Quem liga para gráficos? The Last Door é o game para quem quer jogar com a imaginação (e os ouvidos)


Faz tempo, parece que o que realmente importa são os grÁficos, e eles dominam as discussões sobre games. Que rodar o jogo com alguns pixels a menos é motivo de escândalo e qualquer coisa incapaz de rodar Tessellation é um aparelho jurÁssico. Nossos olhos são tudo no mundo dos jogos.

Se você caiu nesta armadilha, neste mundo onde obrigatoriamente as placas de vídeo custam mais da metade do orçamento do computador, um jogo que estÁ na contramão desta tendência pode ser uma boa pedida para readquirir as perspectivas das coisas: The Last Door.


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O game chegou esta semana ao Steam, com preço de R$ 20, mas jÁ estÁ hÁ mais tempo por ai. Desenvolvido pelo estúdio independente the game kitchen e movido à base de crowdfunding, o jogo "virou jogo" graças ao entusiasmo de pessoas que definitivamente não queiram Call of Duty mais do mesmo.

Começar a jogar este game é desorientante. Acostumados a cada vez mais caminhar para o fotorrealismo, você cai em um mundo onde as coisas estão em FullHD HD 480p  360p VGA Mas que porra uma resolução que apanha até para Another World, de 1991. A resolução é tão, TÃO baixa, que nos temos até que voltar a usar uma coisa que anda meio em desuso: a imaginação.

A falta de informação visual é tão grande que, em alguns momentos, me assustei com o que aparecia na tela. Nem tanto pelo susto em si, mas mais pela minha dificuldade de entender o que estava em minha frente. O jogo cria uma atmosfera que, mesmo você tendo CERTEZA que nada no cenÁrio vai te matar, rola uns cagaços.

Com um gameplay muito focado na história, não temos as expressões faciais dos personagens para nos auxiliar na hora de ver suas emoções. Mais que isto, nem vemos seus rostos nos seis ou sete pontos  utilizados para os formar. O resultado é que nos vemos obrigados a "preencher as lacunas", com um efeito muito interessante: meu Jeremiah Devitt, o protagonista da história, é diferente do Devitt de outro jogador. Cada mente verÁ a cena e os personagens de forma única.


The Last Door se apoia principalmente em seu enredo e sua "atmosfera". Com um ar fúnebre, que remete muito a autores como Edgar Alan Poe e as constantes referências a morte e a corvos, o jogo segue o estilo clÁssico dos point-and-click, onde você resolve puzzles e avança no enredo. Por mais que me doa ao dizer isto, eu não tento muito mais que 5 minutos para recorrer a um detonado se fico preso em alguma parte. Minha ansiedade em avançar na história é muito maior que meu orgulho gamer.

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Enquanto os grÁficos só oferecem o mínimo necessÁrio para você saber o que estÁ acontecendo, a trilha sonora é impressionante. Com composições próprias em um estilo clÁssico, que casa muito bem com um jogo tematizado no final do século XIX, muito da graça do jogo estÁ focada na audição. As trilhas embalam e te deixam "no clima" da história e do que acontece na tela, enquanto efeitos sonoros ajudam na construção da cena que sua mente estÁ fazendo. Enquanto a falta de pixels na tela dificulta entender que você estÁ em um porão ou uma praia, os efeitos de ondas e de goteiras com eco te trarão uma imersão diferente daquela que estamos acostumados no mundo dos eye candys.

Falando em Áudio, tenho uma recomendação/ordem: JOGUE COM FONES. Muito da experiência se perde se você não usar um bom fone de ouvido para mergulhar na história, e se isolar do resto do mundo.


Por conta disto, definitivamente eu recomendo este jogo para sair da mesmice dos games modernos e superproduções de alto orçamento. Voltar ao mundo dos poucos pixels, e fazer nossos ouvidos e imaginação trabalharem mais, são ótimas pedidas para quem quer algo diferente para jogar. O game estÁ disponível no Steam, com alguns extras disponíveis apenas nesta versão paga. Mas se não quer abrir a carteira, não tem problema. DÁ para jogar de graça através deste link, direto do navegador, sem custo algum, e sem comprometer a experiência com o game. Basta apertar F11 e sair jogando. Satisfação garantida, ou seu dinheiro de volta.

Em tempo: nada contra games com ótimos grÁficos, também sou fã de ver placas de vídeo trabalhando. Mas é sempre bom ver algo sendo feito diferente.

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  • Redator: Diego Kerber

    Diego Kerber

    Formado em Jornalismo pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), Diego Kerber é aficionado por tecnologia desde os oito anos, quando ganhou seu primeiro computador, um 486 DX2. Fã de jogos, especialmente os de estratégia, Diego atua no Adrenaline desde 2010 desenvolvendo artigos e vídeo para o site e canal do YouTube

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