Descanse em paz, Playstation 2!

A recente notícia de que a Sony encerrou a produção do Playstation 2 ao redor do globo fez-me sentir como se um ciclo da minha vida gamer estivesse, enfim, terminado. Não me entenda errado: eu jÁ não jogo no console hÁ um bom tempo. Meu videogame-base hoje, desde abril de 2009, é o Playstation 3 e, de vez em quando, costumo jogar versões remasterizadas em HD de antigos clÁssicos do seu irmão do meio. E como é sempre bom relembrar aventuras, momentos marcantes e aguçar a nostalgia, decidi prestar uma breve homenagem ao console mais bem sucedido da história, com mais de 155 milhões de unidades comercializadas e 1.5 bilhão de softwares vendidos.

O PS2 me proporcionou momentos inesquecíveis de diversão extrema, alegrias eternas e prazeres nerds enquanto desbravava cada uma das jornadas em que eu metia (e não foram poucas). Algo praticamente do mesmo nível de envolvimento que os saudosos Super Nintendo e Playstation me fizeram sentir nas suas épocas gloriosas, no começo, meados e fins dos anos 90. 

Era 14 de dezembro de 2002 quando, com os salÁrios acumulados nos seis meses anteriores provindos de um estÁgio de ensino médio (era bem pouco!), fui numa loja e comprei o videogame no modelo "tijolão" (SCHP 39001) com os cinco jogos que eu jÁ sabia ser obrigatório eu ter antes mesmo console ser lançado primeiramente no Japão, em março de 2000: "Final Fantasy X", "Metal Gear Solid 2: Sons of Liberty", "Silent Hill 2", "Gran Turismo 3: A-Spec" e "Resident Evil Code Veronica". Quando cheguei em casa, perdi um bocado de tempo decidindo qual game iria jogar primeiro. Afinal, eu tinha cinco jogos fenomenais em mãos e tinha planos de aproveitar cada um deles com a maior calma e seriedade possível. 

JÁ com o aparelho rodando, a minha reação à primeira vista e contato com o Playstation 2 foi algo descomunal. Meus olhos brilhavam. Meu queixo permanecia caído. A felicidade e a satisfação de estar com um videogame de nova geração faziam a emoção pulsar. A robustez do design do videogame, o jeito como era ligado, aquela introdução (start-up) enigmÁtica, as possibilidades inéditas de processamento grÁfico e de interação que aqueles novos mundos virtuais exibiam, com recursos considerados avançados para a época, era demais para o meu gosto gamer, sendo eu totalmente correspondido com as melhores impressões possíveis. 

Nos meses e anos subsequentes (2003 a 2005), como iria resistir a lançamentos do calibre de "Grand Theft Auto: Vice City" (animalesco, só que não gostei de "GTA: San Andreas", me odeiem ;p), "God of War" (melhor série de ação dos consoles da Sony), "Kingdom Hearts" (mescla Dieny com Final Fantasy numa fórmula imbatível), "Metal Gear Solid 3: Snake Eater" (adjetivos aqui são poucos), "Medal of Honor: Frontline", "Fatal Frame" (e suas continuações que até hoje me assombram), "Tony Hawk's Pro Skater 4" (desafios nostÁlgicos), "Silent Hill 3", "Freedom Fighters", "Prince of Persia: The Sands of Time" (e as sequências arrasadoras), "Legaia 2: Duel Saga" (uma ótima surpresa!), "Burnout 3: Takedown" (e "Burnout: Revenge" nas fúrias sobre rodas), "Resident Evil 4" (o último a trazer algo realmente bom para a série), "Manhunt" (caçadas humanas tensas), "Max Payne 2" (tiroteio melodramÁtico em bullet-time), "Onimusha 3", "Ratchet & Clank: Up Your Arsenal" (meu primeiro contato com o mascote) e "Dragon Ball Z: Budokai 3" (kame-hame-haaaaaaaa!)?

Após essa época, o PS2 jÁ estava bastante consolidado no mercado, deixando os concorrentes comendo poeira. E mesmo assim continuava ganhando cada vez popularidade, maior número de adeptos e se destacava ainda mais perante às desenvolvedoras da indústria de jogos eletrônicos, que enxergavam uma oportunidade de lucros astronômicos quase certos. No que resultou todo esse apoio massivo? É claro que alguns títulos bizarros e oportunistas apareceram pelo meio do caminho. Mas o legal mesmo é ressaltar aqueles jogos que para sempre ficaram guardados na (minha) memória. 

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Nesse meio termo, em meados de 2006, eu havia acabado de entrar na universidade e, por causa disso, minhas horas livres se tornaram bem mais escassas que o habitual. A quantidade de coisas para fazer, horÁrios integrais, cargas de disciplinas e atividades extracurriculares ocupavam a maior parte da minha rotina. Eu jÁ sabia que iria penar para acompanhar a quantidade de lançamentos que viriam nos meses posteriores e tirar o atraso com jogos excelentes que, por ventura, eu havia deixado passar, mas que vÁrios dos meus amigos nos fóruns pela internet (e alguns da vida cotidiana) só elogiavam.

Acham que nessa situação o PS2 aliviou? Ledo engano. Alguns títulos sensacionais que saíram e me marcaram para sempre foram "Beyond Good & Evil" (obra-prima da Ubisoft; cadê o 2, heim?), "Viewtiful Joe" (beat 'em up com visual bem estilizado), "Guitar Hero" (viciei até o segundo, depois enjoei da dinâmica), "Kingdom Hearts II" (mais complexo, refinado e divertido), "Final Fantasy XII" (desafiante e profundo, embora muitos torçam o nariz), "Black" (FPS surpreendente), "Shadow of the Colossus" (obra de arte), "Okami" (melhor jogo do console), "Rogue Galaxy" (RPG fenomenal), "Indigo Prophecy" (narrativa sobrenatural densa), "Odin Sphere" (RPG de ação sobre a mitologia nórdica), "Psychonauts" (aventura psíquica inovadora), "Bully", a série "Sly Cooper" (aventura com mascote guaxinim).

Em novembro de 2006, foi a vez do Playstation 3 ficar sob os holofotes do mundo e desviar a atenção do irmão menor que, ainda assim, acumulava mais lançamentos e fazia questão de não se tornar obsoleto perante às novas plataformas. Nos dois anos seguintes (2007 e 2008), os destaques na minha memória foram "God of War II" (sequência arrebatadora), "Burnout Dominator" (os rachas continuavam tão ferozes quanto antes) e "GrimGrimoire" (nunca pensei que gostaria de um jogo de estratégia em tempo real). Depois disso, o console continuou ganhando novos jogos. Nada de superproduções, mas versões atualizadas de franquias jÁ consagradas na indústria, principalmente de séries esportivas e adaptações de filmes.

JÁ em 2013, adivinhem: o PS2 continua recebendo games. O mais recente deles, a expansão "Seekers of Adoulin" para "Final Fantasy XI", estÁ prometido para o início de 2013. Esse tipo de tratamento e atenção, obviamente, só recebe aquele que tem prestígio ou que, de alguma forma, marcou uma época, uma indústria e toda uma geração de jogadores. Agora nos últimos suspiros, o Playstation 2 tem tudo isso com muita sobra. É hoje considerado um dos melhores videogames de todos os tempos. Por mim também. E eu só tenho a agradecer por todos os momentos de pura diversão que convivi com ele. Milhares de horas que jamais serão esquecidas e para sempre lembradas.

Obrigado, Playstation 2, e descanse em paz! 

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  • Redator: Andrei Longen

    Andrei Longen

    Jornalista pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), Andrei Longen é entusiasta por videogames desde os 7 anos, quando ganhou um Odyssey 2, seu primeiro console. Hoje tem PS4, PS3 e PS Vita e adora caçar troféus em todos os jogos. Colabora no Adrenaline com notícias, análises, artigos, colunas e vídeos.

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