E se... a nova política do Xbox One tornasse os games mais baratos?

A poeira sobre a nova política do Xbox One jÁ baixou, muito mérito da desistência da Microsoft em adotÁ-la. Agora, com os ânimos menos exaltados, entramos naquela fase em que analisamos as coisas com mais calma e chegamos à questão: e se, na verdade, as mudanças fossem interessantes ao consumidor?


Peguem esta bomba aí. Eu vou é pro Zynga.

Explico-me: como jogador de computador devoto do Steam (sou quase um clichê), sou usuÁrio de uma plataforma onde "não poder emprestar ou revender games" estÁ na filosofia do sistema hÁ anos. Esta fórmula funciona muito bem nos computadores pois cria ofertas bem mais interessantes, e se fizermos as contas fica fÁcil ver como isto acontece.

Na lógica do console, um gamer compra um jogo por hipotéticos 60 dólares e, depois de fechÁ-lo, empresta para um amigo ou vende por um valor baixo, seja para alguém ou para a GameStop. A desenvolvedora recebeu 60 dólares com esta cópia, ficando alheia a todas as demais transações. Em PCs, ela pode ofertar um game a 40 dólares e lucrar mais que o oferecido por 60, afinal duas pessoas comprarão o game, ao invés de uma apenas, recebendo 80 dólares no total.

No Steam, o melhor benefício nem é este, afinal lançamentos chegam mais ou menos no mesmo preço que vemos em outras plataformas. A sacada são os games mais antigos: um ano depois, medalhões aparecem por valores como 12 reais. Onde estÁ o milagre? Simples: com a venda do game chegando ao seu limite de saturação, a produtora pode ampliar novamente o interesse baixando o preço, tirando mais uma boa grana de quem não estava convencido a pagar o valor de lançamento. Por que isto não acontece nos consoles? Pois quem estÁ saturando este mercado são os games usados, com a diferença de que você deixou de possuir sua cópia do game quando o revendeu.


Milagres de São Gabe

Do ponto de vista prÁtico, acho que funciona muito melhor o modelo do PC. Ao entrar numa GameStop, raramente sou cativado pelos preços dos games usados, afinal sempre encontrei promoções melhores no Steam, muito mérito de não existir atravessadores lucrando no meio da transação (no caso, a GameStop em si). Também faz bem mais sentido que meu dinheiro vÁ para a publicadora do game, e não para uma rede que não tem relação como o jogo em si, apenas desenvolveu um modelo de negócio bem sucedido baseado no potencial dos games antigos.

HÁ toda uma filosofia do tipo "eu comprei então é meu e passo para quem quiser" que vem se opondo ao modelo de distribuição digital, pois apesar de você ser dono de uma cópia, não é livre para fazer o que quiser com ela (até o Bruce Willis jÁ se meteu nesta encrenca). Sinceramente, até entendo este apego com coisas como músicas, que são atemporais e muito legais de se "passar para os netos", mas games são muito datados. Com exceção de colecionadores e fãs de uma franquia, a cópia física do game não tem sentido nenhum, servindo só para ser deteriorada e um dia parar de funcionar. E, caso você se encaixe em um dos dois casos que listamos, o mercado de PC não matou esta opção, com direito a mídias físicas e edições de colecionador cheias de firulas.

Claro que nunca saberemos se toda esta estratégia realmente fazia parte do plano da Microsoft, jÁ que ela simplesmente não se deu ao trabalho de explicar isto claramente aos consumidores. Quem sabe ela não tinha a menor intenção de trazer qualquer um destes benefícios aos seus clientes, e "engolir tudo" aumentando sua margem de lucro. Inclusive, se o plano era este, explicar mal a mudança foi proposital.

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A empresa se limitou a lançar no ar suas diretrizes e deixou que o público, por si só, concluí-se o que estas mudanças acarretariam. Foi aí que entrou em ação um mecanismo comum dos seres humanos, que faz com que se oponham a mudanças, por conta de seu primeiro reflexo assim que algo se altera: o pensamento "o que estou perdendo com isto?". A impossibilidade de revender ou emprestar o game foi a primeira coisa que veio à mente, fazendo com que o todos se agarrassem ao modelo de negócios que vem usado desde o Atari com o mesmo desespero de um nÁufrago que se segura nos destroços de um barco que afundou.


Ver uma loja toda tematizada com games é massa, mas os preços não são tão empolgantes para um jogador de PC 

Por fim, a resposta negativa do público de sua política com games fez com que a Microsoft ficasse sem outra opção senão a de voltar atrÁs e fazer o que jÁ fazia desde sempre, ficando em condições semelhantes de concorrência com a Sony (porém bem desmoralizada no processo). Nunca saberemos se este modelo de gestão dos games seria o diferencial da plataforma para vencer a disputa da próxima geração de consoles. Como alguém fã de opções para o consumidor, adoraria ver estes dois modelos de negócio brigando nos futuros videogames.

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  • Redator: Diego Kerber

    Diego Kerber

    Formado em Jornalismo pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), Diego Kerber é aficionado por tecnologia desde os oito anos, quando ganhou seu primeiro computador, um 486 DX2. Fã de jogos, especialmente os de estratégia, Diego atua no Adrenaline desde 2010 desenvolvendo artigos e vídeo para o site e canal do YouTube

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