Lista Adrenaline: Os inimigos que mais nos infernizaram nos jogos

Na coluna de hoje vamos reviver nossos terrores do passado. Buscamos no fundo da memória de cada um aquele adversÁrio que infernizou sua vida gamer, às vezes até tornando o jogo "inzerÁvel". Confiram nossos pesadelos nostÁlgicos e não deixem de revelar quais foram os seus!

  • Dopefish | Commander Keen: Goodbye Galaxy
Diego Kerber (@kerberdiego)

Meu trauma é bem antigo, e tem uma aparência patética. Este gigantesco peixe deu as caras em Commander Keen, game desenvolvido pela id Software (antes de mudar o mundo dos games em PC com Wolfenstein e Doom). Em Goodbye Galaxy, o quarto game da franquia, existe uma boa diversidade de mundos, e em um deles temos uma jogabilidade embaixo d'Água. E é lÁ que começa meu martírio.

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O gameplay nesta fase fica mais lento, e o Keen acelera de forma gradativa. Neste contexto, este peixe de olhos esbugalhados te persegue e tenta te engolir, como acontece neste trecho deste vídeo. Como a aceleração é gradativa, teimei com acelerar o mÁximo para tentar passar por ele. Com apenas 6 anos de idade e pouquíssimos jogos no currículo, e numa época em que pesquisar "walkthrough na internet" me traria duas dúvidas (não saberia o que é walkthrough porque não falava inglês, e não saberia o que é internet porque ela ainda estava "engatinhando" nestes idos de 1994), não consegui descobrir que era só se esconder entre as algas para que ele errasse o bote. Aí era só aproveitar o tempo que você ganha com a animação estranha do personagem e cair fora.

Para desencargo de consciência, não fui só eu que impliquei com o tal peixei. Ele tem referências em muitos outros games, como Quake, Quake II, Quake III Arena, Battlezone, Daikatana, Anachronox, Max Payne, Hyperspace Delivery Boy!, Hitman 2: Silent Assassin, Red Faction (versão do N-Gage), SuperTux, Congo Cube, Eternal Daughter, Psychonauts, SiN, SiN Episodes: Emergence, Fortress Forever, Sven Co-op, Wacky Wheels... meu caro, ele tem até site oficial.

Emperrei nesta fase, e só não emperrei em todo o jogo por sorte: ele não era linear. A missão do jogo era resgatar monges, e não era preciso salvar todos para fechar a história, o que garantiu que mesmo nunca passando do Dopefish, eu conhecesse o final do game. Ufa.


  • Yellow Devil | Mega Man
João GAN (@joao_gan)

Claro que o meu vilão mais maldito tinha que ter saído de Mega Man... Diferente dos outros chefes do jogo, que têm "consciência" e agem como humanos, apesar de serem robôs, o Yellow Devil não tem mente, não tem rosto, não tem expressão. É só uma massa amarela de punição e dor.

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A tÁtica do monstro se resume a dois ataques. DOIS! Dos quais um é idiota e extremamente fÁcil de desviar, o que deixa apenas um movimento irritante o suficiente para fazer ele aparecer nessa lista. A habilidade de desmontar seu corpo e lançar seus pedaços no Mega Man, dos quais você tem que desviar com pulos de precisão milimétrica e reflexos absurdamente afiados. Não demora muito pra decorar a ordem dos ataques, mas acertar os pulos é um martírio.

Ele me infernizou na infância e, mesmo depois de mais velho, voltou pra me infernizar em Mega Man X5 na sua versão Shadow Devil. Diferente de seu antepassado, o "despedaçamento" de Shadow Devil ataca de maneira aleatória, não dÁ pra decorar. Mas ele não é tão difícil quanto sua versão amarela porque o X e o Zero têm mais recursos para desviar dos ataques. Em Mega Man você só pode contar com seus reflexos mesmo. E sua paciência...


  • Magaki | King of Fighters XI
Luiz F. Menezes (@luizfnmenezes)

Ao contrÁrio dos meus colegas, o meu pior pesadelo veio mais perto da minha adolescência. Depois de zerar quase todos os KOF, em 2005 lançam o King of Fighters XI, e, claro, comprei o mais rÁpido possível. O KOF XI não chega nem perto dos três melhores da franquia, mas eu, que era viciado, estava com fogo nos dedos para jogar essa versão. E foi uma coisa linda: meu time com Vanessa, Shen e Benimaru simplesmente destruía tudo que via pela frente. Até que veio o desgraçado do Magaki.

Para quem não conhece, os chefões da franquia KOF são complicados, mas não são impossíveis. Na verdade, não ERAM impossíveis. Até aparecer esse cara. O produtor do jogo vendeu a alma pra criar esse personagem. Ataques que rancam muito (dão muito dano), especial de tela inteira, movimentos rÁpidos e contra-golpes para todo e qualquer tipo de ataque são coisas normais de chefões de luta. Mas não podia parar por aí! Tinham que colocar um reflexo de 0,0001 segundo e um cooldown de habilidades de 0,00001 segundo! É só começar a luta e a tela começa a piscar rosa e sua vida começa a descer. Conseguiu dar um hit nele? Ele te dÁ um combo no contra-ataque que tira metade da sua vida. Soltou especial? O especial dele é mais rÁpido e cancela o seu. 

Demorei, eu acho, umas 10 batalhas para ganhar do Magaki. Machucou meu ego de viciado em KOF. E depois de vencer, nunca mais coloquei o jogo no meu Playstation 2. Não bastasse me infernizar para zerar, ele ainda me fez cansar do game. Acho que dei o CD para outra pessoa. Ainda bem que ele não voltou a aparecer em nenhuma das versões posteriores: imagina bater  nesse cara (apanhar dele, na verdade) com a jogabilidade piorada dos KOFs da geração passada?

  • Lou | Guitar Hero III: Legends of Rock

Carlos Estrella (@carlos_estrella)

Talvez eu tenha sido a pessoa que estava mais velho quando enfrentou seu pior inimigo. Foi em 2008, quando eu jÁ tinha 14 anos. Sendo o jogador de PC que eu jÁ era na época, não pude experimentar a febre que foram os dois primeiros games da série Guitar Hero. Quando chegou o terceiro (e ele foi lançado para PC), resolvi comprÁ-lo, junto de uma guitarra de plÁstico bem vagabunda.

Depois de escalar por todas as dificuldades do jogo, comecei a jogÁ-lo no Expert. Ele até que começa relativamente fÁcil, mas, conforme vamos chegando perto do último show, a coisa fica complicada. A última apresentação acontece no inferno e, depois de músicas bastante difíceis de Slayer, Iron Maiden e Metallica, o jogador se depara com o grande chefão do game: Lou, o diabo.

Nesse ponto, a música que tocamos é um cover de The Devil Went Down to Georgia, tocado no jogo por Steve Ouimette, o que, por si só, jÁ seria uma tarefa difícil o suficiente. Mas ainda é preciso batalhar com o diabo, que fica jogando "powerups" em você, o que nos atrapalha de diversas maneiras, como dobrar a quantidade de notas ou fazer com que elas fiquem piscando, o que as torna quase impossível de ver. Este vídeo dÁ uma noção do quão difícil é enfrentÁ-lo. Vale notar que a pessoa que estÁ jogando é extremamente viciada.

  • Shin Akuma | Street Fighter Alpha 2

Andrei Longen (@Long3n)

Em mais de 20 anos como jogador, poucas foram as vezes nas quais passei grandes sufocos com inimigos ou chefes super difíceis nos games. Mas eu nunca vou esquecer das infinitas vezes que fui massacrado pelo impiedoso Shin Akuma, em "Street Fighter Alpha 2", quando eu ainda tinha o inesquecível Super Nintendo

As condições necessÁrias para ter a chance de enfrentar Shin Akuma exigiam que, durante as lutas anteriores, eu tivesse acumulado pelo menos 3 rounds perfeitos, sem perder nenhum, e não tivesse usado continues até a hora da batalha. O legal é que era possível escolher qualquer dificuldade para começar; portanto, claro que escolhi a mais fÁcil. Assim, aumentei minhas chances de cumprir os requisitos, cheguei mais rÁpido à batalha e pude, finalmente, ficar cara a cara com Shin Akuma. Só que eu, um garotinho de 9 anos de idade, pensava que tinha habilidades suficientes para enfrentÁ-lo, pois jÁ havia fechado o jogo vÁrias vezes em dificuldades mais altas e não tinha sido muito difícil ou desesperador. E mesmo jÁ ter sido avisado por amigos que Shin Akuma era o inimigo mais temido e poderoso do game, resolvi ver qual era e, levando em conta que o jogo estava na dificuldade mais baixa, a batalha poderia, quem sabe, ser consideravelmente tranquila.

Ledo engano: não me lembro de nenhuma outra ocasião no mundo dos games em que eu tenha apanhado de uma forma tão cruel, traumatizante, automÁtica, sistematizada, apelativa e avassaladora. Não importava o que eu fizesse, eu costumeiramente perdia de Perfect ou apenas conseguia atingi-lo com alguns meros soquinhos ou chutes, muitas dessas vezes na sorte ou no ato de desespero de ter que apertar trocentos botões para ver se algo milagroso acontecia. Meus especiais e tÁticas de ataque e defesa manjados e vulnerÁveis eram bloqueados, contra-atacados, eram mais lentos e não surtiam efeitos significativos contra o adversÁrio. Em compensação, Shin Akuma era muito veloz no deslocamento, super Ágil no input dos golpes e aproveitava todos os meus deslizes para soltar combos que terminavam com especiais que tiravam cerca de 75% da energia dos meus personagens de uma só vez, resultando em derrotas consecutivas inesquecíveis.

Como a nova geração da época (Saturn, Playstation e Nintendo 64) jÁ ditava as regras desse universo, eu logo troquei o SNes pelo videogame da Sony (a minha escolha mais acertada até hoje) e fiquei, assim, com a frustração gamer de nunca ter conseguido derrotar Shin Akuma. Eu até cheguei a ter "SF Alpha 2" no Playstation, mas nunca realmente me empolguei com a possibilidade de voltar a enfrentÁ-lo. Acho que foi uma combinação de falta de coragem e traumas herdados anteriormente. Mas nada disso impediu "Street Fighter" de ser a minha franquia de luta favorita desde que experimentei "Street Fighter II", num arcade num minimercado do lado de casa, em 1994.




Estes são os nossos nêmesis (que por sinal, é nome de outro vilão que deve ter aterrorizado alguns gamers). E vocês? Quem foi o arqui-inimigo dos jogos que atrapalhou sua vida? Aproveitem a caixa de comentÁrios, e façam uma terapia coletiva, relembrando e superando os traumas!

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