Que economia explica um tablet TekPix de R$3,5 mil?

A gente aqui no Brasil vive reclamando dos impostos e do tal "custo Brasil", que faz, entre outros absurdos, um iPhone de US$750 (versão desbloqueada, sem contrato) custar R$3 mil por aqui. As empresas até tentam justificar esses valores, e existem vÁrios motivos por trÁs disso. Tudo isso não tira nosso "mérito" de ter os impostos mais altos do mundo em vÁrios produtos.

Mas nada, NADA no mundo, consegue explicar isto aqui:

Sim, meus amigos. É um tablet TekPix (lembram da câmera?) pela pechincha de R$3.499 Á VISTA. E o negócio ainda só é entregue depois de 60 dias.

As especificações, segundo o próprio site, incluem um "processador Telechips" de 1.2GHz, tela de 7 polegadas que - pelo menos - é capacitiva, Wi-Fi, 3G, câmera traseira de 2 megapixels e frontal de 1.3 megapixel e Android 4.0 (Ice Cream Sandwich). O maior problema é a memória interna: só 4GB. Quem tem um Android sabe que isso não dÁ pra nada. Mesmo com a possibilidade de expandir o espaço via microSD, existe uma penca de aplicativos que simplesmente não aceita instalação na memória externa e, com isso, é certo que o tablet vai ficar lotado rapidinho. Isso sem contar o espaço ocupado pelo próprio sistema operacional, cache de aplicativos e apps padrão.

Olha só: ele tem TV digital. Reconheço que isso é um diferencial para boa parte dos brasileiros. Mas vejam só: o Galaxy Tab de 7 polegadas, o primeiro modelo, que analisamos aqui no Adrenaline, também tem TV. E, na época de lançamento, custava R$1,7 mil.

Entrei em contato com o pessoal da Tecnomania, que comercializa as bugigangas da linha TekPix, mas estou hÁ dias esperando uma resposta. Questionei onde o tablet é fabricado, por que ele não aproveita benefícios fiscais e com que diferenciais eles conseguiam justificar esse preço, maior até mesmo que o do iPad 3G de 64GB, que sai por R$2.499.

Por enquanto, o que posso dizer é: a Tecnomania tem um histórico um pouco obscuro. A empresa, com o nome de Import Express Comercial Importadora, tem nota 3.62 no Reclame Aqui e é considerada "ruim". Apesar das 100% de solicitações atendidas, apenas 52,2% resultou em alguma solução. E o mais alarmante: só 13,8% dos clientes voltariam a fazer negócio.

Muitas reclamações são a respeito da qualidade da câmera, basicamente por não cumprir o que é prometido nos anúncios, a um preço muito superior ao de câmeras de marcas renomadas no mercado. Só do modelo DV-3100 (não mais disponível no site), foram vendidas 592,3 mil unidades no Brasil inteiro, entre 2004 e 2009. Em 2010, o Departamento de Proteção e Defesa do Consumidor (DPDC), órgão do Ministério da Justiça, aplicou uma multa no valor de R$ 310 mil contra a empresa Import Express por publicidade enganosa da mÁquina, "pois embora a publicidade garantisse imagens e filmagens de qualidade, o aparelho não possuía flash embutido", conforme a Folha de S. Paulo.

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Um exemplo de foto com a DV-3100, que até tem um modo Macro, mas não funciona a contento. A câmera, aliÁs, não tem foco automÁtico. / Fonte: O Buteco da Net

Considerando o histórico da empresa, o mais sensato é desconfiar desse tablet, que custa mais caro que qualquer outro modelo no Brasil. Dando uma navegada no DealExtreme, que vende eletrônicos direto da China, dÁ para encontrar tablets com especificações praticamente idênticas, a partir de US$67, ou cerca de R$130. Mesmo considerando um imposto de 60% sobre a importação do produto, o preço final dificilmente ultrapassaria os R$300. De fato, dÁ para encontrat tablet em lojas brasileiras, sob marcas como Zagg e Multilaser, por menos de R$500, o que me parece bem mais justo.

Tablet de baixo custo começam a formar um novo mercado nos EUA, com a chegada do Kindle Fire, do Google Nexus 7 e do ASUS MeMo Pad, todos por menos de US$200. É curioso e lamentÁvel observar uma empresa brasileira, com altos investimentos em propaganda, navegar em uma direção tão contrÁria, que dÁ a entender que ela sequer conhece o mercado do qual deseja fazer parte.

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  • Redator: Risa Lemos Stoider

    Risa Lemos Stoider

    Formada em Jornalismo pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) e gamemaníaca desde os 4 anos de idade. Já experimentou consoles de várias gerações e atualmente mantém uma ainda modesta coleção. Aliando a prática jornalística com a paixão pela tecnologia e os games, colabora com a Adrenaline publicando notícias e artigos.

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