Reaper of Souls coloca Diablo III de volta no rumo certo, mas meio tarde e por um preço alto

Depois de uma breve olhada na primeira expansão de "Diablo III", "Reaper of Souls", lÁ na Blizzcon, recebemos uma key para jogar o beta fechado do game, com mais tempo para perceber as mudanças. O game vem se remodelando desde seu lançamento, e mais do que simplesmente expandí-lo, "Reaper of Souls" precisa rebalancear as coisas para contornar as críticas que o mais novo jogo da consagrada franquia "Diablo" vem enfrentando. E, de forma geral, vejo avanços.

Em alguma extensão, a Blizzard parece enfim perceber que uma parte importante da experiência de "Diablo" é a exploração e a busca por itens, e estÁ alterando o jogo para melhorar este aspecto. Além do fim da Casa de Leilões, que transformou a busca por um novo item em uma experiência quase tão frustrante como os malditos free-to-play e seu pay-to-win (pague para vencer), ao invés daquela "sensação Kinder Ovo" de derrubar um monstro e dele surgir um item incrível (ou outro quebra-cabeças). Por sinal, se ainda pretende comprar itens, é melhor correr: a Casa de Leilões sai do ar no dia 18 de março.

A pilhagem (o tal loot 2.0), por sinal, também ganhou ótimos ajustes. Como não temos mais a Casa de Leilões, encontrar itens nos inimigos se tornou (novamente) a forma primÁria de "caçar itens", e a Blizzard trouxe ajustes interessantes para facilitar a vida dos jogadores. Agora hÁ uma frequência maior de itens úteis sendo dropados, seja caindo mais armas compatíveis com sua classe ou de melhor qualidade, acabando com aquela terrível sensação de que você nunca ia achar algo legal nos loots e que o jeito era apelar para a Casa de Leilões. Itens lendÁrios não são mais "tão lendÁrios assim", e você pode encontrÁ-los sem tanta dificuldade no mapa.

A percepção da Blizzard em torno da importância da exploração do game fica evidente nas Rifts, cenÁrios gerados aleatoriamente com um chefão em algum lugar. Além de normalmente trazer boas recompensas, este modo virou um prêmio de consolação para os fãs das coisas "como no tempo de Diablo II", onde você precisava descobrir o cenÁrio, ao invés de uma seta constantemente ficar te dizendo onde você deve ir. Hoje em dia, nada apavora mais desenvolvedores de games do que a perspectiva de que seus jogadores fiquem na dúvida de onde devem ir, mesmo que seja por 10 milissegundos. Uma pena, tentar descobrir o caminho era parte do desafio (e da graça) no game anterior.

O game também faz o que o nome "expansão" sugere: novos atos, um novo personagem e novas habilidades. Além do Cruzado e da adição de um novo Ato, as demais classes também receberam novidades, com inclusão de mais habilidades disponíveis com o novo "teto de nível" do jogo: o level 70. Na expansão também surge uma nova classe de artesã: a Mystic. Ela tem a capacidade de mudar a aparência dos itens, e também adicionar novas características aos seus itens, duas capacidades que considerei muito interessantes, pois enfim dÁ para pegar seu item e deixar "do jeito que você quiser".

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Outra novidade interessante é a mudança da dificuldade do jogo: esqueça a necessidade de fechar o jogo em diferentes níveis. Agora, o jogo se adapta automaticamente à força do seu personagem, mantendo o desafio constante. Se não achou seus inimigos fortes o bastante, basta abrir o menu e aumentar a dificuldade. Gostei desta nova forma.

Como faz em vÁrios de seus games, a Blizzard dÁ importância aos componentes sociais de seu jogo, e estÁ adicionando dois novos recursos: os Clãs e as Comunidades. O primeiro funciona da forma tradicional presente em outros jogos, onde os grupos são formados e você é integrado a um deles (e somente um). A Comunidade é mais permissiva, e poderÁ reunir pessoas de acordo com diversos critérios, sendo que você pode fazer parte de quantas comunidades quiser. 

"Diablo III: Reaper of Souls" chega em 25 de março e traz a seguinte questão: com valor bem próximo de um jogo completo, por 79 reais, a expansão faz apenas o que sugere: amplia "Diablo III", pelo qual "jÁ pagamos", e além disso, faz correções que, no final das contas, queríamos desde o começo. Poderiam, assim, ter evitado a recepção bastante negativa com o jogo original. Se vale a pena desembolsar tudo isto por ele, são vocês que irão decidir com suas carteiras.

Em vÁrios aspectos, acho que a franquia tomou um rumo melhor, mas talvez seja tarde. Neste mundo de patches e correções de bugs que domina as produtoras, ainda acho que os games só têm uma chance de serem lançados direito. O resto é remendo. É respeitÁvel a ação da Blizzad em corrigir o game baseado na experiência e feedback do público, mas trazer algumas destas melhorias e novidades em uma expansão com preço de jogo novo ficou fora do que considero justo.

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  • Redator: Diego Kerber

    Diego Kerber

    Formado em Jornalismo pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), Diego Kerber é aficionado por tecnologia desde os oito anos, quando ganhou seu primeiro computador, um 486 DX2. Fã de jogos, especialmente os de estratégia, Diego atua no Adrenaline desde 2010 desenvolvendo artigos e vídeo para o site e canal do YouTube

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