Porque é tão difícil o PC ter uma conferência legal como a dos consoles

Faltou o show na PC Gaming Show 

Os mil espartanos que foram até o final da PC Gaming Show sabem o quanto foi terrível acompanhar a conferência até o final. O evento levantou muita expectativa da comunidade gamer em PC, que pela primeira vez teria um evento dedicado dentro da E3, mas o resultado foi muito diferente do que esperávamos. 

São vários fatores que causam a pequena tragédia de ontem, e uma das principais é algo que é um ponto forte e uma das principais características do PC: liberdade e diversidade. Jogar em computador é ter opção de qual processador vai usar, de qual placa de vídeo vai combinar, de qual plataforma online vai adquirir o jogo e, se nada agradar, quais mods vai enfiar e deixar do jeito que você gosta o game.

Resumo: Os melhores momentos da tediosa PC Gaming Show

Esta é uma das graças de jogar no computador, mas na hora de criar um evento voltado a esta comunidade esta variedade passa a ser um contra fortíssimo. O que torna fantástica as apresentações de empresas como Microsoft e Sony é a densidade de lançamentos e trailers sendo lançados em um único evento, e isso só é possível porque existe este centralizador (as fabricantes dos consoles) que possuem parceiras e, principalmente, estúdios "debaixo da asa" dos quais podem cobrar que algo seja mostrado.

Na PC Gaming Show, a realidade era outra. A AMD estava entre as principais apoiadoras, o que significava a presença de games como Deus EX e Hitman, mas ao mesmo tempo fez outras franquias apoiadas pela Nvidia desaparecerem do evento. A Bohemia Interactive também estava entre os incentivadores, e por conta disso tivemos que aturar um anúncio de um jogo de 2013 sair do Early Acess para o Beta ser tratado como algo que merece tempo de E3.

Para os jogos de PC realmente entrarem com força total no evento, precisam de alguém capaz de juntar todas as empresas do ecossistema. Essa pessoa não existe.  A Valve já foi mais hegemônica, mas a criação de plataformas concorrentes como Origin e Uplay tiram nomes fortes como EA e Ubisoft do evento. Uma cooperação entre Nvidia, Intel e AMD, para criar um evento único, é algo próximo do fantasioso. Como seria o destaque de tecnologias proprietárias como PhysX ou encabeçadas por uma das empresas, como o TressFX? E qual o sentido para as companhias se não podem mostrar seus diferenciais?

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Sem ninguém com cacife para ser "o dono da festa", a diversidade do mundo dos PCs atrapalha a criação de uma grande festa de nossa comunidade.

Já não era fácil, e fizeram errado
Com esse contexto já dificultando tudo, a apresentação de ontem fez o pior que podia ser feito com o que havia disponível. Tentando fazer de conta que o evento era completo e denso, fizeram a conferência mais longa da E3 e, se você ver o peso dos lançamentos que foram feitos, as 2 horas e meia são completamente injustificadas. É jogar um trailer de lançamento em cima do outro, sem papo nem introdução, que tornou momentos da Microsoft e Sony em eventos fantásticos.

A PC Gaming Show realmente merece o apelido PC Talking Show. Os desenvolvedores que foram chamados são interessantes, mas E3 não é lugar para ficar de "blá, blá, blá". A feira é um espaço para levantar o interesse sobre os jogos e até mesmo "evangelizar" futuros consumidores, que podem decidir qual plataforma irão adotar ao longo das conferências. Se tirarmos as conversas, este evento não durava 30 minutos. Dois gameplays em 2h30 é uma média patética, e a quantidade ínfima de trailers ao menos novos foi deprimente. Papo dos bastidores de desenvolvimento do jogo é interessante, mas precisam estar em um evento condizente, como uma feira de desenvolvedores ou um evento totalmente direcionado, afinal expansões de Guilds of Wars 2 são algo que os gamers deste jogo querem ver, mas é praticamente o mesmo que aplicar um sonífero poderoso na veia de todos os demais que acompanham o evento.

As coisas foram um tanto atrapalhadas 

Uma mensagem de esperança
Há um lado bom nesse evento. Ele é um marco, um indicativo de que os games em PC começam a se organizar para ter uma participação marcante na E3, e isso é importante para um segmento da indústria dos jogos que é tão - e potencialmente até mais - lucrativo que os consoles.

Com este tipo de evento se mantendo, os desenvolvedores podem começar a se direcionar da mesma forma como fazem nos videogames. "Tem o evento de PCs na E3, acho que posso aproveitar para mostrar algo do meu jogo lá!". Com este pensamento, os criadores dos jogos podem se preparar para trazer algo novo, seja trailer ou gameplay, e de preferência algo com mais impacto. Muito do que foi mostrado na PC Gaming Show foi requentado de outras conferências, ou trailers genéricos e desinteressantes, alguns até antigos.

Não deixo de aplaudir a iniciativa da AMD, Bohemia Interactive, da PC Gamer e de todos os demais que se esforçaram para que este evento acontecesse. Mas quero mais, e todos dessa indústria - inclusive pessoas que estão sendo criticadas indiretamente nesse artigo - merecem mais. Ano que vem, sonho com algo maior, e com discussões que incluem a "PC Gaming Show 2" como um potencial melhor da E3, sem medo algum de disputar com a conferência de fabricantes de consoles.

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Menos papo e mais jogo já vai nos colocar no caminho certo. 

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  • Redator: Diego Kerber

    Diego Kerber

    Formado em Jornalismo pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), Diego Kerber é aficionado por tecnologia desde os oito anos, quando ganhou seu primeiro computador, um 486 DX2. Fã de jogos, especialmente os de estratégia, Diego atua no Adrenaline desde 2010 desenvolvendo artigos e vídeo para o site e canal do YouTube

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