10 lições que os grandes jogos da nova geração podem aprender com os clássicos

Há não muito tempo zerei a versão completa de Broforce, excelente shooter em plataforma retrô do Free Lives que com certeza recomendo pra quem gosta do estilo. Notando o nítido esforço do jogo em se escorar no que os jogos de antigamente tinham de melhor, comecei a pensar que, na verdade, mais jogos modernos poderiam fazer isso. Então segue aí uma lista de 10 coisas em que, na minha opinião, jogos triplo A modernos deviam seguir o exemplo de seus vovôzinhos. Em cada caso, vou tentar citar pelo menos um jogo antigo que fazia a prática e um novo que fez bem em repetir. :)

1 -  Unlockables

Já falei em outra coluna, mas pra onde foram nossos unlockables? Você sabe, aquele conteúdo que a gente libera quando zera o jogo, novidades, cheats, novos personagens, novas fases! Enquanto antigamente, antes do advento dos DLCs, quase todo jogo que se preze premiava seus jogadores com novo conteúdo interessante depois do fim, os jogos modernos mal fazem isso e, quando fazem, raramente é algo relevante. Bushido Blade 2 é um clássico em que o jogador podia liberar, além de 12 espadachins, também um modo de jogo totalmente novo que premiava ainda com 2 personagens "secretos". Nem perto disso, mas ainda interessante, Uncharted tem uma boa quantidade de conteúdo a ser liberada jogando-se na campanha, incluindo cheats e o inesquecível Doughnut Drake.

2 - Não contar sempre com a internet

A internet pode ser algo relativamente novo e é injusto comparar games recentes com títulos de uma época em que ela nem existia. Mas temos excelentes títulos lançados muito antes dela chegar aos consoles que nunca precisaram de patches do primeiro dia assombrosos como os 9GB de Halo 5 para funcionar direito. Hoje parece que a maioria das produtoras não se importa se o jogo não estiver 100% na data do lançamento porque contam que seus compradores terão internet para baixar os consertos depois de comprar. Nem sempre funciona, né Batman? De exemplo de jogos antigos, aqui, eu poderia citar algo como... Todos. Dos novos podemos citar Metal Gear Solid V que, apesar de ter seus downloads, veio muito bem otimizado logo de cara, obrigado.

3 - Capricho nas batalhas com chefes

Nossas maratonas com Halo 5 e Rise of The Tomb Raider mostraram muito bem uma coisa: cadê os chefes? Batalhas épicas com chefes sempre foram algo icônico nos games e nas antigas temos inúmeros exemplos de inimigos inesquecíveis. Em Tomb Raider mesmo, temos o clássico T-Rex que, quem jogou, lembra. Mas, nos novos, tem sido difícil aparecer chefes memoráveis ou mesmo chefes, porque alguns jogos nem isso tem. Quando tem, em muitos casos a luta se transforma num grande quick time event. De jogo moderno que conseguiu acertar nisso aqui eu citaria Bloodborne, com seus chefes imponentes e variados.

4 - Multiplayer local

Pois é, o multiplayer local está morrendo. E talvez essa seja uma das características mais visíveis da modernização dos jogos. Seja por uma iniciativa deliberada das produtoras em ganharem mais dinheiro vendendo um título para cada jogador ou seja pela tendência natural das pessoas em ficarem mais sozinhas, a boa e velha jogatina de sofá parece estar com os dias contados. E isso é muito triste. Muitos jogos das antigas contam com o multiplayer local, então vou citar um em que isso nem seria esperado e foi muito bem-vindo: Conker's Bad Fur Day. Esse é um ótimo exemplo de um jogo feito para um único jogador que ganhou um multiplayer extra e muitíssimo bem-vindo. Já nos jogos modernos, tirando lutas que, sinceramente, dá pra dizer que é obrigatório o local, poderíamos citar Star Wars Battlefront, se ele não tivesse deixado o PC de fora neste caso. O exemplo aqui vai pra Mario Party 10, um jogo feito especialmente pra você jogar com seus amigos em casa.

5 -  Ã‰ só um jogo

O crescimento da indústria dos jogos está trazendo cada vez mais investimento para o segmento, o que resulta em produções cada vez mais ambiciosas. Enquanto é muito legal termos jogos profundos e carregados de emoção, é sempre bom não perdermos a perspectiva de que eles ainda são e devem continuar sendo jogos. Antigamente a maioria dos games não se levava muito a sério e mesmo em títulos mais "tensos" ainda tínhamos brincadeiras interessantes. Ótimo exemplo aqui é Metal Gear Solid que não perdeu a mão e desde seus títulos mais antigos aos mais novos continua com algumas brincadeiras divertidas a se fazer, que vão da famosa caixa de papelão pra se esconder até o chapéu de frango no game mais recente.

6 -  Seja original

Esta aqui é possivelmente a "lição" mais difícil. O mercado de games está concorrido como nunca e quanto mais jogos são feitos, mais complicado de se ter ideias novas. Isso sem falar nos investimentos astronômicos que, se não derem retorno, podem quebrar estúdios inteiros, então é mais fácil contar com "o time que está ganhando". Mas poucos espaços permitem tanta criatividade como o mundo dos jogos e o número de títulos indie totalmente inovadores que vemos saindo mostra que ainda há espaço para novidades. E mesmo em franquias já consagradas é possível incorporar propostas e jogabilidades novas que podem fazer a diferença entre um título de sucesso e um verdadeiro clássico. É o caso do nosso exemplo aqui, Shadow of The Colossus. Inesquecível para quem quer que tenha jogado. Um jogo bem recente e bem original e muitíssimo bem-vindo pra citar aqui é Splatoon, com uma premissa bastante inesperada que roubou o show da Nintendo na E3 no ano passado.

7 -  Esconda seus segredos

Uma grande desvantagem da internet para os games é que, agora, nenhum segredo fica escondido. Antigamente eram formados verdadeiros mitos sobre o que poderia ser encontrado escondido nos jogos, como um segredo que nunca foi verdade pra enfrentar o mestre do Ryu em Street Fighter II, por exemplo. Esse clima de "o que eu posso descobrir?" nos jogos faz uma falta danada hoje em dia e, pode ser difícil, mas não é impossível fazer uma produção que instigue os jogadores a tentarem descobrir segredos e easter eggs inesperados. Bom exemplo disso nos velhos tempos é Castlevania: Symphony of The Night em que simplesmente metade do jogo está oculta e não era todo jogador que sabia, na época, que era possível inverter o castelo. Nos games modernos a conseguirem enfrentar o desafio do conhecimento online, vou citar GTA V, um jogo tão imenso, tão cheio de coisa, que até hoje vira e mexe aparece algum novo conteúdo oculto que alguém descobriu.

8 -  Variedade de personagens


Antigamente jogávamos com homens, mulheres, raposas, tartarugas, dinossauros, sapos, dragões, bandicoots e porcos-espinho. Hoje, na maior parte das vezes, temos homens musculosos e barbados um pouco acima dos 30 anos. É incrível a hegemonia dos "dude-bros" nos shooter modernos e na maioria dos jogos triplo A, sendo substituídos no máximo por uma moça durona como a Lara Croft. Até o Gerald que não tinha barba deixou ela crescer nas imagens de divulgação pra ficar um pouco mais parecido com a norma. Das antigas vamos citar o nosso icônico Sonic, por que não? Mas também tem o saudoso Spyro, Crash Bandicoot... Como um exemplo moderno temos que recorrer à Nintendo novamente com Splatoon. Nada mais inesperado do que menininhas que viram lulas carregando armas e baldes de tinta!

9 -  Puzzles!

Uma das principais características de Tomb Raider nas antigas eram seus puzzles e portas secretas para se abrir e continuar sua missão. O reboot da série, por melhor que seja, acabou deixando os quebra-cabeças bem de lado. Mas isso não é o caso somente dessa franquia, há uma forte tendência nos jogos modernos em se pensar menos e atirar mais. Enquanto alguns jogos têm em sua própria premissa a ação ininterrupta, como CoD ou Battlefield, em alguns outros iria bem um pouquinho mais de raciocínio. Resident Evil é outro bom exemplo de um jogo clássico que envolvia belos quebra-cabeças e acabou virando um shooter em linha reta. Um jogo triplo A moderno que consegue botar o jogador pra pensar ainda está difícil de encontrar... Aceitamos sugestões :/

10 - Não tenha medo de frustrar o jogador

Com a expansão do mercado de games alcançando um número cada vez maior de pessoas, as desenvolvedoras têm mostrado uma preocupação um tanto exagerada em agradar todo mundo. Ou seja, não frustrar ninguém. Enquanto jogos mais antigos às vezes eram exageradamente difíceis pra comer suas fichas no fliperama, jogos de hoje em dia às vezes tratam o jogador como um bebê, de tanto medo que ele fique #chatiado. Os jogos estão ficando tão facilitados que está sendo criado um novo gênero, de jogos que têm a dificuldade como uma feature. É o caso da franquia Dark Souls, por exemplo. Mas não devia ser necessário procurar um jogo que se esforça em ser difícil para encontrarmos aquela boa dose de desafios a ser superados e eu sinto falta de jogar grandes títulos mais mainstream sem ser "pegado pela mãozinha". Um bom exemplo das antigas são jogos mais avançados do Mega Man. Enquanto os primeiros são difíceis até demais, em edições um pouco mais recentes, como Mega Man 8, foi encontrado um ótimo limiar de desafios muito satisfatórios. De jogos atuais, vou citar como exemplo Dying Light, que tem um bom balanço de dificuldade. 

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  • Redator: João Gabriel Nogueira

    João Gabriel Nogueira

    João Gabriel Nogueira se formou em jornalismo pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) em 2015 e curte games desde muito antes. Começou com o Master System e o gosto pelos jogos eletrônicos trouxe o gosto pela tecnologia. Escrever notícias e análises de jogos, hardware e dispositivos móveis para o Adrenaline, além de trabalho é uma alegria e um aprendizado.

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