Uma solução para a crise do Windows 8: comandos redundantes

Mantendo sua tradição, a Microsoft causou polêmica com as grandes modificações na interface do novo Windows. O principal problema deste novo sistema é a sua mania de "esconder" as formas de interação, algo que chega a ser contraditório em um software que tem como principal característica uma "interface grÁfica".

Olha quem voltou! Um botão que faz a mesma coisa que outros botões! Eba!

A própria Microsoft admitiu este erro na apresentação da versão 8.1 do Windows, com um tom de "ouvimos as reclamações e melhoramos". Por conta dito, algumas referências visuais fizeram seu retorno, como o icônico botão iniciar. O curioso é que este botão não mudou nada, e faz exatamente o mesmo que o botão do teclado jÁ fazia, o que nos leva a suspeitar que o problema não é a forma como o sistema foi montado, e sim a falta de referências visuais para navegar nele

Creio que a maior falha do Windows 8 foi não reconhecer do que mais que uma revolução na plataforma Windows, ele precisava ser a transição para uma revolução. Depois de me habituar com sua lógica, gosto dos tablets com o sistema novo, mas isto foi depois de um período frustrante de adaptação que poderia ter sido evitado. O tutorial que abre ao iniciarmos o sistema pela primeira vez é muito curto e simples, e praticamente não ajuda no processo.

Como? Vai soar tolo, mas resolveria: redundância. Os comandos novos deveria coexistir com os comandos velhos, neste sistema de transição da nova era. Os apps deviam ainda ter um "X" no topo direito, assim como fechamos as coisas no desktop convencional. Assim daria para usar a nova interação (arrastar do topo para baixo o app) e, caso a pessoa não conheça, ela iria buscar o "X" e fechar da mesma forma, escapando de qualquer frustração. Como tempo, muitos aprenderiam a nova forma de realizar as coisas, e lÁ no Windows 9 a Microsoft poderia adotar a nova interação de forma definitiva e "indolor".

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Pode soar como bobagem ter duas formas de fazer as coisas, mas o botão iniciar no canto da tela é exatamente isto: uma redundância. Sua inexistência é facilmente suprida pelo botão físico presente em tablets, e a onipresente tecla Windows nos teclados. Por que estÁ ali? Porque é a principal referência para usar um computador, e este "botão pra fazer a mesma coisa" evita que alguém que não conhece o Win Key se perca no uso do sistema.

O mais curioso é que esta redundância jÁ estava lÁ, pois na versão anterior bastava colocar o mouse naquele canto para executar esta mesma função. Mas, sem um recurso visual, ninguém nunca achava o dito-cujo. 

Esta mudança também ajudaria na dupla personalidade do Windows 8, com aplicativos na lógica do velho Windows e o novo da lógica Metro Modern. Tanto faz em qual tipo de interface você estÁ, todos os comandos respondem de forma semelhante.

Windows 8.1 vs. Windows 8.2 Kerber Edition - mais recursos visuais que as pessoas estão acostumadas, e um indicativo de onde estÁ o multitarefa (pra quem não sabe até agora, é na lateral esquerda)

O assassinato do Windows convencional vai acontecer em algum momento, acho que isto é inevitÁvel, mas a falta de aplicativos para o Windows 8 ainda faz com que o desktop tradicional com as antigas aplicações seja indispensÁvel agora (né Windows RT?). Um dia, quem sabe, os apps Modern serão melhores que os velhos aplicativos, e o Windowscídio acontecerÁ de forma "natural", com os próprios usuÁrios gradativamente abandonando seus softwares que ficarão defasados.

A Microsoft precisa se remodelar para a nova realidade, isto é um fato. Mas precisa fazer isto de forma ordenada e gradativa. Para seu plano dar certo, todos precisam de telas sensíveis a toques e estar habituados aos gestos do novo sistema. Ou seja, deixa o "all in" para o Windows 9. 

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  • Redator: Diego Kerber

    Diego Kerber

    Formado em Jornalismo pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), Diego Kerber é aficionado por tecnologia desde os oito anos, quando ganhou seu primeiro computador, um 486 DX2. Fã de jogos, especialmente os de estratégia, Diego atua no Adrenaline desde 2010 desenvolvendo artigos e vídeo para o site e canal do YouTube

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