Path of Exile: o game para os órfãos de Diablo II

Vou começar esta coluna deixando uma insatisfação bem clara: não gosto das mudanças de Diablo III. O terceiro game da querida franquia de PCs simplificou a administração dos personagens de formas que não me agradaram, o jogo ganhou um ritmo mais "action" e o visual no estilo World of Warcraft, muito colorido, faz com que eu entenda a evolução da série, que começou tão sombria no primeiro game, desta forma:


HÁ muitos que gostam de Diablo III (afinal, são em média 2.1 milhões de jogadores diÁrios online) e possivelmente discordam de mim. Agora, se você também compartilha desta opinião e preferia as coisas no "estilo de Diablo II", mas também não aguenta mais iniciar seu décimo personagem no mesmo game, uma desenvolvedora independente pode resolver sua questão.

Path of Exile é um jogo indie desenvolvido pela Grinding Gear Games, estúdio formado por "fãs de RPG infelizes com a falta de títulos para o gênero". O game estÁ disponível em seu site e também no Steam, por um preço muito bom: de graça.

Na maioria dos aspectos, este game não faz esforço nenhum para esconder sua inspiração em Diablo II, sendo que, na dúvida de como se faz algo, basta repetir os mesmos comandos que você faria no game da Blizzard. A chance de dar certo é sempre alta. O jogo segue também o mesmo tipo de missões, no estilo de pegar/matar/achar coisas ao longo de mapas gerados aleatoriamente.

Como todo RPG que se preze, hÁ um conjunto de seis classes com características diferentes, e o jogador pode evoluir seu personagem no transcorrer do jogo. Aqui, meus caros, começam as diferenças entre este game e o clÁssico Diablo II: a "evolução das habilidades", neste game, são as evoluções dos status do personagem, que mesclam elementos que vão dos atributos bÁsicos (neste jogo são força, destreza e inteligência) até adicionais como +10% de dano elemental ou +5% de chance de dano crítico com espadas, por exemplo. Diferente da franquia da Blizzard, você evolui apenas elementos "passivos", que irão adicionar poder aos golpes.

É exatamente nesta evolução do personagem que estÁ o principal elemento que me agrada, comparado a abordagem de Diablo II e até mesmo Diablo III.  A classe de seu personagem determina em qual lugar da ramificação das habilidades você irÁ começar, mas nada impede que você faça um caminho tortuoso e crie um personagem híbrido, com características de outras classes. HÁ liberdade para criar infinitas variantes nas estratégias de seu personagem, e para quem estiver preocupado em se perder, dÁ para simular uma evolução antes de realmente jogar, neste link.


Acho esta parte importante pois, do meu ponto de vista, além do desenvolvimento do character, games como este se resumem a "click click click click". Procurar por itens melhores e explorar o cenÁrio é sim algo importante, mas que enche o saco se o game se limita a isto. Mais do que ficar subindo níveis, o RPG tem como uma das principais recompensas a evolução do personagem, e quanto mais você tiver liberdade para fazer isto, melhor.

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A segunda grande mudança em relação à série Diablo são as magias. Enquanto os golpes especiais estão relacionados à classe em uso e sua skill tree, tanto no Diablo II quanto III, Path of Exile direcionou todos os "especiais" para as pedras. Para que você possa disparar uma magia, como uma bola de fogo, por exemplo, é só adicionar a pedra desta magia a suas armas. Combinações de pedras influenciam na forma como os golpes são usados, aumentando a Área de dano, por exemplo.


Em outras características, como por exemplo na apresentação, o game não decepciona. Os grÁficos estão em uma boa qualidade e o Áudio é convincente. Apesar da desenvolvedora "alternativa", os grÁficos sustentam muito bem a experiência com o jogo, com um nível acima da maioria dos games free-to-play disponíveis.

Confira nossas primeiras impressões de Diablo III: Reaper of Souls

Então, se você também se sente um órfão dos bons RPGs com visão isométrica, não deixe de conferir Path of Exile. Como é de graça, não "dói nada" dar ao game uma chance. Se não te agradar, também não hÁ pânico: a expansão Reaper of Souls de Diablo III pode ser que enfim corrija as principais falhas da "franquia símbolo" deste gênero.

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  • Redator: Diego Kerber

    Diego Kerber

    Formado em Jornalismo pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), Diego Kerber é aficionado por tecnologia desde os oito anos, quando ganhou seu primeiro computador, um 486 DX2. Fã de jogos, especialmente os de estratégia, Diego atua no Adrenaline desde 2010 desenvolvendo artigos e vídeo para o site e canal do YouTube

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