Será que Microsoft, Nvidia e Intel cansaram de esperar por inovações das fabricantes?

Nos últimos meses, três empresas focadas na venda de componentes de hardware decidiram se aventurar na fabricação de produtos próprios: a Nvidia apresentou o Project Shield, a Microsoft lançou o Surface e a Intel apresentou o NUC. Antes restritas a ceder "as peças", as três empresas se arriscaram a colar o nome da empresa em um produto final.

 

Analisando cada um dos casos é possível divagar sobre um descontentamento com as fabricantes. A Intel, por exemplo, vem praticamente "levando as fabricantes pela mão" e dizendo como a evolução tecnológica dos notebooks deve ser, utilizando o conceito dos Ultrabooks. Ano após ano, ela define novos parâmetros para forçar uma evolução em design e usabilidade. Apesar da empresa trazer hÁ anos o conceito de ser "uma criadora de padrões", como o exemplo da conexão USB e a ThunderBolt, esta é possivelmente a padronização mais "agressiva" feita pela empresa em produtos, até hoje.



Outro exemplo: o Next Unit of Computing, ou o NUC. Com o investimento cada vez maior na Área de processadores para sistemas portÁteis, como smartphones e a futura geração Haswell, a empresa pode ter sentido uma defasagem no uso de seus chips cada vez mais econômicos em sistemas compactos, o que levou ela própria a criar um novo padrão de placa-mãe ultracompacta para "computadores minúsculos" com o NUC. Apesar de não ter uma função muito clara, a Intel pode ter se irritado com a falta de iniciativa das fabricantes em tentar o formato, mesmo sem ninguém saber ainda exatamente para que o aparelho serve. Funcionou muito bem com o iPad, não?

Outra empresa que pode estar descontente com o uso de seus chips é a Nvidia, que vem investindo na linha Tegra. Apesar de ficar devendo um modem integrado (jÁ resolveram isto), suas CPUs para smartphones tinha como parte atrativa a experiência da empresa na Área de chips grÁficos. Apesar desta característica, tirando algumas exceções como os games do Tegra Zone ou alguns raros modelos voltados para games (caso do Xperia Play, quem nem Tegra usava), poucos fabricantes se arriscaram a entregar algo mais avançado na Área de portÁteis. Assim surge Project Shield.



O console portÁtil é baseado em Tegra 4, e parece um controle de Xbox grudado em uma tela (ou vice e versa). Questões de design à parte, é um produto com enfoque em games, algo que a empresa com certeza gostaria que mais fabricantes produzissem e, na falta deles, decidiu ir "no peito e na raça" por si própria. A empresa não considera o aparelho um console portÁtil, por afirmar que consoles são presos a ecossistemas bem fechados, enquanto o Shield é baseado em algo opensource (Android). Na aparência é um console, mas no modelo de mercado é algo mais aberto e livre. Ou seja, é sim um portÁtil, mas este é meio hippie.

Fechando nosso último exemplo, a Microsoft. A empresa surpreendeu a todos quando anunciou o seu tablet/computador Surface, quebrando um modelo de mercado em que ela se limitava a criar o sistema operacional para os aparelhos. Obviamente o modelo foi recebido de forma pouco amistosa pelas parceiras da empresa do Bill, afinal como concorrer com alguém que controla o sistema operacional?

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A estratégia da Microsoft, porém, não parece ser "ficar rica com hardware". Na época do anúncio do Surface, pouco antes do lançamento do Windows 8, pouquíssimas fabricantes haviam mostrado algum aparelho híbrido interessante que explorasse as características do novo sistema, focado em telas sensíveis ao toque. O Surface parece muito mais ser um produto com o objetivo de mostrar o potencial do SO, neste contexto. Apesar de ter empolgado no começo, ao chegar no mercado o aparelho se mostrou multifuncional: consegue ser ruim como tablet e como computador ao mesmo tempo. As empresas jÁ mostram diversos designs bacanas para híbridos, mas a situação era bem diferente ano passado, quando a Microsoft anunciou seu aparelho.

Startups não param de brotar no KickStarter, com vÁrias ideias que nenhuma grande empresa parece ter notado como potencial. Mas não vou me alongar neste assunto, afinal jÁ tratamos dele em videocast. SerÁ que as grandes fabricantes são muito lentas na hora de inovar? SerÁ que todas não tem mais coragem de arriscar novos produtos e formatos, e se limitam a aumentar o tamanho da tela e os megapixels da câmera? E outra questão: porque o autor desta coluna sempre termina fazendo perguntas para os leitores, quando não consegue pensar um final decente para seu texto?

EstÁ aí, temos vÁrios tópicos para a caixa de comentÁrios. Mandem ver.

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  • Redator: Diego Kerber

    Diego Kerber

    Formado em Jornalismo pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), Diego Kerber é aficionado por tecnologia desde os oito anos, quando ganhou seu primeiro computador, um 486 DX2. Fã de jogos, especialmente os de estratégia, Diego atua no Adrenaline desde 2010 desenvolvendo artigos e vídeo para o site e canal do YouTube

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