saudades.

 

Luta do século #melhorqueUFC #doge pic.twitter.com/93oIsZP4MZ

— Diego Kerber (@kerberdiego) 18 de junho de 2016

 

Agora que smatphones chegaram a uma forma, parece que qualquer novo recurso "ou se mostra indispensável, ou não cola". Nesse momento, vejo potencial para dois: a biometria é bem-vinda, substituindo as chatas senhas ou qualquer um dos padrões de desbloqueio dos aparelhos, e os pagamentos. Utilizar os aparelhos como cartão para transferências bancárias parece ser algo realmente útil para o dia-a-dia das pessoas, isso se a Samsung resolver o nó de limitações da tecnologia (precisar ter o celular compatível, o banco compatível, a bandeira certa de cartão e também estar na "linha" certa para usar o recurso). Ampliando as agências bancárias, cartões e aparelhos compatíveis, a tecnologia tem potencial de ser um diferencial que veio pra ficar.

#SamsungPay em ação!

Um vídeo publicado por Adrenaline (@adrenaline_oficial) em

Seguindo esse marasmo, a era dos smartphones como referência da inovação da tecnologia dá indícios que chegou ao fim

Seguindo esse marasmo, a era dos smartphones como referência da inovação da tecnologia dá indícios que chegou ao fim. Não que as novidades não existirão mais, e o potencial do software de surpreender ainda não está encerrado (Pokemon Go que o diga). E também não é que vamos deixar de comprar smartphones, longe disso. PCs também não são referências de novidades faz anos, e não vemos mais nessa plataforma as mudanças capazes de alterar profundamente o cotidiano de seus consumidores, mas ainda compramos aparelhos novos, eventualmente. Até porque, mesmo comigo não vendo vantagem em trocar o LG G2 em 2016, acabei tendo que fazê-lo:

Adeus, nobre guerreiro. pic.twitter.com/kq5Uca3mpb

— Diego Kerber (@kerberdiego) 2 de julho de 2016

* Celulares foram feridos durante a produção desse conteúdo.

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  • Redator: Diego Kerber

    Diego Kerber

    Formado em Jornalismo pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), Diego Kerber é aficionado por tecnologia desde os oito anos, quando ganhou seu primeiro computador, um 486 DX2. Fã de jogos, especialmente os de estratégia, Diego atua no Adrenaline desde 2010 desenvolvendo artigos e vídeo para o site e canal do YouTube

Bingo pré-lançamento Radeon RX 6000. A Big Navi vai ser:

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