Os Foblets estão aí para te confundir

Foi-se o tempo em que nós sabíamos distinguir um smartphone de um tablet. Com até 5 polegadas, smartphone. A partir de 10 – e depois 7 -, tablet. Agora, um novo conceito surgiu no mercado para te deixar em dúvida se determinado aparelho é um smartphone do tamanho de um tablet ou um tablet que faz ligação. São os chamados Foblets (ou phablets/fablets).

Com tamanhos que variam dentro da escala "ridículo para colocar na orelha e atender uma chamada", os foblets podem suprir uma demanda talvez esquecida até então: a daqueles que não querem só um tablet ou não estão satisfeitos com "apenas" 5 polegadas de tela.

Mas... vale a pena arriscar? Tudo depende da frequência com que você utilizar o aparelho e do uso que vai fazer dele. Nós testamos aqui no Adrenaline dois foblets. Um é o Fonepad 7, da Asus, que nessa coluna serÁ o "tablet que faz ligação". O outro é o Xperia Z Ultra, da Sony, nosso "smartphone do tamanho de um tablet". A partir dos dois aparelhos surgiram essa "anÁlise".

A usabilidade pode ser inversamente proporcional ao tamanho: quanto maior, menos prÁtico para usar. E a praticidade começa com a forma como você carrega seu aparelho. Uma pesquisa empírica sugere que pelo menos 80% das pessoas transportam seu smartphone no bolso. Agora, imagine carregar um aparelho a partir de 6 polegadas. Dois dedos da tela ficam para fora tranquilamente e pode ser um desconforto até para andar, sentar, agachar. É o caso do Xperia Z Ultra, porque o Fonepad 7 é um tablet e não colocamos tablets nos bolsos.

Não sendo prÁtico, o ideal seria carregÁ-lo na mochila ou bolsa. E para atender ligações, ao invés de tapar a sua cara, utilizar fones de ouvido. Não parece tão trabalhoso. Até você considerar que nem sempre vai estar acompanhado de um acessório no qual você possa transportar o seu foblet. Correr, ir à academia, dar um pulo no bar da esquina são algumas dessas situações.


Se o conceito pegar, é possível que os usuÁrios dispensem essa praticidade e portabilidade para ter em mãos uma tela maior – e telas maiores são legais, concordo. Porém, ainda prefiro que tablets sejam apenas tablets (com suas 7 e 10 polegadas) e smartphones, smartphones. Até porque, ao utilizar um tablet que faz ligações (que vai custar mais por isso), você precisa colocar seu chip SIM nele. E, a não ser que opte por transportar o gadget maior para todo lado ou privar seu uso em alguns momentos, serÁ necessÁrio ficar mudando o chip do tablet para o celular. Trabalho demais.

As especificações também se confundem. Vão ser mais parecidas com tablets ou smartphones? Ou vai haver um novo hardware para esse nicho? Talvez, com os dois. O Xperia Z Ultra, por exemplo, possui processador Snapdragon 800, comum nos smartphones topo de linha. Porém, sua câmera é de 8MP sem flash. E a falta de flash é característica dos tablets. Se ele pegou esse mal dos irmãos maiores, a bateria foi uma aquisição bem vinda. Ela dura até dois dias e meio com uso frequente.

Esse misto nas configurações reforça o papel do foblet como um intermediÁrio entre uma coisa e outra. Sobre o uso, nem as empresas parecem estar certas para que ele serve. Elas apenas divulgam o que o aparelho é capaz de fazer e não em quais circunstâncias. Parece uma tentativa de emplacar algo no mercado e esperar que os usuÁrios definam quais vão ser as suas vantagens, e qual a sua usabilidade. E isso jÁ aconteceu antes. O Galaxy Note, com tela a princípio exagerada, conseguiu consolidar toda uma nova categoria de aparelhos.

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E você? O que acha desse novo conceito?

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  • Redator: José Hüntemann

    José Hüntemann

    Jornalista formado pela Universidade Federal de Santa Catarina, é fascinado por inovações tecnológicas. Gosta de internet, redes sociais, mobiles e futuro dos vestíveis. Mas o que mais lhe impressiona é a tecnologia que busca melhorar a vida das pessoas e não serve apenas como mero acessório. Nos games, é um zero à esquerda, mas está no pódio no campeonato de Just Dance da redação.

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