Se o "gigante acordou", foi por causa das redes sociais

Desde a semana passada milhares de brasileiros estão indo às ruas para protestar. O que a princípio seria uma manifestação contra o aumento da passagem do ônibus em São Paulo ganhou proporções maiores quando a polícia agiu de forma violenta a um protesto que tinha carÁter pacífico – apesar de um pequeno grupo sempre deturpar o movimento e agir com agressão ao patrimônio e à PM. Em apoio aos paulistanos e para lutar pelos mesmos direitos, em outras cidades do país a população também foi para as ruas. A partir daí os motivos que levaram os brasileiros a apoiarem a causa foram aumentando. Entre os gritos e cartazes, mostraram-se insatisfeitos com a corrupção, com os gastos excessivos para a Copa do Mundo, com a PEC 37 e pediram por saúde, transporte e educação de qualidade, além de outras reivindicações.

Toda essa movimentação foi planejada e estimulada pelas redes sociais. Até segunda-feira, 17, foram feitas 548.944 publicações, entre posts e comentÁrios. Os dados foram levantados pela agência Today. Nos eventos do Facebook, em algumas horas, milhares de pessoas confirmavam a presença e se organizavam sobre o que gritar, como ir vestido, por onde passar e se seriam aceitas pessoas com bandeiras políticas. Do montante de publicações, 10% vieram da rede de Zuckerberg. A grande maioria, 88%, esteve concentrada no Twitter. Google+ e Blogs somaram 2% da repercussão.

Tanto no microblog quanto no Facebook as hashtags #vemprarua, #ogiganteacordou, #mudabrasil, #semviolência e #protestosp foram as mais usadas. E o número de publicações aumentava à medida que o dia ia passando. No momento em que mais pessoas estavam nas ruas, maior era o número de imagens e comentÁrios circulando pela internet. As redes sociais foram utilizadas para mostrar aquilo que a grande mídia não divulgava (ou divulgava pouco) ou para contrariar a forma como as manifestações e os manifestantes eram mostrados. Entre outros fatores - como a agressão a jornalistas dos grandes veículos -, a pressão pelas mídias sociais foi tanta que obrigou a imprensa a mudar a maneira como vinha tratando o assunto.

Sem dúvida, o Facebook e Twitter, embora cheios de idiossincrasias, foram os responsÁveis por fazer com que as pessoas se unissem e gritassem a insatisfação com a atual situação do país. Por mais divergentes que as pautas fossem e que isso gerasse uma falta de rumo em algumas manifestações, como a que aconteceu aqui em Florianópolis na noite de ontem e fechou as pontes de entrada e saída da ilha, estamos vendo no Brasil algo que jÁ se mostrou eficaz em outras partes do Mundo. E tem até estudo que comprova isso.

No movimento conhecido como Primavera Árabe, de 2011, as mídias sociais foram as principais responsÁveis pela propagação dos protestos que derrubaram ditadores no Norte da África e no Oriente Médio. De acordo com um relatório divulgado pela Dubai School of Government, sem os sites de relacionamento a população não teria conhecimento amplo das manifestações populares. Se você duvidava do poder das redes sociais, os acontecimentos estão aí para mostrar que hÁ uma esperança.

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  • Redator: José Hüntemann

    José Hüntemann

    Jornalista formado pela Universidade Federal de Santa Catarina, é fascinado por inovações tecnológicas. Gosta de internet, redes sociais, mobiles e futuro dos vestíveis. Mas o que mais lhe impressiona é a tecnologia que busca melhorar a vida das pessoas e não serve apenas como mero acessório. Nos games, é um zero à esquerda, mas está no pódio no campeonato de Just Dance da redação.

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