O futuro (não) é agora

O principal argumento da Microsoft, enquanto ainda defendia suas novas e controversas políticas para o Xbox One, era de que esta era a visão da empresa para o futuro. Não aguentando a pressão que aumentou muito depois que a Sony declarou que o PS4 não viria com nada disso, sabiamente a Microsoft decidiu desistir dessas mudanças e entregar aos gamers o que eles querem. Mas, apesar de sua arrogância, Don Mattrick (o presidente do setor de entretenimento da Microsoft) estava realmente errado? Acredito que não. Ou melhor, mais ou menos. Tudo depende da distância que você considera nesse "futuro" da visão de Mattrick.


A começar pela tal da DRM. Ninguém vai discutir que é ótimo poder trocar jogos que não jogamos mais ou que não gostamos, revendê-los e, principalmente, emprestÁ-los. É ótimo pra gente, não pra quem deixa de ganhar dinheiro com isso. As grandes empresas de games vêm pressionando hÁ muito tempo pelo fim do mercado de segunda mão, que tem abocanhado um bom pedaço do lucro que uma empresa poderia obter. A minha perspectiva, nessa parte, é pessimista. Realmente acredito que, no futuro, teremos muitas restrições para jogos usados, em todas as empresas. É inocência pensar que a Sony nunca pensou em incorporar nenhuma política semelhante.

Aqui, um pequeno adendo. Em todo lugar alguém sempre vai comentar "qual o problema? A Steam é assim e ninguém reclama!" ou outra coisa dogênero. É bobagem querer comparar a Steam com a tentativa de introduzir essa nova política no Xbox One. Isso porque a Steam sempre foi assim, ninguém sente que ela tentou "tirar um direito" dos gamers. Imagine se a Valve tivesse lançado a plataforma com a possibilidade de dar, vender ou emprestar jogos usados e quisesse depois remover este recurso. SerÁ que ninguém ia reclamar? Melhor, imagine se a Steam resolver implementar agora esses recursos. Alguém seria contra? HÁ, inclusive, boatos muito bem recebidos que ela pretende mesmo fazer isso

De qualquer forma, acredito mesmo que o mercado de segunda mão dos games não vai durar para sempre, então vamos aproveitar enquanto podemos e lutar por ele enquanto podemos. É muito cedo ainda, Microsoft.

E o tal do always on? É bom? Jogos em nuvem, dinâmicos, a possibilidade de update e expansão constante de um game... Isso tudo parece muito bom. O problema aqui não foi tanto o console, mas sim, a internet. Um dia a internet vai estar em tudo que é canto. Qualquer pedacinho do mundo vai ser provido com conexão, por menor que seja a velocidade. Acredito até que a internet vai ser gratuita na maioria dos lugares, sendo cobrado apenas de quem quer mais velocidade. Num mundo assim, always on não seria problema nenhum. Muitos dispositivos terão conexão obrigatória e as pessoas nem se darão conta. Mas, de novo, é muito cedo ainda, Microsoft. Com o serviço de internet que temos hoje em muitos lugares do planeta e, não se engane, nos EUA também, é muito complicado exigir que as pessoas estejam conectadas pelo menos uma vez a cada 24 horas. Muitas pessoas não confiam em seu serviço de internet, então foi temerÁrio saber dessa exigência no Xbox One.

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O personagem Francis, do Youtube, expressou sua frustração sobre o always on e as declarações da Microsoft (fique claro aos desavisados: este homem é um humorista e isso é uma encenação)

Olhar para o futuro é fundamental para qualquer empresa que busca o sucesso, não só no setor da tecnologia. Mas, em se tratando de videogames, a "visão além do alcance" torna-se uma obrigação. O problema é quando a empresa olha para tão longe que não enxerga mais o que estÁ logo à sua frente. A Microsoft não devia nunca ter fechado os ouvidos para seus gamers e a desculpa de "ouvimos seu feedback" só depois de se certificar que o PS4 não adotaria as mesmas políticas foi bastante vergonhosa.

Vamos olhar para o futuro sim, mas não nos esqueçamos que estamos sempre presos ao presente.

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  • Redator: João Gabriel Nogueira

    João Gabriel Nogueira

    João Gabriel Nogueira se formou em jornalismo pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) em 2015 e curte games desde muito antes. Começou com o Master System e o gosto pelos jogos eletrônicos trouxe o gosto pela tecnologia. Escrever notícias e análises de jogos, hardware e dispositivos móveis para o Adrenaline, além de trabalho é uma alegria e um aprendizado.

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