Os smartphones mais inovadores

Vida Digital

Diego Kerber

O conceito de inovador é bem perigoso, pois cada um entende de um jeito. Como não quero entrar em polêmicas em duas colunas consecutivas, jÁ vou avisando que fiz uma lista com o seguinte critério: separei os smartphones que achei mais inovadores por liderarem tendências ou mudarem rumos da indústria.

Muitas vezes, o inovador nem traz coisas novas. Ele junta uma série de tecnologias e conceitos jÁ conhecidos, mas os combina de uma forma eficiente nunca feita antes. Outros são os inovadores porque são os primeiros, e lideraram um novo fluxo, sem necessariamente terem se tornado um sucesso, por conta disto. Vamos a minha lista: 

IBM Simom (1994)

Nosso primeiro aparelho da lista é o quase paleozóico Simon, da IBM. Com o legítimo formato tijolão, o "smartphone" vinha com incríveis 1MB de armazenamento, e com o sistema Dataligh ROM-DOS. Tinha alguns recursos interessantes, como calendÁrio, agenda de compromissos e um modem que possibilitava, entre outras coisas, receber e-mails e até fax (link aqui para quem não conhece esta tecnologia).

O mais notÁvel, porém, é outro recurso que se tornaria dominante na indústria, mas só uns bons anos depois: o IBM Simon possuía uma tela sensível a toques. Outra inovação era a possibilidade de instalação de aplicativos, apesar que o recurso foi bem pouco usado: apenas um aplicativo foi criado, o "DispatchIt", com preço incrível de US$ 2.999 para o computador host da aplicação e um adicional de US$ 299 para cada aparelho Simon em que ele fosse instalado.

BlackBerry 850 (1999 - Review aqui)

O aparelho é o primeiro smartphone da BlackBerry, e abriria a série de dispositivos que foram sinônimo de "celular inteligente" no começo da era destes gadgets. Apesar de usa tela monocromÁtica bem limitada, ele jÁ era capaz de navegar na internet (dentro do possível) e acessar e-mails. JÁ  trazia a marca registrada da empresa canadense: o teclado QWERTY.

Ericsson R380 (2000)


O R380 tem pequenos detalhes que o tornam notÁvel. Equipado com o sistema EPOC, que daria origem posteriormente ao Symbian, o aparelho foi considerado revolucionÁrio por ser o primeiro a agregar funções sem comprometer sua portabilidade (quer dizer, para os padrões do que é portÁtil dos anos 2000).

Mas entre todas suas características, uma é a mais marcante: seu marketing. O Ericsson R380 foi o primeiro a ser chamado de "smartphone". 

Nokia 7650 (2002)

Este aparelho da Nokia faz parte série 7000, grupo de aparelhos que a finlandesa utiliza para seus aparelhos com dispositivos exóticos e produtos conceituais. O que torna o 7650 marcante é que nele temos a estreia do sistema Symbian, líder de mercado durante a "primeira era" dos celulares inteligentes.

Para um estreante, o 7650 não estava mal de recursos: possuia câmera (de 0.3MP), Bluetooth, acessava e-mail e era compatível com aplicativos Java. Mas em hardware, era bem modesto: com um processador de 104MHz, tela com resolução de 176 x 208, e bateria de 600mAh. E era preciso rebolar para manejar os arquivos, pois ele possuia apenas 4MB de memória interna, sendo que apenas 3.6 estão disponíveis para o usuÁrio. Como você jÁ devem ter adivinhado, não servia como MP3 player.

Nokia N-Gage (2003)

Este aparelho entra na nossa lista dos aparelhos que compreendiam uma tendência de mercado, mas não souberam aproveitÁ-la. O N-Gage era um celular de olho em games, com mudanças no seu design para especializÁ-lo nesta função. O problema da Nokia foi esbarrar em graves limitações: poucos games e baixa qualidade grÁfica, por conta de seu hardware limitado (CPU novamente de 104MHz). 

O N-Gage foi um fracasso comercial, com a Nokia declarando o envio de 400 mil unidades, mas relatórios afirmam que apenas mil unidades foram vendidas em todos os Estados Unidos. Seu formato exótico virou motivo de piada, pois a empresa finlandesa colocou muito da prioridade estética para os games, e acabou tornando ele em um smartphone pra lÁ de esquisito, consolidado no deboche do side talking. Por sinal, ele figura em nosso Top 10: Os maiores fails da tecnologia.

Com o crescimento dos games nos smartphones, que resultou no surgimento de gigantes como a Rovio e a King, mostram que a Nokia não estava errada em sua aposta. Só executou muito mal.

Apple iPhone (2007) 

A maioria dos aparelhos desta lista estão "abertos para discussão", porém o iPhone é o mais difícil de todos de ser excluído do grupo. É indiscutível o impacto que o lançamento deste produto trouxe para a indústria de celulares como um todo, que era isto antes dele, e virou isto depois.

Todo o conceito de apps centralizados em uma loja e interações baseadas em tela sensível a toques, que se tornaram um padrão em todos os smartphones, foram consolidados neste dispositivo. Claramente, a Apple definiu muito do que são "celulares inteligentes" ainda hoje, 7 anos depois de seu lançamento. 

Galaxy Note (2011 - Review aqui)

Se por um lado temos a Apple, que define o design ideal para seus consumidores e foca neste formato, a Samsung ataca de forma oposta: lança produtos em praticamente todos os formatos e tamanhos e espera ver o que acontece. Nas excentricidades que saíram destas tentativas diversas, uma acabou virando o produto símbolo de uma tendência atual do mercado: as telas maiores.

Recebido por muitos como "trambolho que só o mercado da Ásia estava interessado", o grande Galaxy Note chamou a atenção por desafiar o conceito de portabilidade, com proporções enormes por conta da tela de 5.3" que o tornaram difícil de ser manuseado com uma mão, por exemplo. 5 polegadas podem não parecer muito hoje, mas nos idos de 2011 o mais comum eram as telas de 4 polegadas, como o presente o Galaxy SII e o no Motorola Atrix.

Além de abrir o filão dos phoblets, phablets, fablets ou, como prefiro, os smartphonões, a linha Note se tornou um sucesso comercial tão grande que passou perto até mesmo dos principais modelos da Samsung, a linha Galaxy S

Galaxy S3 (2012 - Review aqui)

Muitos de vocês nem aguentam mais falar da briga Samsung vs Apple. Pra quem lembra quando a treta começou, um dos grandes pivôs deste rolo foi o Galaxy SII. Acusado de ser muito semelhante ao iPhone, o aparelho rendeu esta chuva de processos entre as duas empresas. Por isto o Galaxy S3 acabou se tornando um aparelho tão importante: representou para a empresa coreana sair do estigma de "copiadora da Apple" para se tornar a principal líder do mercado Android, consolidando a marca Galaxy.

Mais do que somente um hardware diferente e poderoso, o Galaxy S3 teve um ótimo timming: equipado com o sistema Android 4.0, codinome Ice Cream Sandwich, pegou o sistema que na minha opinião foi o momento no qual enfim o sistema da Google ganhou maturidade o suficiente para disputar pesado com o sistema da Apple, alcançando ou superando o iOS (aí fica por seu critério definir qual dos dois).

Por este motivo, juntando o hardware da Samsung e o software da Google em seu melhor momento, tenho a impressão de ser o Galaxy S3 o ponto onde acontece a grande mudança do sistema Android, onde ele se tornou o mais popular do mundo. A eficiência do S3 acabou sendo corroborada por seus sucessores: tanto o Galaxy S4 quando S5 não deixam de ser melhorias "incrementais" sobre o S3.

Moto X (2013 - Review aqui)

O smartphone mais recente da nossa lista traz uma tendência que estÁ só começando: o uso de sensores sempre ativos e interações automatizadas que vão além do uso da tela sensível a toques. O Moto X estÁ entre os aparelhos melhor avaliados do Adrenaline, e tem como grande destaque um núcleo de processamento sempre ativo, "prestando atenção" no que acontece em torno do aparelho.

Com isto, o Moto X consegue ser bastante reativo, recebendo instruções por voz mesmo com a tela bloqueada, percebendo quando foi tirado do bolso e acionando por isto a tela e também abrindo a câmera quando balançado. Estas são apenas as primeiras interações diferenciadas que os smartphones trazem neste campo, e a tendência é que mais soluções deste tipo surjam, explorando principalmente os serviços de comandos por voz e também automatização de ações, por parte do smartphone.


Estes são alguns dos aparelhos que consegui descobrir ou dos quais lembro. Alguém lembra de mais algum notÁvel, desta classe de gadgets?

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  • Redator: Diego Kerber

    Diego Kerber

    Formado em Jornalismo pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), Diego Kerber é aficionado por tecnologia desde os oito anos, quando ganhou seu primeiro computador, um 486 DX2. Fã de jogos, especialmente os de estratégia, Diego atua no Adrenaline desde 2010 desenvolvendo artigos e vídeo para o site e canal do YouTube

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