Peitos e videogames

Essa semana comecei a jogar Anarchy Reigns com o objetivo de fazer uma anÁlise aqui para o site. Não deu tempo de jogar o suficiente para analisar o game, mas algo ali me inspirou para fazer minha primeira coluna no Adrenaline. Essa inspiração veio dos peitos de uma das personagens, Sasha. Logo na primeira CGI de Anarchy a moça anda até um balcão e pÁra, mas seus volumosos seios, insultando a física e o bom senso, continuam balançando durante uns bons quatro segundos... Isso me fez lembrar de Dead or Alive... Ou, antes ainda, da Mai Shiranui em King of Fighters. Foi então que pensei em escrever sobre a representação de peitos no mundo dos videogames, que muitas vezes beira o ridículo.

Desde que saímos dos 8bits e a caracterização dos personagens não se limitava mais a um amontoado de quadradinhos, as moças começaram a receber uma atenção especial de seus designers. Talvez atenção demais. Fatal Fury (1991), por exemplo, tinha conquistado um bom espaço entre os gamers, mas quando sua sequência, Fatal Fury 2 (1992), foi lançada, é a seguinte imagem que ficou na cabeça dos marmanjos:

Os desenvolvedores acharam que essa posição de "luta" era comportada demais. Com os anos, Mai foi ficando cada vez mais arqueada e decotada. Lembra do "beira o ridículo"? Pois então veja a moça em  (2010).

O anos vão passando, os jogos vão evoluindo e, com eles, os peitos. Não vou falar aqui de Dead or Alive, que é quase um soft porn. Dou um desconto porque acho que essa é exatamente a proposta do game, então seria que nem reclamar que um filme de terror dÁ medo. O que me incomoda, o que não entendo, é a necessidade de sempre sexualizar de maneira exagerada as mulheres em games onde realmente não caberia isso. Eis aqui uma imagem da série Dragon Quest.

Aqui, um perfeito exemplo da diferença de roupas entre homens e mulheres no game Dragon's Crown, que estÁ pra sair. Repare que os seios da bruxa têm vida própria.


AliÁs, às vezes me pego imaginando um programador que senta e dedica seu tempo para criar o script, engine, o que seja, que vai definir como serÁ o balanço dos peitos de uma personagem. Alguns são mais pautados na realidade, mas outros, sinceramente, parecem que não sabem muito como isso funciona... Divago, voltemos.

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É interessante perceber que nada disso é necessÁrio para uma moça se tornar uma grande musa dos games. Lara Croft que o diga! Mesmo nos seus tempos poligonais a moça arrebatou muitos corações sem apelar aos hormônios enlouquecidos dos adolescentes. O mesmo pode ser dito da Jill Valentine ou até da Chun-Li, que usa uma roupa mais reveladora, mas nem se compara às que antes foram citadas aqui.

  

O que estou dizendo, para quem teve paciência de chegar até aqui, pode parecer frescura. Talvez seja. Mas a questão é que a maneira como os desenvolvedores desenham seus personagens é um reflexo direto de como eles enxergam seu público alvo. Cada vez mais mulheres aderem aos games e os jogadores em geral estão ficando mais maduros e exigentes. A indústria tem ficado mais e mais séria, mas essa mania de enfiar "material fapÁvel" onde não cabe teima e persiste. Aí depois aparece alguma ministra falando que videogame não é cultura... E, convenhamos, o mundo não precisa de ainda mais uma mídia objetificando as mulheres.

Não acho que o mercado de games vai perder muito se abrir mão dos tarados de plantão. Na verdade prefiro acreditar que esses caras não são a maioria. Gosto de pensar no gamer médio como um cara bacana, educado, que respeita as mulheres. JÁ passou muito da hora dos desenvolvedores aprenderem que seu público cresceu literal e figurativamente. Agora é importante que o design das personagens dê mais destaque à sua personalidade do que aos seus peitos.

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  • Redator: João Gabriel Nogueira

    João Gabriel Nogueira

    João Gabriel Nogueira se formou em jornalismo pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) em 2015 e curte games desde muito antes. Começou com o Master System e o gosto pelos jogos eletrônicos trouxe o gosto pela tecnologia. Escrever notícias e análises de jogos, hardware e dispositivos móveis para o Adrenaline, além de trabalho é uma alegria e um aprendizado.

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