Os gestos do Windows 8 são bons em touchscreens, "meh" nos desktops e falharam nos notebooks

O Windows 8 causou polêmica em sua tentativa de "abraçar o mundo" e ser um sistema tanto para computadores convencionais quanto para o ascendente mercado dos tablets. Com muitas das suas interações pesadas em gestos através de telas sensíveis a toques, e interface focada neste tipo de aparelho, ele não ficou tão atraente para os usuÁrios de aparelhos mais antigos.

Quando estamos em um aparelho com toucscreen, tudo estÁ "em casa". O deslizar dos dedos partindo das laterais funciona muito bem em tablets, onde a tela é plana em relação ao corpo do aparelho, e mais nem sempre em notebooks com as telas sensíveis, pois alguns deles tem aquele "relevo" entre a moldura da tela e o display em si, algo que estraga um pouco do movimento.

No computador, com teclado e mouse, as coisas foram improvisadas para continuar fazendo sentido: encostar o ponteiro do mouse nas laterais é o que realiza as ações, algo que é um tanto confuso no começo e que torna a sensação de "ser menos produtivo que o Windows 7" inevitÁvel. Alguns dias depois, você aprende com ir rÁpido para o desktop e as coisas ficam mais simples, e passa a usar o Windows 8 da mesma forma como noum Windows 7, apenas com um "menu iniciar metido a besta" adicional.

Mas é nos notebooks que a coisa, do meu ponto de vista, realmente se perde. Apesar das telas sensíveis a toque estarem se popularizando rapidamente nestes aparelhos, para muitos o touchpad continua sendo a "input padrão" da maioria destes computadores. E o Windows 8 é irritante nele.

O principal vilão são os gestos que partem das laterais, especialmente o da direita. Como muitos usuÁrios estão habituados a não se importar com a região em que usam o touchpad, exceto para usar scroll deslizando bem pela lateral, não nos damos conta que estamos, muitas vezes, bem na beirada da Área de toque. Qualquer gesto partindo para a esquerda é entendido como o gesto de abrir os charms, um menu que depois de um tempo se torna incrivelmente irritante. Vira rotina o seu acionamento automÁtico, e é preciso aprender que o primeiro toque no restante da tela irÁ, inicialmente, fechÁ-lo, ao invés de realizar a ação que queríamos no desktop.

O mais engraçado é como o oposto também acontece, e muitas vezes quando queremos abrir o menu charm acabamos precisando repetir o gesto ao menos duas vezes, mesmo depois de ficar "experiente" com o sistema e com o seu próprio aparelho. Em outros momentos, os aparelhos mesmo que não ajudam, com no caso do FullRange G1740 NEW. O desnível do touchpad em relação a carcaça atrapalha o deslizar dos dedos, sendo que este comando fica mais eficiente se você inicia o deslizar dos dedos de fora da Área do touchpad.

Esta falha em realizar o comando é tão constante que ela acaba de ser "homenageada" com um hardware, para provar uma deficiência de software com uma tentativa de correção física: o touchpad do novo HP Spectre 13. Esta singela modificação no design do Ultrabook deixam claro como a coisa não estÁ funcionando:  ampliaram a Área de contato, deixando-a muito mais larga (bem mais que a proporção da própria tela do aparelho) para "enfiar" o gesto de deslizar das laterais o mais longe possível e evitar o acionamento acidental do menu charm.

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Spectre 13. Lugar onde bug do sistema cria o feature do hardware.

Isto fica ainda mais evidente pelas marcações colocadas nas bordas. Elas ajudam o usuÁrio a saber a partir de onde o Windows vai considerar que você estÁ fazendo um slide "de fora da tela" com seu touchpad. Eles só esqueceram que, diferente de uma tela sensível a toques, eu não vou (ou ao menos não pretendia) ficar olhando para o touchpad para usÁ-lo, e precisar cuidar onde "enfio o dedo" é um fracasso em sua usabilidade. Com sorte, a "Área do swypes" terÁ uma textura diferente ao toque, mas isto só poderemos conferir quando fizermos um hands-on com o modelo.

Apesar de pequenos, estes detalhes são, do meu ponto de vista, onde a Microsoft falhou no ambicioso Windows 8. Acredito que a ideia de unificar o sistema de tablets e "computadores convencionais" é muito boa, mas o sistema foi feito partindo do uso através de telas sensíveis ao toque, e outras interações foram feitas no modo "gambiarra" tentando adaptar isto. DÁ para perceber como, em muitos momentos, interações forçadas tentam ser equivalentes aos gestos que só funcionam bem nas touchscreens. E é aí que "se foi o boi com as cordas".

Em um sistema que jÁ não sabe se é Modern ou Desktop, você ainda precisa lembrar como é que ele funciona de acordo com o dispositivo em uso. Difícil dizer que o Windows 8 unifica alguma coisa. Ele, na verdade, criou uma colcha de retalhos de ideias conflitantes.

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  • Redator: Diego Kerber

    Diego Kerber

    Formado em Jornalismo pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), Diego Kerber é aficionado por tecnologia desde os oito anos, quando ganhou seu primeiro computador, um 486 DX2. Fã de jogos, especialmente os de estratégia, Diego atua no Adrenaline desde 2010 desenvolvendo artigos e vídeo para o site e canal do YouTube

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