Hyperdimension Neptunia Re;Birth1: A primeira "análise otaku" do Adrenaline

Parabéns, você é um "beta tester"! Brincadeira. Mas, exageros à parte, essa é a primeira análise de um jrpg feito por japoneses para japoneses que fazemos aqui no Adrenaline. "Ah, mas e o Pokémon X/Y?" Jogos de reconhecida popularidade mundial como este ou Final Fantasy não contam! Afinal de contas, estou falando de Hyperdimension Neptunia! Rapaz, o nonsense pelo qual os japoneses são tão famosos é bem forte nesse título...

E a análise é feita aqui, nas Colunas, por ser "extra-oficial" e pra me dar mais liberdade para brincar na hora de falar de um jogo com temática tão bizarra... Então, caros oniichans e sempais (talvez neesans também, mas acho difícil), vamos a ela: "colunálise" de Hyperdimension Neptunia Re;Birth1!

História Maluca

Com um nome grande e que não faz o menor sentido, como manda a regra dentro desse gênero, esse título, na verdade, é um remake da sua versão exclusiva para PS3, lançada em 2010 pela Idea Factory e desenvolvida pela Compile Heart. O jogo, e anime e tudo mais que eles conseguirem inventar pra capitalizar em cima, se passa num mundo chamado Gamindustri. "Hahaha, que nome tolo, parece 'game industry', que distraídos!" Mas é de propósito, amiguinho. O título se ambienta na indústria dos games porque ele ilustra as famigeradas "console wars"! Agora chamou sua atenção né? 4 entidades divinas do fanservice chamadas CPUs (Console Patron Units, pensou que fosse outra coisa né?) estão lutando pela dominância de Gamindustri. São elas, da esquerda para a direita:

Neptune, a Purple Heart, deusa de Planeptune e protagonista do jogo | Vert, a Green Heart, deusa de Leanbox | Noire, a Black Heart, deusa de Lastation | Blanc, a White Heart, deusa de Lowee

E se já não ficou óbvio o suficiente: Lastation = Playstation; Leanbox =  Xbox; Lowee = Wii e Planetpune = Neptune. (oh!)

Mas ok, o que diachos é um "Neptune"? Este console foi uma ideia esquisita da Sega de fazer um Mega Drive com um 32X embutido já de fábrica. Mas ok, o que diachos é um "32X"? O 32X era um add-on que você acoplava ao seu Mega Drive para jogar cartuchos 32 bits. Quando o 32X parou de ser fabricado, todo o projeto do Neptune foi cancelado e ele nunca chegou a ser lançado.

O pessoal da Compile Heart, marotos que são, escolheram esse console cancelado e meio desconhecido de uma desenvolvedora que já não faz mais vídeo games para ser o protagonista. Por que? Por causa da história! Logo no começo do game, as outras 3 deusas recebem uma dica de uma voz do além para se juntarem contra Neptune, e ela é "chutada" para fora do mundo das CPUs, caindo na terra e perdendo sua memória. No paraíso ficam apenas as representantes da Nintendo, Sony e Microsoft. Sacaram? ;)

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Chegando ao mundo dos humanos, Neptune é encontrada sem memória por Compa, cujo nome é vem da desenvolvedora, Compile Heart. As duas buscam juntas recuperar as lembranças da protagonista, o que vai logo levá-las a aventuras cada vez maiores e mais importantes, sempre guiadas pela narradora e "voz da razão" do jogo, Histoire.

Ao longo de sua jornada, as duas encontram uma terceira personagem para a equipe inicial, IF. Sim, o nome dela é "IF". Vem de Idea Factory, a produtora do game.

Eventualmente outros personagens se juntam ao time, e saem e voltam... Não vamos entrar em detalhes aqui para não haver spoilers. :)

Jogabilidade Melhorada

No lançamento original de Hyperdimension, uma das principais críticas contra o jogo foi a sua jogabilidade nas lutas, que era um tanto quanto desajeitada e tediosa no geral. O remake, entretanto, traz a jogabilidade aprimorada nos títulos seguintes que é bem divertida e, de maneira até surpreendente, um tanto complexa!

 

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As lutas são por turnos, no melhor estilo JRPG (eta, saudade viu...), mas as personagens têm movimentação livre. Na sua vez, você pode posicionar sua guerreira onde quiser, para então escolher se vai atacar, usar uma SP Skill (magia, basicamente), usar um item, uma habilidade EXE, fugir da luta ou, se transformar (henshin)! Apenas Neptunia pode se transformar, no caso, e assumir sua forma Purple Heart.

Dentro dos ataques há três tipos: guard break, power e rush. Os dois primeiros são auto-explicativos. O Rush é um ataque de força média que ajuda a aumentar mais rápido a barra de EXE. Essa barra permite suas personagens realizarem habilidades alternativas, que não gastam energia. Quanto maior o nível, melhores habilidades podem ser usadas. A luta fica ainda mais complexa, então vamos parar por aqui que já deu uma boa noção de como se dão as coisas. Vocês sabem que japoneses adoram deixar tudo muito complicado.

Essa camada de complexidade, que na verdade é bem-vinda por qualquer entusiasta de JRPG, infelizmente perde muito do seu brilho pela facilidade do jogo. Com algum level grinding, o jogador mal vai precisar se preocupar em descobrir as melhores táticas e vai vencer os monstros sem dificuldade... E de um jeito kawaii.

Gráficos estilo anime = desenhos caprichados + uma boa dose de fanservice

Gráficos não são muito o forte deste game. Apesar de alguns lindos desenhos, cheios de detalhes e capricho, a maioria é só isso: desenhos, estáticos. O game abusa do estilo "novel", popular no Japão e a alegria de designers que não precisam ficar bolando milhares de animações em 3D. Basta colocar uma personagem do lado da outra, virada de frente pro jogador e ocasionalmente mudar a expressão delas e pronto! A história já pode ser contada. Claro que é só não esquecer de adicionar "partes balançantes" como, por exemplo... Cordinhas da blusa?

 

Nos momentos de explorar as dungeons, pelo menos, o jogador tem o visual 3D e assume o controle das personagens. Os gráficos não impressionam nessa hora, mas ainda são bonitos e bem desenhados. 

E claro, como não podia faltar, há o fanservice. O recurso é meio baixaria, mas está entre um dos favoritos para os otakus de plantão e o jogo até tira sarro da sua própria dose de closes em partes volumosas (às vezes nem tanto) das meninas. Tira sarro, mas não deixa de fazer, danadinho.

Gente, pega leve...

Vozes fofinhas e cheias de nhénhénhé

A dublagem nesse tipo de jogo acaba se tornando um ponto muito importante, principalmente para as partes das novels. E, neste caso, os sempais vão querer me crucificar, mas eu fui obrigado a desistir do áudio original.

Não só em JRPGs, mas em qualquer jogo, sempre prefiro optar pelo áudio original, é como o game foi idealizado, afinal de contas... Mas em Hyperdimension o esforço das meninas em afinar a voz e soarem fofinhas e kawaii é tanto que beira o insuportável. Os otakus mais hardcore de plantão podem até curtir, mas para ouvidos normais todo o nhénhénhé cansa bem rápido


Sério, para...

A dublagem em inglês, por sua vez, é boa, mas corta um pouco do clima do jogo. Apesar das vozes serem até gostosas de ouvir e as dubladoras serem tão articuladas que poderiam dar cursos de idiomas, a ambientação acaba sendo prejudicada. Elas até tentam um kawaii de vez em quando, e às vezes conseguem, mas muitas outras dá até vergonha alheia...

Conclusão épica!

Antes de mais nada quero agradecer a todos que chegaram aqui. Foi uma longa jornada, mas eis que concluímos a primeira "colunálise otaku" do Adrena.

Hyperdimension Neptunia Re;Birth1 é um jogo divertido e leve, que garante algumas horas de diversão sem o desgaste do jogador.

As personagens são divertidas e cativantes e um pouquinho de fanservice não vai mal pra aquecer os corações dos mais carentes... O jogo não é nada perfeito, nem de longe, mas sua temática inusitada e a chance de jogar um JRPG no nostálgico estilo de turnos fazem deste um título que merece uma chance.


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  • Redator: João Gabriel Nogueira

    João Gabriel Nogueira

    João Gabriel Nogueira se formou em jornalismo pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) em 2015 e curte games desde muito antes. Começou com o Master System e o gosto pelos jogos eletrônicos trouxe o gosto pela tecnologia. Escrever notícias e análises de jogos, hardware e dispositivos móveis para o Adrenaline, além de trabalho é uma alegria e um aprendizado.

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