Cinco motivos para você jogar Earthbound AGORA

Não costumo falar muito de games por aqui, mas, sim, eles são uma das minhas paixões. E, durante minhas últimas férias, tive a oportunidade de jogar pela primeira vez um clÁssico um tanto injustiçado, inclusive pela publicidade muito mal pensada à época – quem diabos vende um game dizendo que ele FEDE? Isso graças ao meu Wii U que resolveu voltar a funcionar (não sem alguns truques antes, é claro) e ao lançamento de "Earthbound" no Virtual Console.


Lançado originalmente para Super Nintendo em 1995, o game chama-se "Mother 2" no Japão. Isso porque lÁ no oriente ele faz parte de uma trilogia – o terceiro episódio saiu para GameBoy Advance. E agora, em pleno 2013, eu pude jogÁ-lo pela primeira vez. Então, darei um tempo na minha habitual tarefa de "defender a Apple com unhas e dentes", segundo alguns usuÁrios, para explicar por que você deve dar uma chance a um jogo tão antigo e, aparentemente, infantil.

1 – Beatles, baseball e frigideiras

"Earthbound" é um RPG tradicional japonês. Isso significa batalhas por turnos, nas quais você tem tempo de sobra para escolher quais itens, habilidades ou ataques utilizar; coleta de dinheirinho; longos papos com muita gente e algumas dungeons. Mas acaba por aí. O game é totalmente ambientado em uma sociedade ocidental e funciona ao mesmo tempo como uma sÁtira e uma homenagem à cultura do lado de cÁ.


O personagem principal é Ness, um garoto de 10 anos que usa como principal arma um bastão de baseball. Sua amiga, Paula, quebrando estereótipos, não tem habilidades de cura, mas tem ataques mÁgicos poderosíssimos e usa uma frigideira para desferir golpes físicos. A trilha sonora é embalada por algumas notas de músicas famosas ocidentais, entre elas de gente como Beatles e Chuck Berry. 

Ou seja: esqueça espadas e dragões. Até um ioiô pode ser uma arma. E seus inimigos variam de formigas, cobras até uma pilha gigante de vômito e hippies malucos.

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2 – Iogurte sabor truta

Como todo RPG, "Earthbound"  é recheado de missões – infelizmente, nenhuma side-quest e nenhum extra, o que praticamente elimina o fator "replay" ao final da aventura. O interessante aqui é que seus objetivos, em boa parte das vezes, não são nada convencionais. E arrancam boas risadas, como quando você precisa entregar a um figurão importante uma iogurteira que só faz iogurte sabor truta, ou quando você ajuda os habitantes de uma pequena caverna a superarem a timidez. Você jamais verÁ isso em nenhum outro RPG.


3 – "Deixe-me ver isso de perto"

Uma das coisas que mais me chamaram a atenção em "Earthbound" foi a mecânica que o jogo utiliza na hora em que é necessÁrio usar algum item para cumprir um objetivo ou conseguir alguma coisa. Na maior parte dos jogos, uma vez que você obtém o item necessÁrio, ele é usado automaticamente quando você chega no ponto certo. Isso não acontece em "Earthbound", o que significa que você precisa prestar muita atenção nos diÁlogos e nas situações para saber onde e como usar o que você obtém ao logo da aventura. Certos chefes, inclusive, exigem esse tipo de interação, a não ser que você queira sofrer MUITO na batalha.


Em um dos casos, eu recebi de um dos personagens não-controlÁveis um pacote cheio de dinheiro. Mais para frente, precisei libertar um grupo musical que só poderia sair de determinada casa de shows se pagassem um dinheirão que estavam devendo. Lembrei que eu tinha o item e, então, selecionei-o utilizei-o no balcão do local. A resposta foi: "Deixe-me ver isso de perto". Não me dei conta na hora, mas era preciso contornar o balcão e usar o item exatamente ao lado da pessoa em questão. Só assim ela pegou a grana e mandou o pessoal embora. Pequenos detalhes como esse deixam "Earthbound" desafiador na medida certa.

4 – "Praticamente inofensivo"

A primeira ideia que se tem de "Earthbound" é que é um jogo infantil. Claro, você começa no controle de um garotinho que não parece ter a menor chance contra grandes inimigos. Some isso aos grÁficos simples, cartunescos e excessivamente coloridos, que são desprezados hoje em dia por boa parte dos gamers. Tudo isso dÁ a sensação de que é um jogo bobo para crianças.

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Olha só a cara dele! Parece um herói?

Se você persistir por algumas horas, porém, vai ver que o clima do game muda com o tempo. Você começa sozinho e morrer muitas vezes é quase 100% inevitÁvel. Chega uma hora que você, como jogador, vai estar implorando para encontrar alguém para caminhar ao seu lado na jornada. Quando o time de quatro personagens se completa – Ness, Paula, Jeff e Poo – você começa a perceber o valor da amizade e da união para dar conta dos acontecimentos terríveis que começam a assolar o universo do jogo. E aí, a coisa fica pesada de verdade, dando caminho para o surgimento do...

5 - ... vilão mais assustador de todos os tempos

Quem jÁ jogou "Earthbound" ou navega pelas lendas urbanas pela web jÁ sabe: Giygas, o grande chefão do game, se não é o vilão mais assustador jÁ feito, com certeza é um dos piores. Especialmente para quem jogou pela primeira vez, lÁ nos anos 90, quando não havia Internet para antecipar o que estava por vir.


Giygas é simplesmente pura maldade, sequer tem uma forma definida. Seus ataques não podem ser compreendidos pelos heróis, que precisaram fazer um sacrifício extremo (não vou contar para não dar spoilers) para chegar até ele. Na medida em que a batalha evolui, a coisa vai ficando mais perturbadora, a música muda para ruídos incompreensíveis e que parecem cheios de "mensagens subliminares", É impossível não sentir ao menos um mínimo arrepio na espinha.

Tudo isso prepara o jogador para um desfecho emocionante. "Earthbound" é um game diferente de qualquer coisa jÁ feita, desafiador, divertido, engraçado e extremamente tenso ao mesmo tempo. É algo que realmente mexe com as emoções do jogador. Tudo isso faz com que ele mereça sempre uma chance de ser jogado, seja em 1996, 2013 ou daqui a muitos, muitos anos.

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  • Redator: Risa Lemos Stoider

    Risa Lemos Stoider

    Formada em Jornalismo pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) e gamemaníaca desde os 4 anos de idade. Já experimentou consoles de várias gerações e atualmente mantém uma ainda modesta coleção. Aliando a prática jornalística com a paixão pela tecnologia e os games, colabora com a Adrenaline publicando notícias e artigos.

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